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Martinica
Em muitos
pontos, a Martinica destoa das ilhas caribenhas mais famosas:
em lugar do aclamado fervor latino oferece aos visitantes
paz e tranquilidade, roteiros históricos e natureza
exuberante, pitadas de cultura local e uma herança
francesa (a ilha faz parte do país europeu, na condição
de departamento ultramarino).

Les Salines
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À luz do dia, praias
agitadas ou desertas ocupam a costa nos 80 quilômetros
de comprimento e 34 de largura, habitados por pouco mais
de 400 mil moradores. As distâncias curtas são
aliadas de quem deseja conhecer várias faixas de areia.

Como sempre faz calor na Martinica, a sensação é de
verão eterno. A temperatura média fica em torno
de 27 graus. Mas o ano é dividido em estações
seca (inverno e primavera do Hemisfério Norte, entre
dezembro e abril) e chuvosa (maio a novembro). O vento frequente
ajuda a diminuir a sensação de calor, exatamente
como nas vilas litorâneas do Nordeste brasileiro. E,
mesmo na temporada, há espaço de sobra nas
praias.

Martinica
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Salsa
itinerante. Existem clubes de salsa, cujos integrantes
se reúnem
aos sábados em uma cidade predefinida
para promover espaços comunitários de dança. Às
vezes há bandas ao vivo; em outras, DJs executam seus
sets de salsa, o que inclui sucessos do repertório
pop internacional, como músicas do U2 adaptadas. O
zouk, ritmo que nasceu na Martinica, se espalhou pelo Caribe
e chegou ao Norte do Brasil, também faz sucesso em
tais festas.
"Eu não perco um evento. E acho que são
importantes para que os jovens conheçam os ritmos",
conta Raymond Maizeroi, morador da ilha.

Une plage de la Pointe
du Bout
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Outra opção para quem busca algum agito noturno
está em Pointe du Bout, na parte sul da Baía
de Fort-de-France. Por lá, bares e restaurantes ficam
abertos até um pouco mais tarde - algo como meia-noite.
Trata-se de uma ótima opção para provar
a culinária local, que mescla receitas francesas e
creoles. Delícias preparadas com frutos do mar, ostras,
porco e verduras frescas saem de cozinhas comandadas por
chefs jovens e criativos, para serem acompanhadas de um bom
vinho francês.

Royal Clipper sunset in
Martinique
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Entre movimentadas ruas estreitas e construções
com varandas e fachadas desbotadas do começo do século
20, é no centro histórico de Fort-de-France
que está o melhor da face urbana da Martinica. A maior
cidade da ilha virou protagonista econômica depois
da erupção do Monte Pelée, em 1902 que
destruiu a então vibrante Saint-Pierre, mais ao norte.

La chiesa di Balata
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Colada a Le Lamentin, onde fica o aeroporto,
e a Schoelcher, que abriga a Universidade das Antilhas
e Guiana, Fort-de-France
concentra também os postos de trabalho da ilha, além
de abrigar um quarto de sua população. O vaivém
entre casa e emprego explica o congestionamento diário
nos acessos à cidade.
O escritório de
turismo local (tourismefdf.com) sugere roteiros prontos.
Mas basta ter um mapa em mãos para chegar a lugares
como a praça La Savane, onde está a estátua
da imperatriz Josephine, primeira esposa de Napoleão
e personagem mais ilustre da Martinica. Ao lado está o
Forte Saint-Louis, de 1640, em um canto de onde se tem uma
linda vista ao entardecer.

Forte Saint-Louis
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Desenhada pelo arquiteto Henry Pick para
a exposição
de 1889 em Paris, enviada de navio a Fort-de-France e reconstruída
peça por peça em 1893, a Biblioteca Schoelcher é um
dos prédios mais curiosos da cidade. Vale visitar
também o belo Jardim de Balata (jardindebalata.fr)
e o Museu Regional de História e Etnografia (cr-martinique.fr).
Entre um programa e outro, o turista esbarra em velhos conhecidos
como McDonald’s, Carrefour e até Galerias Lafayette.
Na orla. Termine o passeio na orla, que passou
por obras de revitalização e hoje conta com pista de
caminhada e playgrounds. Nos fins de semana, a área
vira ponto de encontro dos moradores, quando são comuns
as apresentações de salsa ao ar livre.
Revitalização, aliás, é um desafio
atual da cidade. Construída em área de manguezal,
ainda tem moradores vivendo em locais insalubres. Partes
importantes de Fort-de-France estão em reforma, principalmente
no centro histórico e à beira-mar.

