Medley - Burt Bacharach & Dionne Warwick

Living Together, Growing Together - 5th Dimension

Wives and Lovers - David Sanborn & George Duke

I'll never fall in love agains - Elvis Costello

Burt Bacharach cativa público paulistano com composições atemporais.

Esbanjando elegância e carisma, o compositor, pianista e bandleader norte-americano Burt Bacharach se apresentou na noite da quarta-feira (15) para cerca de 2.000 pessoas no HSBC Brasil, em São Paulo.


Burt Bacharach no primeiro dos dois shows que fez em São Paulo
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Sentado ao piano, Bacharach praticamente não cantou durante o show de quase duas horas, deixando isso sob responsabilidade do ótimo trio de vocalistas.

Em vez disso, serviu principalmente como apresentador e maestro da competente banda que, precisa como uma máquina tocou nada menos do que 32 de suas composições, entre clássicos, novidades e temas de filmes, todas do impressionante catálogo de Bacharach, um dos maiores compositores populares de todos os tempos.

A apresentação começou às 21h45, quando os primeiros acordes de "What the World Needs Now Is Love" foram recebidos com entusiasmo pelo público. Bacharach então veio à frente do palco se apresentar brevemente e anunciar o que viria a seguir: um medley de hits dos anos 60 feitos em parceria com o letrista Hal David.

Num dos melhores momentos do show, o medley foi um apanhado de um dos períodos mais ricos da carreira de Bacharach - e da música popular de maneira geral - em que sua mistura de pop tradicional e rhythm & blues competia nas paradas de sucesso com compositores como Lennon & McCartney e a equipe da gravadora Motown.


Burt Bacharach apresenta seus sucessos pop dos anos 60 e 70 em SP
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Os destaques foram "Walk On By" (sucesso nas vozes de Dionne Warwick em 1964 e da banda punk The Stranglers em 1978), "Wishin' and Hoping" (famosa pela versão de Dusty Springfield em 1964) e "(There's) Always Something There to Remind Me" (número um no Reino Unido com Sandie Shaw, novamente em 1964).

Após mais um medley cujo maior sucesso foi a balada "I'll Never Fall in Love Again", Bacharach começou a tocar músicas inteiras, chamando à frente a excelente vocalista Josie James para interpretar a balada "Anyone Who Had a Heart" com entonação soul. A seguir, mostrou a primeira "novidade" da noite, a bela "God, Give me Strength", feita em parceria com Elvis Costello.

O ponto alto foi "(They Long To Be) Close To You", conhecida pelas versões da musa de Bacharach, Dionne Warwick, e, principalmente, dos Carpenters. Pela primeira vez, o público, formado principalmente por famílias e casais acima dos 50 anos, se agitou e cantou junto do começo ao fim.

Na parte final do show, Bacharach se arriscou um pouco nos vocais. Aos 80 anos, sua voz está ainda mais rouca do que no passado, frequentemente soando como se estivesse prestes a falhar.


Burt Bacharach ao piano durante apresentação em São Paulo
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O que poderia ser um defeito deu a canções sensíveis como o tema do filme "Alfie" um tom sincero e vulnerável, que serviu como saudável contraste ao profissionalismo por vezes excessivo dos músicos de apoio. Mesmo com momentos no limiar do brega à Las Vegas, por conta não do discreto Bacharach, mas da banda, a força das composições garantiu, com folga, a qualidade da apresentação.

Após tentar terminar o show dedicando a nova "That`s What Friends Are For" a seus "novos amigos" Lula e Barack Obama, Bacharach apresentou o bis perguntando "quantos compositores podem se gabar de terem sido gravados pelos Beatles?" e tocando "Baby, it`s You", sucesso das Shirelles imortalizado pelos quatro rapazes de Liverpool em seu primeiro álbum, "Please Please Me" de 1963.

Ao final do bis com a reprise de "What the World Needs Now Is Love" o público ainda não havia desistido e não deixou Bacharach ir embora, sendo presenteado com "Raindrops Keep Fallin' On My Head" sob a condição de que cantassem junto. E foi o que aconteceu.

 

Love Shack - B-52´s

B-52s

Denominada a "banda mais animada do planeta", o B-52s mostrou para as 2 mil pessoas que comparecem ao Citibank Hall, no Rio de Janeiro, porque ostentam esse título. Foram 1h30m de música dançante com um desempenho entusiasmado dos membros do grupo que contagiaram o público formado por trintões e quarentões.

