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Virada Cultural Paulista
2010
Estendendo a cobertura da virada cultural
paulistana à equipe da Sunrise Music esteve presente
em diversas cidades para acompanhar os eventos que ocorreram
nos dias 22 e 23 de maio em 30 municípios no interior
e litoral do estado de São Paulo (Araçatuba,
Araraquara, Assis, Bauru, Caraguatatuba, Franca, Indaiatuba,
Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu,
Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto,
Santa Bárbara d'Oeste, São Carlos, São
João da Boa Vista, São José do Rio
Preto, São José dos Campos, Sorocaba e na
Baixada Santista).

Início da virada cultural em
Santos no teatro Coliseu. Fotografia: Francisco Arrais
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Realizada desde 2007 a virada paulista reuniu
1.6 milhões de pessoas em sua quarta edição
e teve uma programação direcionada para novos
artistas de alta qualidade. A série de espetáculos
mostrou uma boa base de referências na cultura contemporânea;
que a cada ano supera a carência de criatividade
com grandes nomes como Manu Chao, Cat Power, Zeca Baleiro
e Otto. Diferente do que acompanhamos na capital, o evento
não teve uma organização de boa qualidade,
não disponibilizando o transporte e infra-estrutura
necessária para receber os espectadores que acabaram
relevando a situação após presenciarem
as ótimas apresentações dos artistas.
Dia 22 de Maio de
2010 (Sábado)
Iniciamos a trajetória pela virada
cultural paulista na manhã de sábado partindo
para Jundiaí onde a bilheteria do teatro Polytherama
supostamente estaria distribuindo 20% dos ingressos para
se assistir ao show da cantora americana Cat Power entre
as 9 horas até meio-dia. Ao chegar encontramos uma
fila razoável de pessoas dispostas que aguardavam
pacientemente por seus ingressos, mas assim que aberta
a bilheteria pode-se dar poucos passos antes que fosse
anunciado o fim da distribuição. Uma nova
fila foi deslocada para o outro lado da rua onde cerca
de 50 pessoas não tiveram escolha senão aguardar.
Cerca de uma hora e meia depois, o público desconsolado
que não aumentou de quantidade já estava
debaixo do sol que gradativamente se tornava mais desconfortável.
Conscientes de que teriam de aguardar por mais onze horas
pelos 80% dos ingressos restantes em tal situação
constrangedora qual se encontravam, os presentes com muita
educação chamaram a atenção
de uma organizadora (não revelou seu nome) que observava
a fila por um instante para disponibilizarem os pouquíssimos
ingressos necessários para que todos que acordaram
cedo pudessem descansar até o início do evento.
Para frustração do público ao invés
de resolver a simples questão, a organização
distribuiu desaforos desequilibrados a todos como “parem
de tumultuar” “estou trabalhando e vocês
se divertindo”, “Cat Power é uma chata”,
chamando a polícia municipal logo em seguida que
sem necessidade reprimiu a todos e não notou nossa
presença ao mencionar que seria mais violenta caso
necessário não havendo imprensa presente
para registrar.

Cat
Power canta junto ao público fotografia: Luana Caiero
/ Vc Repórter
Mesmo com todo drama o publico aguardou sem
reação até as 22:30 para recepcionar
a talentosa cantora e compositora Charlyn Marie Marshall,
mais conhecida como Cat Power natural de Atlanta, Georgia.
Charlyn, filha de pianista, desde cedo teve vocação
para a música e abandonando o ensino médio,
mudou-se para Nova York onde se apresentou em pequenos
pubs pela primeira vez com o nome artístico de Cat
Power. Nos anos seguintes lançou primeiramente dois
discos independentes e em seguida seu terceiro “What
would the community think” pela gravadora Matador,
que foi muito bem aceito pela crítica - tornando
a cantora um dos grandes nomes da musica indie. Em seu
som pode-se notar grandes influências eruditas no
piano, aproximadas a música popular, envolvendo
blues, jazz, soul e folk que a cantora faz referências
em canções como “Song to Bobby” (Bob
Dylan) e “Aretha, sing one for me” (Aretha
Franklin) de seu ultimo álbum “Jukebox” lançado
em 2008. Canções do disco e músicas
de outras fases da carreira e tributos foram executados
pela artista que chegou a descer do palco para cantar junto
ao público que tanto aguardou por sua presença.
Logo em seguida após o termino do
show, em Jundiaí também se pode conferir
o grande compositor brasileiro Zeca Baleiro se apresentar
na cidade. Zeca nasceu no Maranhão e mudou-se para
São Paulo na década de 80, onde iniciou sua
carreira profissionalmente em 1997. Suas músicas
distintas envolvem muita criatividade e expressam um estilo único
do artista principalmente com as letras bem elaboradoras
que oferecem ao ouvinte humor de qualidade, blues e poesia
muito próximo ao cotidiano, fazendo delas populares
apesar da complexidade dos temas que abrangem seus trabalhos.
Os estimados 18.000 presentes puderam conferir o grande
artista executar um repertório bem variado entre
ritmos, miscelâneas que incluem sucessos como “Telegrama” e “Babylon”;
além de canções de seu ultimo disco
reverenciado pela crítica “O coração
do homem bomba” (2008).