Fort de France Martinique
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Um projeto ambicioso está em andamento nas imediações
da zona portuária: a construção do complexo
de Pointe Simon, que abrigará uma torre de 20 andares
(a maior da ilha), de arquitetura moderna, com escritórios
comerciais, residências e a réplica de uma vila
creole. Uma típica proposta pensada para se tornar
cartão-postal.
Rum
Na Martinica, rum é assunto sério. Os fabricantes
locais e os apreciadores mais exigentes sabem, por exemplo,
que a bebida produzida na região do Monte Pelée,
com solo vulcânico e muito fértil, é completamente
diferente daquela fabricada no sul da ilha.
Por isso, para virar um conhecedor do destilado
de cana-de-açúcar
que é um dos símbolos locais, vale a pena agendar
ao menos dois tours, em regiões distintas. A ilha
tem 11 destilarias e produz 17 variações da
bebida - sem falar no Museu da Cana (cr-martinique.fr), que
atualmente tem em cartaz duas exposições: Açúcar,
Uma Questão Mundial e Cana de Açúcar,
Literatura e Cinema.

CLEMENT
distillery at Le François (Martinique)
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A lista de destilarias famosas tem nomes
como Clément
(rhumclement.net), Neisson (neisson.com), Saint-James (www.saintjames-rum.com),
La Mauny (rhumdemartinique.com/lamauny) e Depaz (depazrhum.com/martinique.html).
Na maioria, além de acompanhar o processo de produção
da bebida, você pode visitar museus ou salas especiais
dedicadas à história da marca e, logicamente,
adquirir suas garrafas.
O rum natural é claro, transparente. Envelhecida
em tonéis de carvalho, a bebida adquire coloração
amarelada, além de status e preços elevados.
Runs envelhecidos chegam a ser comparados aos melhores conhaques.

Martinique Forest Tropical
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Boas-vindas. Tão característico e importante
para a economia da ilha é o rum que a maioria dos
restaurantes tem como prática padrão oferecer
um drinque de boas-vindas preparado com a bebida. O ti-punch é feito
com rum, xarope de cana e limão, enquanto o planteur
punch mistura o destilado com suco de frutas, como laranja,
goiaba, manga e abacaxi.
As destilarias locais também fazem o Shrubb, uma
espécie de licor de laranja, no qual a fruta é macerada
no rum.
Encantadoras faixas de areia
LE PRÊCHEUR - Nas praias da Martinica, "farofeiros" são
maioria. Não carregam a pecha de deselegantes nem
viram alvo de olhares de reprovação. Levar
comida, bebida, isopor, canga e cadeira é a escolha
mais sensata para passar um dia à beira-mar. Explica-se:
nas faixas de areia de toda a ilha, é raríssimo
ver um bar ou restaurante. Existem apenas mesas para piquenique,
instaladas pelo governo. O comércio fica lá do
outro lado do asfalto.

Martinique
302. la traversée entre le Précheur et
Grand Rivièree
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Como consequência, a orla é tão preservada
que chega a surpreender. Na costa oeste, voltada ao Mar do
Caribe, as águas são calmas; na leste, diante
do Atlântico, há ondas.
O ideal é dividir a ilha em setores e privilegiar
distâncias pequenas, para não passar muito tempo
dentro do carro. Com esta dica anotada, veja a seguir as
porções de areia realmente imperdíveis.
E monte o seu roteiro.
Mar do Caribe, Norte
Anse Couleuvre, uma enseadinha de mar calmo, é o
destaque da face norte caribenha da ilha. A aventura começa
no acesso: uma serra pequena, mas bem tortuosa, capaz de
provocar frio na barriga. Da praia parte a trilha de nível
médio de dificuldade para Grand Rivière, passando
pela deserta Anse à Voile, em uma caminhada pelo meio
da mata com vistas incríveis do Mar do Caribe.