O B-52s só tinha vindo ao Brasil uma única vez, quando se apresentaram no primeiro Rock in Rio, em 1985. De lá pra cá, a banda continua com a mesma formação, com a exceção do guitarrista Rick Wilson, que morreu de AIDS meses depois dos shows no Rio de Janeiro. Esse retorno ao Brasil marca a turnê mundial "Funplex", em que os norte-americanos Kate Pierson, Fred Schneider, Keith Strickland e Cindy Wilson (irmã do falecido Rick), divulgam o álbum homônimo lançado ano passado. Vale ressaltar, que antes de "Funplex", o último trabalho da banda foi "Good Stuff" de 1992.


B52´s no Rio de Janeiro
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O show estava marcado para as 22h. Porém, quem chegou antes pode acompanhar o trabalho de uma DJ, que mixava antigos sucessos dos anos 80 e 90 com o objetivo de esquentar o público. Com quarenta minutos de atraso, o B-52s subiu ao palco e transformou o Citibank Hall em uma grande danceteria. Eles abriram com "Pump", do álbum "Funplex". Acompanhando a banda, mais 3 músicos: um baterista, um baixista e um tecladista.

O palco tinha uma estrutura bem simples, em que a única decoração era um pano preto no fundo. O destaque ficou a cargo de quatro torres compostas por 3 grupos de spots coloridos, posicionadas ao longo do fundo do palco. Em cima de cada torre um potente estroboscópio.

Antes de começar a segunda música, "Mesopotamia", Fred perguntou se estava tudo bem. Durante a execução da canção, Cindy, Fred e Kate ensaiaram típicas coreografias egípcias. Em "Ultraviolet", a terceira música, Fred explicou que a canção era sobre o ponto G.

Depois desse começo com músicas pouco conhecidas por boa parte do público, o B-52s disparou "Private Idaho", um dos maiores sucessos radiofônicos da banda. Nesse momento, todos os presentes começaram a sacolejar os ossos. O ritmo dançante continuou com "Give Me Back My Man" (cantada por Cindy enquanto Kate tocava chocalho), "Funplex" (que segundo Fred, é uma homenagem ao passeio dominical no shopping) e "Strobe Light", do álbum "Wild Planet".

Com a intenção de recuperar o fôlego da platéia, Fred anunciou: "Agora vou tocar uma música bem triste". Foi a deixa para "Quiche Lorraine". Depois veio "Juliet of the Spirits" (mais uma do disco "Funplex") e "Roam" (do álbum "Cosmic Thing"), que foi cantada em uníssono pelo público. Ambas as músicas foram executadas sem a presença de Fred, já que são Cindy e Kate as responsáveis pelo vocal.


B52´s no Rio de Janeiro
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A apresentação continuou dessa forma, com o B-52s tocando hits, como "Party out of Bounds" e uma do disco novo "Hot Corner". Antes de "Channel Z", Fred declarou sua fé no novo presidente dos EUA: "As coisas estão melhores desde que Obama assumiu". Depois de "Channel Z", apresentou a banda e emendou "Love Shack", mais uma que foi recebida euforicamente pelo público.

Ao final, o B-52s agradeceu e se despediu. Depois de três minutos, uma forte luz avermelhada invadiu o palco. Ao mesmo tempo iniciou os primeiros acordes de "Planet Claire", uma das canções mais representativas do estilo new wave da banda, que mescla os vocais harmônicos de Cindy e Kate com a palavra falada de Fred. Para completar o bis, "Keep This Party Going", do álbum "Funplex" e o antigo sucesso "Rock Lobster", do primeiro disco da banda, lançado em 1979.

A turnê continua no Teatro do Porto Alegre Country Club, na capital gaúcha, dia 20 de abril.

Setlist:
Pump
Mesopotamia
Ultraviolet
Private Idaho
Give Me Back My Man
Funplex
Strobe Light
Quiche Lorraine
Juliet of the Spirits
Roam
Party out of Bounds
Love in the Year 3000
Hot Corner
Channel Z
Love Shack

Bis:
Planet Claire
Keep This Party Going
Rock Lobster

 

Lost in Love - Air Supply

“Air Supply: Via Funchal - São Paulo/SP”

Quando o Air Supply tocou no Brasil em janeiro do ano passado, após 14 anos de ausência no país, os shows foram lotados e o público, emocionado, cantou todas as músicas. O sucesso das apresentações fez com a dupla voltasse para mais uma turnê, pouco mais de um ano depois.

Graham Russell e Russell Hitchcock conseguiram agora encher o Via Funchal (mesmo que o esquema de mesas estivesse ocupando boa parte da pista) e se mostraram novamente verdadeiros ‘gentlemans’, chegando até mesmo a se desculparem por terem de se comunicar em inglês com a platéia.