Zeca Baleiro em Jundiaí fotografia:
Rennan Teixeira / UOL
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De Jundiaí partimos para Santos no
litoral paulista. Depois da viagem nos deparamos com a
cidade muito movimentada e cheia de alto astral. Devido à localização
e as atrações a cidade atraiu um grande público
jovem que tomou conta das ruas próximas a Praça
Mauá onde foram realizados os shows. As pessoas
sorridentes se concentravam nos bares abertos que estavam
mais próximos até o início do evento.
Um detalhe interessante a respeito da virada em Santos
foi a informação disponibilizada pela prefeitura
municipal de que não foram registradas ocorrências
pela polícia e pela equipe médica disponibilizada
durante a noite.
A primeira grande apresentação
foi feita por Otto, cantor e compositor que no princípio
tocava percussão nas bandas Nação
Zumbi e Mundo Livre S/A (que deram início ao movimento
Manguebeat em Recife na década de 90). Soando um
pouco diferente do que se esperava de sua apresentação
devido a tais influências, Otto e sua banda executaram
um som muito mais próximo ao rock n’ roll
com direito ao órgão seiscentista e a solos
com grande influência de blues. Sem deixar de lado
as percussões de maracatu sua apresentação
misturava gêneros e dava arrepios. Com muita tranqüilidade
o cantor contagiou com seu som inovador e foi muito bem
aceito pela platéia.

Otto se apresenta em Santos. Fotografia:
Marcelo Martins
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Após a finalização de
Otto por volta das 20:30, o público desperçou-se
pelo local e pode interagir ao som das bandas Radiophonicos
que apresentou um som rockabilly com muitos covers (Elvis,
Johnny Cash, dentre outros) e Havana Brasil que mostrou
um vasto repertório de musica caribenha muito bem
requintada com metais que conduziram o ânimo na noite
simultaneamente ao desfile nas ruas do grupo Quiloa, um
arrastão de maracatú tradicional que reuniu
uma multidão que os seguiam dançando pelo
corredor cultural.
Logo em seguida, o público presente
começou a se reunir novamente em frente ao palco
para assistir ao grande músico franco-espanhol Manu
Chao. José Manuel T. Arthur Chao participou do grupo
Mano Negra (nome em refêrencia a uma organização
arnarquista espanhola) mas alcançou mais sucesso
com sua carreira solo em seu primeiro disco “Clandestino”,
composto em aventuras pela América Latina onde caminhou
e ficou a deríva com seu violão. O som altamente
inovador é realmente dificil de ser classificado
pois mistura inumeros gêneros, dentre eles musica
tradicional latina/caribenha, rock n’ roll, reggae,
ska e gypsy. Com esse coquetel inovador dentre letras belíssimas
e muitas vezes extremamente polêmicas, críticas,
que vagam principalmente entre 3 idiomas (espanhol, francês
e português) conquistou com rapidez o sucesso mundial.
Chegou a fazer uma turnê de barco pelas cidades costeiras
do Brasil de carona com um circo e até mesmo morou
no Rio de Janeiro.
Sem demorar muito com apresentações
Manu Chao foi anunciado e recebido calorosamente pela platéia.
Iniciou o show tranquilamente com uma balada. A formação
da banda resumia-se a um power trio que pouco a pouco tirou
o folêgo do publico. Os três integrantes não
deixaram ninguêm parado com sua empolgação
e ânimo contagiantes, não precisando de nada
mais para marcar sua presença com estilo. Assim
como Bob Dylan no iníciou de carreira, Manu Chau
transcende uma apresentação convencional,
sendo visceral, mostrando canções vivas,
cheias de sentimento e vibrando em um patamar inigualável.
A primeira parte do show foi realizada apenas com violões
e aqueceram com bom gosto executando a ótima canção “Desaparecido” de
seu primeiro disco. Finalizada este primeiro momento o
virtuoso músico Madji troca o violão pela
guitarra e parte para um som muito mais pesado e viajante
começando com “Primavera” e “Me
gustas tu”. Canções de toda sua carreira
foram tocadas incluindo clássicos como “Bongo
Bong”, “Clandestino”, “Mentira”, “Minha
Galera”,”Welcome to Tijuana” e novas
musicas de seu ultimo disco “La Radiolina”.

