Vinil: a volta dos que não foram

Em 1998 a última grande gravadora brasileira encerrou a produção de discos de vinil. Restaram pouquíssimas fábricas, todas de fundo de quintal. Com o crescimento desenfreado do CD (que hoje, quem diria, é o condenado à morte da vez), elas foram perdendo fôlego e acabaram na bancarrota. A última a fechar as portas foi a Polysom, em Belford Roxo, que deixou de operar em outubro de 2007, após carregar durante anos o título de "única fábrica de vinis da América Latina".


Sound Wave, peça em vinis do coreano Jean Shin

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Mas enquanto o mato crescia pelo terreno de 1.900 metros quadrados na Baixada, o vinil voltava a virar objeto de desejo entre apreciadores de música e colecionadores - basta dizer que, só nos Estados Unidos, as vendas em 2009 chegaram a 2,5 milhões de unidades. E João Augusto, dono da gravadora independente Deckdisc, se interessou em tocar o negócio. Depois de um ano de ajustes, a Polysom colocou 4 novos vinis no mercado.

Hoje os vinis estão em alta, sendo bem avaliados para um produto que pudesse outrora estar desacredtitado. Segue alguns exemplos de LPs que estão valorizados.

 


Louco por Você (1961) - Roberto Carlos

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Louco por Você (1961) de Roberto Carlos, atualmente avaliado em torno de R$ 5 mil, é um dos discos brasileiros mais caros e mais cobiçados por colecionadores. São raros os que se encontram em bom estado de conservação.

Inscrições rupestres misteriosas, mitos indígenas, boas doses de psicodelia, buscas obscuras, a história do raríssimo disco "Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol", de Zé Ramalho e Lula Côrtes, lançado em 1975, é recheada de mitos.

 


Paêbirú - Lula Cortes e Zé Ramalho

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É também um dos discos mais caros do Brasil, sua última cotação está entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. Sua história tem todo um imaginário próprio. Das únicas 1.300 cópias da prensagem original, 1.000 foram perdidas numa enchente em Recife.

Omm - Paebiru - Lula Cortes e Ze Ramalho

O compacto de O"Seis (pré-Mutantes), com as canções Suicida e Apocalipse, é talvez o disco brasileiro mais valioso. Um original raro, de 1966, foi vendido por US$ 5 mil (em torno de R$ 8 mil) para um americano da Califórnia, como comprovado no documentário Beyond Ipanema, de Béco Dranoff e Guto Barra. Cópias não autorizadas feitas recentemente nos EUA, com razoável qualidade de som, encontram-se à venda no Mercado Livre por R$ 190.


O"Seis (pré-Mutantes)

Se sair em CD ou mesmo em vinil, um título raro perde um pouco o valor, mas não muito. "Colecionador quer sempre o original", diz Marcelo di Giácomo, da Discomania (Rua Augusta, 560, tel. 3257-2925). Ele tem uma cópia de Louco por Você "em mau estado", valendo R$ 2.500. " O valor máximo que esse disco pode ter hoje bem conservado é de R$ 6 mil, mas ninguém paga isso. Vão pagar R$ 4 mil. Valer é uma coisa, pagar é outra. Há o preço virtual, o estimativo, o venal, o real. Fica subjetivo estipular um valor."

Outro dos álbuns brasileiros mais raros e caros é Geração Bendita (1971), do obscuro grupo Spectrum, que pode atingir a cifra de R$ 5 mil. Cópias recentes desses discos, feitas na Europa, chegam a R$ 750.


Geração Bendita (1971) Spectrum

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O vinil original do clássico Coisas (1965), de Moacir Santos, é outro top de linha entre as raridades colecionáveis. Um exemplar em estado razoável de conservação está avaliado em torno de US$ 2.500 em sites de leilão internacionais. Até mesmo a edição oficial em CD já está fora de catálogo e um novo não se encontra por menos de US$ 70.

Spectrum - Quiabo's

Preço condicionado. O disco nem precisa ser tão genial como o de Moacir para valer tanto. É o caso da trilha sonora do filme Brasil Ano 2000 (1969), de Rogério Duprat, com a voz de Gal Costa em quatro faixas, valendo até R$ 4 mil. A compilação Let Me Sing My Rock"n"Roll, feita pelo fã-clube de Raul Seixas, em série limitada de mil cópias numeradas custa R$ 2.500 na Baratos Afins (Av. São João, 439, 2.º andar, lojas 314/318, tel. 3223-3629).

 


Brasil Ano 2000 (1969)

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"Esse nunca viu agulha", garante o proprietário Luiz Calanca. "Agora reeditaram Acabou Chorare, dos Novos Baianos por R$ 140. Acho caro, mas os clientes não chiaram porque já pagavam R$ 150 por um usado. Quando um disco sai em CD, ao contrário do que se pensa, o vinil valoriza mais, porque instiga quem gosta de música a ir atrás do original", avalia. Muitos desses discos não valem tanto, mas como alguém estipula um preço alto, "fica condicionado", diz Calanca.