Anse à Voile
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Perto de Anse Couleuvre está Anse Cerón, na
cidade de Le Prêcheur. Tranquila e bastante procurada
para nado com snorkel nas formações rochosas,
tem boa infraestrutura: estacionamento, chuveiros e banheiros
públicos.
Em Carbet, além da beleza das praias
de mar calmo e transparente, chama a atenção
a vista para o Monte Pelée. O pôr do sol costuma
segurar turistas na areia até o último fio
de luz. E há um pequeno centro gastronômico
por ali - o simpático Petibonum faz uma competente
mistura das culinárias francesa e creole.

Monte
Pelée
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Mar do Caribe, Sul
Na porção sul da costa caribenha está a
maior concentração de turistas na Martinica.
Próxima do aeroporto, a área conta com rede
hoteleira ampla e abriga o movimento de Pointe du Bout. Por
lá ficam a bela Anse Noire, de areias escuras por
causa da origem vulcânica da ilha, e a vizinha Anse
Dufour, em uma vila de pescadores, considerada uma das praias
mais bonitas da Martinica.

Mercure
Diamant Martinique
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A região de Anses D’Arlet atrai visitantes
que aproveitam o mar calmo para atracar seus barcos nas águas
incrivelmente azuis. Muitas casas de veraneio estão
localizadas na beira da areia e é possível
avistar espécies marinhas com snorkel bem perto da
costa. Mais ao sul, Anse Diamant fica no caminho, e deve
seu nome a uma estrutura rochosa no mar em forma de diamante.
Lá também se pode ver um monumento em homenagem
aos escravos, dos quais 90% da população da
ilha descende.

Photo
prise en Martinique :
"
Coucher de Soleil à l'Anse Figuier"
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Quem procura um lugar para passar o dia inteiro
deve ir a Anse Figuier, talvez a mais bela praia da Martinica.
A
faixa de areia é curta, o que possibilita aproveitar
as sombras dos coqueiros bem perto do mar. A água,
morna e transparente, oscila do azul para o verde. É uma
enseada de perder o fôlego. Curiosamente, apenas
nesta praia existe uma placa avisando que "todo tipo
de nudismo é proibido" - nas outras, é muito
comum o topless.

Photo
prise en Martinique :
"
Coucher de Soleil à St Pierre
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No extremo sul da ilha, duas praias emblemáticas:
Pointe Marin e Les Salines costumam atrair jovens. Fora da
faixa de areia é possível encontrar bares,
restaurantes e até ambulantes que vendem cangas e
alguns tipos de artesanato. Nos fins de semana, vendedores
de chichi, um petisco que lembra o churros sem recheio, se
instalam por ali. Ao lado, a Petit Anse des Salines é uma
praia de nudismo consagrada: só se chega até lá por
uma trilha a pé.
Oceano Atlântico,
Sul
Anse Trabaud, a primeira praia visitada na
costa do Oceano Atlântico, evidenciou a diferença em relação
ao lado caribenho da ilha: grandes ondas tornam o mar mais
apropriado a surfistas e praticantes de kitesurfe. A areia,
no entanto, é mais clara e o mar, mais azul.

Les
Anses d'Arlet Martinique
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Banhistas ficam mais à vontade em Cap Chevalier e
Anse Michel - uma barreira de corais diminui a força
das ondas e torna o mar convidativo. Tanto que você vai
encontrar muitos turistas por ali. Bastante frequentada também é a
região de Le Robert e Le François, que têm
a oferecer belos passeios de barco. Dali, os turistas são
levados aos famosos Fonds Blancs, bancos de areia branquíssima
localizados a quilômetros da costa. Algumas ilhotas,
que serviam de entrepostos comerciais na época da
escravidão, são vistas durante o passeio.