Air Supply
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Assim que as luzes se apagaram, um filme mostrando o backstage do Air Supply começou a passar no telão, enquanto duas faixas do novo álbum tocavam mecanicamente. Roadies montando palco, músicos se aprontando e até Graham Russell fazendo uma vitamina naquele famoso processador que é vendido na TV foram mostrados.

Infelizmente, quando a banda entrou em cena, a sensação de ‘deja-vu’ se fez presente. Claro que todos esperavam os mesmos velhos e inesquecíveis ‘hits’, mas a abertura foi exatamente a mesma de 2008, com “Sweet Dreams” emendada com “Young Love”, “Even The Nights Are Better” e “Just As I Am”. Até mesmo o passeio por entre as mesas em “The One That You Love”, o arranjo estendido de “Making Love (Out of Nothing at All)” e o desfecho com “All Out of Love” se repetiram.

Claro que os fãs estavam ali para isso mesmo e um show do Air Supply é um festival de sucessos. Apresentar praticamente o mesmo show, no entanto, deu uma esfriada em parte da platéia. Mesmo assim, deu para passar bons momentos com “Lost In Love”, “Goodbye” e a interpretação de Russell Hitchcock para “Without You”. Se a dupla tomar gosto e começar a bater cartão por aqui todo ano, porém, é bom dar uma mexida pelo menos na ordem do ‘set list’.

 

Going to Brasil - Motörhead

Motörhead é destaque da primeira noite de festival

O Recife viu ontem no Chevrolet Hall o que pode ser a última unanimidade do rock mundial. O trio inglês Motörhead tocou numa casa cheia para um público que se espremeu para ficar mais perto do guitarrista Phil Campbell, do baterista Mikkey Dee e do "senhor rock and roll" Lemmy Kilmister, baixista e vocalista da banda. E o que essa turma viu foi um dos melhores shows já realizados no Abril Pro Rock, com direito até mesmo a efeitos especiais.


Chevrolet Hall lotou para receber o trio inglês
Foto: Guga Matos/JC Imagem

Por volta das 23h o grupo britânico subiu ao palco e já foi atacando de Iron fist e, logo em seguida, Stay clean, provocando não uma roda, mas uma maré de pogo e bate-cabeça. Daí foi um desfile de clássicos como Metropolis e Over the top, além de músicas do novo álbum Mötorizer.

Em Going to Brazil, já no fim do show, a homenagem de Lemmy e o retorno do público, que literalmente conversava com o vocalista. No bis, a surpresa: as cordas distorcidas deram lugar a violões acústicos, uma pandeirola e uma gaita. Era a hora do acústico Whorehouse blues, momento de descanso para as duas pedradas finais.

Um verdadeiro levante foi provocado pelos primeiros acordes de Ace of spades, a música que fez a fama do Motörhead. Quem assistia dos camarotes deve ter visto o público como água borbulhando numa panela, tantos eram os focos de pogo. A banda fechou com a apoteótica Overkill e sua sequência de três "finais" uma explosão de gelo seco no ar.

Duas coisas impressionam no Motörhead. A primeira é a universalidade de sua música. Assistindo ao show havia punks, skinheads, rockeiros moderninhos e fãs das várias subdivisões do heavy metal, da mais tradicional à mais extrema. Havia crianças, adolescentes, adultos e velhos. Uma verdadeira celebração.

A segunda coisa é sinergia que a banda tem com o público, mesmo tendo uma presença de palco notoriamente lacônica. Eles não correm, não saltam, nem fazem caras e bocas, mas se comunicam muito bem com a plateia.

Phil passeia com sua guitarra de forma quase casual e troca comentários com os garotos pendurados na grade em frente ao palco. Lemmy fuma seu charuto, toca numa velocidade incrível sem parecer se mexer, mas aponta seu dedo e sinaliza com a cabeça, respondendo a alguma pergunta que lhe foi dirigida.

A exceção é Mikkey Dee. O baterista dá show. Ele se levanta do instrumento, pede para que batam palmas, gritem, corram. Seu solo de bateria na metade do show durou vários minutos e culminou com Mikkey arremessando seu jogo de baquetas reservas para o alto.

O ponto fraco do show foi, mais uma vez, a acústica e o tratamento de som do Chevrolet Hall. Bem melhor que na edição do ano passado, o Abril Pro Rock 2009 ainda sofreu com um som por vezes abafado, outras vezes embrulhado. Pior, vez por outra público e bandas foram atacados pelo apito da microfonia. O defeito incomodou Lemmy, mas não foi suficiente para irritar o vocalista. Também não foi suficiente para diminuir o brilho deste show que vai entrar para história.

 

Fontes: PEDRO CARVALHO, Almanaque Virtual; Mario Abbade; Gabriela Magnani; Rafel Sartori



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