Com o novo modismo do vinil e o declínio da venda de CDs, as bolachinhas também continuam em alta. Há compactos mais caros do que os LPs, como é o caso de O"Seis. O que Jô Soares gravou em 1963 com o rock Vampiro vale R$ 2 mil na Discomania. "É o mais raro, não pela qualidade musical", diz Giácomo da Discomania (Rua Augusta, 560, tel. 3257-2925). O primeiro de Gal Costa (com Sim, Foi Você, de Caetano Veloso e Eu Vim da Bahia, de Gilberto Gil), quando ainda assinava Maria da Graça, é avaliado em R$ 300.

Não se trata do retorno do LP pois este não é prático, não vale para o dia a dia onde nem mesmo o CD, o DVD de áudio e outros tem espaço. Os arquivos e tocadores ganharam espaço pela sua praticidade, mas quando não se necessita da praticidade, em eventos sob um teto para várias pessoas, o LP tem o seu espaço luxuoso no qual esta envolvido um certo misticismo musical.


Technics Panasonic

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A esposa de Sérgio Herz, diretor da Livraria Cultura, presenteou-o há pouco tempo com um tocador de vinis. O agrado, que pareceria algo antiquado se não fosse a entrada USB e compatibilidade com CDs e MP3, fez com que ele, segundo o próprio, “voltasse no tempo” e comprasse discos de alguns de seus clássicos preferidos, como Queen e Led Zepellin.

Hold Back The Nights - The Trammps

Hoje, diz Herz, as vendas das “bolachas” de sua loja já representam 5% da área musical, algo que era inimaginável três anos atrás. Um fenômeno parecido com o ocorrido em 2009 com suas vendas de CDs e DVDs, que, para a surpresa de muitos, aumentaram 17% em meio à concorrência de torrents, blogs e compartilhadores de arquivos espalhados pela web.

 


Led Zeppelin • Mothership 4LP and The Song Remains the Same 4LP • Led Zeppelin The Song Remains the Same (Expanded & Remastered Soundtrack) - 4LP-180 Gram Vinyl Box

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Muitos dizem que o disco possui um som mais encorpado. Mas o fator som dependerá de uma série de fatores externos. A produção dos discos eram de um outro conceito de som, uma outra forma de apresentar a música. As caixas de som da época dos três-em-um, privilegiavam os graves. Nos aparelhos de CD e DVD domésticos, a gravação digital é convertida em sinal analógico e enviada ao amplificador. O amplificador eleva a voltagem desse sinal a um nível alto o suficiente para reproduzir o áudio através dos auto-falantes.

Os discos de vinil possuem entalhes que refletem as ondas do áudio original. Isso significa que nenhuma informação é perdida. O resultado de um toca-disco é analógico, enviado diretamente ao amplificador sem ser convertido. Isso significa que as ondas sonoras de um disco de vinil podem ser muito mais precisas e podem ser apreciadas de maneira mais agradável. O aspecto negativo é que, qualquer sinal de poeira ou riscos podem prejudicar na reprodução. Em alguns momentos, os ruídos podem ser ouvidos. Gravações digitais não se degradam com o tempo, o que significa uma reprodução livre de ruídos.

"Por ser um processo analógico, a equalização tem mais graves naturalmente por isso fica mais aparente", diz Djeferson Moreira Barbosa, produtor de áudio da Rádio UOL. "Isso não quer dizer que o som tenha mais qualidade. Se o CD tem uma taxa de amostragem de 44 KHz a 16-bit, o vinil teria 16 KHz a 8-bit", completa.

Bob and Earl - Harlem Shuffle

O vinil é a escolha dos DJs. "O grave do vinil é mais orgânico, eu quase não uso CDs", diz o DJ Raffa Alem.

 


Foto: Anuska Nardelli

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Quando se ouve um excelente vinil ouve-se tudo o que a banda queria que nós ouvissemos. Um mau vinil terá praticamente tudo também, simplesmente sem a clareza e o brilho original. Esse é o som analógico. Tecnicamente o som analógico é superior, pois consegue traduzir com a máxima perfeição todo o espectro e, principalmente, sua complexidade.

Certos entusiastas dizem que às mídias digitais cortam as freqüências sonoras mais altas e baixas, eliminando harmônicos, ecos e batidas graves e a "naturalidade" e espacialidade do som. Estas justificativas não são tecnicamente infundadas, visto que a faixa dinâmica e resposta do CD não supera em todos os quesitos as do vinil.

 

Fontes: Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S.Paulohttp://oglobo.globo.com/cultura/; http://www.giropb.com.br/; http://bibliotecno.com.br/?p=430; http://info.abril.com.br/noticias/blogs/upload/livros/voltam-os-vinis-e-chegam-os-livros-digitais-no-brasil/; http://ambienteacreano.blogspot.com/; http://lazer.hsw.uol.com.br/qualidade-de-gravacao-do-vinil.htm; http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2009/05/15/ult4213u742.jhtmhttp://cospe-fogo.blogspot.com/2009/06/vinil-vs-cdmp3-qual-e-o-melhor-digital.html

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