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Burt Bacharach cativa
público paulistano com composições atemporais.
Esbanjando elegância e carisma, o compositor,
pianista e bandleader norte-americano Burt Bacharach se apresentou
na noite da quarta-feira (15) para cerca de 2.000 pessoas
no HSBC Brasil, em São Paulo.

Burt Bacharach no primeiro dos dois shows que
fez em São Paulo
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Sentado
ao piano, Bacharach praticamente não cantou durante
o show de quase duas horas, deixando isso sob responsabilidade
do ótimo trio de vocalistas.
Em vez
disso, serviu principalmente como apresentador e maestro da
competente banda que, precisa como uma máquina tocou
nada menos do que 32 de suas composições, entre
clássicos, novidades e temas de filmes, todas do impressionante
catálogo de Bacharach, um dos maiores compositores
populares de todos os tempos.
A apresentação
começou às 21h45, quando os primeiros acordes
de "What the World Needs Now Is Love" foram recebidos
com entusiasmo pelo público. Bacharach então
veio à frente do palco se apresentar brevemente e anunciar
o que viria a seguir: um medley de hits dos anos 60 feitos
em parceria com o letrista Hal David.
Num dos
melhores momentos do show, o medley foi um apanhado de um
dos períodos mais ricos da carreira de Bacharach -
e da música popular de maneira geral - em que sua mistura
de pop tradicional e rhythm & blues competia nas paradas
de sucesso com compositores como Lennon & McCartney e
a equipe da gravadora Motown.

Burt Bacharach apresenta seus sucessos pop
dos anos 60 e 70 em SP
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Os destaques
foram "Walk On By" (sucesso nas vozes de Dionne
Warwick em 1964 e da banda punk The Stranglers em 1978), "Wishin'
and Hoping" (famosa pela versão de Dusty Springfield
em 1964) e "(There's) Always Something There to Remind
Me" (número um no Reino Unido com Sandie Shaw,
novamente em 1964).
Após
mais um medley cujo maior sucesso foi a balada "I'll
Never Fall in Love Again", Bacharach começou a
tocar músicas inteiras, chamando à frente a
excelente vocalista Josie James para interpretar a balada
"Anyone Who Had a Heart" com entonação
soul. A seguir, mostrou a primeira "novidade" da
noite, a bela "God, Give me Strength", feita em
parceria com Elvis Costello.
O ponto
alto foi "(They Long To Be) Close To You", conhecida
pelas versões da musa de Bacharach, Dionne Warwick,
e, principalmente, dos Carpenters. Pela primeira vez, o público,
formado principalmente por famílias e casais acima
dos 50 anos, se agitou e cantou junto do começo ao
fim.
Na parte
final do show, Bacharach se arriscou um pouco nos vocais.
Aos 80 anos, sua voz está ainda mais rouca do que no
passado, frequentemente soando como se estivesse prestes a
falhar.

Burt Bacharach ao piano durante apresentação
em São Paulo
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O que
poderia ser um defeito deu a canções sensíveis
como o tema do filme "Alfie" um tom sincero e vulnerável,
que serviu como saudável contraste ao profissionalismo
por vezes excessivo dos músicos de apoio. Mesmo com
momentos no limiar do brega à Las Vegas, por conta
não do discreto Bacharach, mas da banda, a força
das composições garantiu, com folga, a qualidade
da apresentação.
Após
tentar terminar o show dedicando a nova "That`s What
Friends Are For" a seus "novos amigos" Lula
e Barack Obama, Bacharach apresentou o bis perguntando "quantos
compositores podem se gabar de terem sido gravados pelos Beatles?"
e tocando "Baby, it`s You", sucesso das Shirelles
imortalizado pelos quatro rapazes de Liverpool em seu primeiro
álbum, "Please Please Me" de 1963.
Ao final
do bis com a reprise de "What the World Needs Now Is
Love" o público ainda não havia desistido
e não deixou Bacharach ir embora, sendo presenteado
com "Raindrops Keep Fallin' On My Head" sob a condição
de que cantassem junto. E foi o que aconteceu.
B-52s
Denominada a "banda mais animada do planeta",
o B-52s mostrou para as 2 mil pessoas que comparecem ao Citibank
Hall, no Rio de Janeiro, porque ostentam esse título.
Foram 1h30m de música dançante com um desempenho
entusiasmado dos membros do grupo que contagiaram o público
formado por trintões e quarentões.
O B-52s só tinha vindo ao Brasil uma
única vez, quando se apresentaram no primeiro Rock
in Rio, em 1985. De lá pra cá, a banda continua
com a mesma formação, com a exceção
do guitarrista Rick Wilson, que morreu de AIDS meses depois
dos shows no Rio de Janeiro. Esse retorno ao Brasil marca
a turnê mundial "Funplex", em que os norte-americanos
Kate Pierson, Fred Schneider, Keith Strickland e Cindy Wilson
(irmã do falecido Rick), divulgam o álbum homônimo
lançado ano passado. Vale ressaltar, que antes de "Funplex",
o último trabalho da banda foi "Good Stuff"
de 1992.