Manu Chao na Praça Mauá (Santos)
fotografia: Vagner Dantas
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Manu
Chao na Praça Mauá (Santos) fotografia: Vagner
Dantas
Dia 23 de Maio de
2010 (Domingo)
Seguindo nos primeiros ônibus de domingo
prosseguimos para São Carlos onde conferimos o show
da banda Móveis Coloniais de Acaju. A banda de Brasília
se conserva independente e tem um vasto público.
Atualmente já bem desenvolvidos, tem uma apresentação
muito estruturada com seus vários integrantes e
instrumentos. Difícil mesmo é conseguir rotular
toda essa mistura apresentada. Dos muitos gêneros
que podem ser identificados no som se destacam rock, ska
e música brasileira.
O show iniciado por volta das 14:00 em sol
a pino não atrapalhou nem um pouco a animação
do público que interagiu muito com a banda dançando,
sentando, pulando e se divertindo. A banda transmite muita
energia durante o show com seus integrantes realizando
passos sincronizados que lembram antigas bandas de r&b.
Mesmo com um show curto, a banda se despediu sendo muito
aplaudida pelo platéia, muito satisfeita com a apresentação.

Móveis Coloniais de Acaju em
São Carlos
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Após acompanhar a virada de São
Carlos tivemos como última parada a cidade de Araraquara
para presenciar a finalização do evento com
o segundo show do compositor Manu Chao. Programado para
começar às 17h o show começou por
volta das 18:30h após uma tentativa de comício
realizada pelo prefeito da cidade, que completamente encoberto
por vaias do público revoltado com tal atitude,
gritou irritado sua mensagem sem ter sucesso, tendo de
anunciar o nome de um dos maiores compositores da atualidade
com clareza na esperança de corrigir seu grande
erro.
Manu Chao começou o show de forma
semelhante à noite interior, mas além de
ser colocado como marionete de divulgação
política teve diversos problemas técnicos
com a equipe de som que chegou até mesmo correr
atrás do cantor puxando cabos de seu violão.
Revoltado com a situação, a reação
do músico não poderia ser melhor; tratou
de fazer uma apresentação dando o máximo
de si ao público, cerca de 80 mil pessoas, que foi
ao delírio cantando todas as canções
em coro. Finalizou seu show com um grande bis, nos instantes
finais, batucando o microfone contra seu peito com toda
força, gritava emocionado “Próxima
estación: esperanza! Hasta siempre Araraquara, hasta
siempre! Esperanza!”. Terminado o show a banda voltou
ao palco para a tradicional despedida, retirando-se rapidamente
em seguida, sem dizer uma palavra à mídia
local, enquanto eram aplaudidos ainda, o que ocorreu por
mais alguns minutos.

Manu
Chao encerra virada paulista em Araraquara
Roteiro Sunrise Musics:
Dia 22/05 (Sábado)
09:00 - 12:00 - Jundiaí
19:30 – Otto - Santos
00:00 – Manu Chao – Santos
Dia 23/05 (Domingo)
14:00 – Móveis Coloniais de Acaju – São Carlos
18:00 – Manu Chao – Araraquara
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Por Mathias Reis (Sunrise
Musics)
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