William Blake

Uma frase célebre de William Blake, "o caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria", explica muito do fascínio gerado por nomes como Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix e, mais recentemente, Amy Winehouse e Kurt Cobain.

Blake era um pintor e poeta romântico radical, que rejeitava as convenções artísticas do passado.

“Ver o Universo no grão de areia e o Paraíso em uma flor; segurar o Infinito na palma de sua mão e notar a Eternidade em uma hora”

Essas linhas podem sintetizar o que, hoje em dia, se chama “a nova consciência” – a capacidade de entender que tudo está interligado, os instantes mágicos fazem parte do cotidiano e basta um pouco de abertura interior para perceber que somos capazes de mudar por completo a nossa realidade, eliminando a maior parte das coisas que nos deixa insatisfeitos. Na época em que tais versos foram escritos, porém, eles passaram quase despercebidos.

Seu autor, William Blake (1757-1827), nasceu de uma família pobre e morreu totalmente rejeitado pelos círculos intelectuais da época. Alegavam os críticos que Blake misturava muito misticismo ao seu trabalho, tinha comportamentos estranhos e era demasiadamente inocente em seus textos.

O Inferno de Dante e o turbilhão de amantes, Willian Blake

Os críticos morreram e Blake é hoje considerado – não apenas por sua literatura, mas também por suas gravuras, um dos artistas mais completos do milênio passado.

Blake conta que, ainda criança, estava em um parque perto de Londres quando viu anjos nas árvores e o profeta Ezequiel surgiu entre as criaturas aladas. Mais tarde, já com 30 anos, o seu irmão menor morreu – e Blake garante que seu espírito lhe apareceu alguns dias depois, coberto de luz, para ensiná-lo a fazer “livros não impressos”, ou seja, gravar texto e ilustrações de modo artesanal, em tiragens limitadíssimas.

Seguindo o conselho, Blake começa a desenvolver uma tese chamada “os estados contrários da alma humana”.

Um destes estados é a inocência, quando a imaginação nos leva ao crescimento. O outro estado é a experiência, quando a nossa imaginação se vê diante de regras, moralidade e repressão.

"Ancient of Days" - William Blake

Blake viveu intensamente sua vida, morreu pobre, mas garantindo que tinha feito tudo o que desejava. Em um de seus trabalhos mais polêmicos, “O Casamento do Céu E do Inferno”, ele diz ter visitado o reino das trevas e anotado os provérbios que os demônios costumavam dizer entre si. A seguir, uma seleção destes provérbios:

“Na época de semear, aprende. Na época da colheita, ensina. No inverno, aproveita.”

“A cisterna contém; mas a fonte transborda.”

“Um tolo não vê a mesma árvore que vê um sábio.”

“As prisões foram construídas com as pedras da lei e os bordéis, com as pedras da religião.”

“O que hoje está provado, ontem era apenas um sonho.”

“Tudo que pode ser imaginado é um reflexo da verdade.”

“De água parada, sempre espere o veneno.”

“A raposa cuida de si mesma; mas Deus cuida do leão.”

Melancholy, Watercolor Illustration to Milton's L'Allegro and Il Penseroso by William Blake

A mitologia pessoal de Blake poderia ser interpretada como um sistema de metáforas para referir-se à opressão e à desigualdade; para atacar o sombrio panorama oferecido por uma primeira fase da industrialização, da implantação do mundo burguês, na Inglaterra. Seu monismo panteísta, declarado em O Casamento do Céu e do Inferno, também seria metáfora, porém da superação do status quo e da realização da utopia: outra face, o reverso da moeda. Corroboram essa interpretação as frases em tom triunfal do epílogo de O Casamento do Céu e do Inferno, intitulado Uma Canção de Liberdade: O IMPÉRIO CAIU! E AGORA O LEÃO & O LOBO TERÃO FIM! E seu notório envolvimento com acontecimentos de seu tempo, evidente em poemas como The French Revolution e América. Durante a Revolução Francesa, provocador, ostentava o barrete vermelho dos revolucionários.

 

Os Grandes Artistas - Blake (2006)

 

Fontes: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/michellaub/2013/05/1275889-o-ato-extremo.shtml; Paulo Coelho;http://www.diariosp.com.br/blog/detalhe/2097/William+Blake,+o+visionario;

http://www.revista.agulha.nom.br/ag67blake.htm

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