Le Robert
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Oceano Atlântico,
Norte
Uma visita à Península de Tartane, na parte
norte do litoral atlântico, completa o circuito pelas
melhores faixas de areia. Perto de La Trinité, as
praias por ali têm uma paisagem bem diferente de todas
as outras do restante da ilha. Há muitos pescadores
e vegetação farta. Dê uma olhada em Anse
l’Etang e na bela Anse Bonneville, considerada a praia
dos surfistas.
Orgulho e identidade
A cultura é, provavelmente, o território no
qual a Martinica melhor consegue se diferenciar da França
metropolitana. Uma forte identidade local ganha corpo, voz
e sonoridade na literatura, na música e mesmo no futebol.
O mais ilustre dirigente político da ilha foi Aimé Césaire
(1913-2008), prefeito de Fort-de-France por décadas,
mundialmente conhecido por sua obra literária e, especialmente,
por sua poesia surrealista. Fundador do movimento literário
da negritude com o poema Caderno de um Regresso ao País
Natal (1939), o autor destacava as raízes africanas
para resgatar o orgulho de ser negro entre os ex-escravos
e colonizados.

Vila Pointe Du Bout, 97
229 Trois Ilets, Martinique
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Literatura
Crítico voraz do colonialismo europeu, Aimé Césaire
foi o relator da lei que elevava algumas antigas colônias
a departamentos ultramarinos da França. Por sua qualidade
literária e ideias progressistas, acabou influenciando
muitos movimentos de esquerda e autônomos na Martinica.
O principal deles, que existe até hoje, é o
que prega a independência em relação à França.
Césaire deixou seguidores, como o também escritor
Edouard Glissant, que morreu em fevereiro deste ano, aos
82 anos. Glissant partiu do conceito de negritude de Césaire
para criar ideias que batizou de antilhanidade e crioulização.
Militante anticolonização e autor de um trabalho
que mistura memórias, folclore, declarações
polêmicas e reflexões, abriu caminho para escritores
e artistas creoles mais jovens da própria Martinica,
como Raphäel Confiant e o premiado Patrick Chamoiseau.

Vida Submarina em
Martinica
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Música
O músico Kolo Barst, que costuma cantar em creole,
foi outro dos artistas martinicanos influenciados pelas ideias
de Edouard Glissant. E também aderiu ao movimento
de independência da Martinica, que não é violento
e usa a cultura como veículo para propagar ideias.

Photo prise a Macabou
au Vauclin en Martinique :
"
Fleur d'Hibiscus"
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Mas, para além dos objetivos contestadores, outras
manifestações culturais autenticamente martinicanas
merecem a atenção do visitante. O carnaval
local é a festa mais importante do ano, quando a ilha
inteira se engaja nos preparativos. O formato se assemelha
bastante ao carnaval brasileiro: quatro dias de desfiles,
carros alegóricos, rainhas e fantasias elaboradas.
No território da música popular, o zouk embala
de almoços nos restaurantes de praia a apresentações
ao ar livre. Outro ritmo que merece atenção é o
bèlè, de origem africana, que usa tambores
como base.

Martinique
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Saiba
mais
Como
ir: a Air Caraïbes (aircaraibes.com) tem três
voos semanais, aos domingos, segundas e quintas-feiras,
desde Belém (PA) diretamente a Fort-de-France,
por a partir de 502,41 (R$ 1.240). É a opção
mais prática - são apenas 3h30 de voo.
Via Estados Unidos, são pelo menos duas paradas
- como na American Airlines (aa.com.br): o trecho
ida e volta, a partir de SP, custa desde R$ 4.071,94
Visto: não é necessário
Vacina: exige-se a contra febre amarela
Moeda: euro
Idioma: francês (boa parte da população também fala
o creole)
Carro: alugue um para explorar a ilha - é preciso ter mais de 21 anos.
Há várias opções no próprio aeroporto
Pacotes: confira as opções no blogs.estadao.com.br/viagem |
Região
administrativa da França |
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Fontes:
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,martinica-em-ritmo-de-calmaria,807076,0.htm;
Paulo Favero; Christophe Paubert
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