B52´s no Rio de Janeiro
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O show estava marcado para as 22h. Porém,
quem chegou antes pode acompanhar o trabalho de uma DJ, que
mixava antigos sucessos dos anos 80 e 90 com o objetivo de
esquentar o público. Com quarenta minutos de atraso,
o B-52s subiu ao palco e transformou o Citibank Hall em uma
grande danceteria. Eles abriram com "Pump", do álbum
"Funplex". Acompanhando a banda, mais 3 músicos:
um baterista, um baixista e um tecladista.
O palco tinha uma estrutura bem simples, em
que a única decoração era um pano preto
no fundo. O destaque ficou a cargo de quatro torres compostas
por 3 grupos de spots coloridos, posicionadas ao longo do
fundo do palco. Em cima de cada torre um potente estroboscópio.
Antes de começar a segunda música,
"Mesopotamia", Fred perguntou se estava tudo bem.
Durante a execução da canção,
Cindy, Fred e Kate ensaiaram típicas coreografias egípcias.
Em "Ultraviolet", a terceira música, Fred
explicou que a canção era sobre o ponto G.
Depois desse começo com músicas
pouco conhecidas por boa parte do público, o B-52s
disparou "Private Idaho", um dos maiores sucessos
radiofônicos da banda. Nesse momento, todos os presentes
começaram a sacolejar os ossos. O ritmo dançante
continuou com "Give Me Back My Man" (cantada por
Cindy enquanto Kate tocava chocalho), "Funplex"
(que segundo Fred, é uma homenagem ao passeio dominical
no shopping) e "Strobe Light", do álbum "Wild
Planet".
Com a intenção de recuperar
o fôlego da platéia, Fred anunciou: "Agora
vou tocar uma música bem triste". Foi a deixa
para "Quiche Lorraine". Depois veio "Juliet
of the Spirits" (mais uma do disco "Funplex")
e "Roam" (do álbum "Cosmic Thing"),
que foi cantada em uníssono pelo público. Ambas
as músicas foram executadas sem a presença de
Fred, já que são Cindy e Kate as responsáveis
pelo vocal.

B52´s no Rio de Janeiro
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A apresentação continuou dessa
forma, com o B-52s tocando hits, como "Party out of Bounds"
e uma do disco novo "Hot Corner". Antes de "Channel
Z", Fred declarou sua fé no novo presidente dos
EUA: "As coisas estão melhores desde que Obama
assumiu". Depois de "Channel Z", apresentou
a banda e emendou "Love Shack", mais uma que foi
recebida euforicamente pelo público.
Ao final, o B-52s agradeceu e se despediu.
Depois de três minutos, uma forte luz avermelhada invadiu
o palco. Ao mesmo tempo iniciou os primeiros acordes de "Planet
Claire", uma das canções mais representativas
do estilo new wave da banda, que mescla os vocais harmônicos
de Cindy e Kate com a palavra falada de Fred. Para completar
o bis, "Keep This Party Going", do álbum
"Funplex" e o antigo sucesso "Rock Lobster",
do primeiro disco da banda, lançado em 1979.
A turnê continua no Teatro do Porto
Alegre Country Club, na capital gaúcha, dia 20 de abril.
Setlist:
Pump
Mesopotamia
Ultraviolet
Private Idaho
Give Me Back My Man
Funplex
Strobe Light
Quiche Lorraine
Juliet of the Spirits
Roam
Party out of Bounds
Love in the Year 3000
Hot Corner
Channel Z
Love Shack
Bis:
Planet Claire
Keep This Party Going
Rock Lobster |
“Air
Supply: Via Funchal - São Paulo/SP”
Quando
o Air Supply tocou no Brasil em janeiro do ano passado, após
14 anos de ausência no país, os shows foram lotados
e o público, emocionado, cantou todas as músicas.
O sucesso das apresentações fez com a dupla
voltasse para mais uma turnê, pouco mais de um ano depois.
Graham
Russell e Russell Hitchcock conseguiram agora encher o Via
Funchal (mesmo que o esquema de mesas estivesse ocupando boa
parte da pista) e se mostraram novamente verdadeiros ‘gentlemans’,
chegando até mesmo a se desculparem por terem de se
comunicar em inglês com a platéia.

Air Supply
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Assim
que as luzes se apagaram, um filme mostrando o backstage do
Air Supply começou a passar no telão, enquanto
duas faixas do novo álbum tocavam mecanicamente. Roadies
montando palco, músicos se aprontando e até
Graham Russell fazendo uma vitamina naquele famoso processador
que é vendido na TV foram mostrados.
Infelizmente,
quando a banda entrou em cena, a sensação de
‘deja-vu’ se fez presente. Claro que todos esperavam
os mesmos velhos e inesquecíveis ‘hits’,
mas a abertura foi exatamente a mesma de 2008, com “Sweet
Dreams” emendada com “Young Love”, “Even
The Nights Are Better” e “Just As I Am”.
Até mesmo o passeio por entre as mesas em “The
One That You Love”, o arranjo estendido de “Making
Love (Out of Nothing at All)” e o desfecho com “All
Out of Love” se repetiram.
Claro
que os fãs estavam ali para isso mesmo e um show do
Air Supply é um festival de sucessos. Apresentar praticamente
o mesmo show, no entanto, deu uma esfriada em parte da platéia.
Mesmo assim, deu para passar bons momentos com “Lost
In Love”, “Goodbye” e a interpretação
de Russell Hitchcock para “Without You”. Se a
dupla tomar gosto e começar a bater cartão por
aqui todo ano, porém, é bom dar uma mexida pelo
menos na ordem do ‘set list’.
Motörhead
é destaque da primeira noite de festival
O Recife viu ontem no Chevrolet Hall o que pode ser a última
unanimidade do rock mundial. O trio inglês Motörhead
tocou numa casa cheia para um público que se espremeu
para ficar mais perto do guitarrista Phil Campbell, do baterista
Mikkey Dee e do "senhor rock and roll" Lemmy Kilmister,
baixista e vocalista da banda. E o que essa turma viu foi
um dos melhores shows já realizados no Abril Pro Rock,
com direito até mesmo a efeitos especiais.

Chevrolet Hall lotou para receber o trio inglês
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Por volta
das 23h o grupo britânico subiu ao palco e já
foi atacando de Iron fist e, logo em seguida, Stay clean,
provocando não uma roda, mas uma maré de pogo
e bate-cabeça. Daí foi um desfile de clássicos
como Metropolis e Over the top, além de músicas
do novo álbum Mötorizer.
Em Going
to Brazil, já no fim do show, a homenagem de Lemmy
e o retorno do público, que literalmente conversava
com o vocalista. No bis, a surpresa: as cordas distorcidas
deram lugar a violões acústicos, uma pandeirola
e uma gaita. Era a hora do acústico Whorehouse blues,
momento de descanso para as duas pedradas finais.
Um verdadeiro
levante foi provocado pelos primeiros acordes de Ace of spades,
a música que fez a fama do Motörhead. Quem assistia
dos camarotes deve ter visto o público como água
borbulhando numa panela, tantos eram os focos de pogo. A banda
fechou com a apoteótica Overkill e sua sequência
de três "finais" uma explosão de gelo
seco no ar.
Duas coisas
impressionam no Motörhead. A primeira é a universalidade
de sua música. Assistindo ao show havia punks, skinheads,
rockeiros moderninhos e fãs das várias subdivisões
do heavy metal, da mais tradicional à mais extrema.
Havia crianças, adolescentes, adultos e velhos. Uma
verdadeira celebração.
A segunda
coisa é sinergia que a banda tem com o público,
mesmo tendo uma presença de palco notoriamente lacônica.
Eles não correm, não saltam, nem fazem caras
e bocas, mas se comunicam muito bem com a plateia.
Phil passeia
com sua guitarra de forma quase casual e troca comentários
com os garotos pendurados na grade em frente ao palco. Lemmy
fuma seu charuto, toca numa velocidade incrível sem
parecer se mexer, mas aponta seu dedo e sinaliza com a cabeça,
respondendo a alguma pergunta que lhe foi dirigida.
A exceção
é Mikkey Dee. O baterista dá show. Ele se levanta
do instrumento, pede para que batam palmas, gritem, corram.
Seu solo de bateria na metade do show durou vários
minutos e culminou com Mikkey arremessando seu jogo de baquetas
reservas para o alto.
O ponto
fraco do show foi, mais uma vez, a acústica e o tratamento
de som do Chevrolet Hall. Bem melhor que na edição
do ano passado, o Abril Pro Rock 2009 ainda sofreu com um
som por vezes abafado, outras vezes embrulhado. Pior, vez
por outra público e bandas foram atacados pelo apito
da microfonia. O defeito incomodou Lemmy, mas não foi
suficiente para irritar o vocalista. Também não
foi suficiente para diminuir o brilho deste show que vai entrar
para história.
Fontes: PEDRO CARVALHO, Almanaque Virtual;
Mario Abbade; Gabriela Magnani; Rafel Sartori
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