Rock Progressivo Brasileiro - Anos 70

No mês do rock destacaremos inicialmente o rock brasileiro, mais precisamente o rock dos anos 70.

Seria impossível fazer qualquer referência ao rock progressivo sem apresentar as raízes a qual deu continuidade. A década de 60 para a cena do rock no mundo todo foi caracterizada pela revolução cultural dos jovens que reavaliaram todos valores padrões da sociedade de sua época protestando severamente contra o conservadorismo, discutindo temas como política, sexualidade, filosofia e religião. As drogas "expandiram" as mentes, nascia a viagem "Paz e Amor"! E, nesse contexto o rock aparecia como um meio de comunicação, e uma arte musical inovadora em diversos aspectos.


Festival Águas Claras que contou com a participação de Raul Seixas,
Hermeto Paschoal, João Gilberto, Egberto Gismonti, Gilberto Gil
Alceu Valença e mais de 15 nomes do primeiro time da música brasileira

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Musicalmente o período até 1965 foi caracterizado pela invasão britânica (Beatles, Rolling Stones, The Kinks, Pink Floyd, Cream) que se estendeu para a segunda metade da década juntando-se ao verão do amor americano (The Doors, Janis Joplin, Jefferson Airplane, Jimi Hendrix) e trazendo a tendência psicodélica a tona para o mundo. Essa união chegou ao seu auge com os consagrados festivais Woodstock e Monterey, baseados na agressão ao stablishment e na liberdade.

Após esse período apoteótico, o rock cru e psicodélico, deram lugar a uma nova onda de bandas se aprofundou na psicodelia e adicionou influências da música clássica, jazz fusion, R &B e experimentalismo. Utilizando novas tecnologias como o uso de sintetizadores, de tal coquetel nasceu o rock progressivo. O Brasil também revelou grandes bandas do gênero das quais destacamos:

O Terço

O Terço é uma banda formada no Rio de Janeiro. Era tradicionalmente uma banda de rock progressivo que mesclava também a influência rural e a MPB, trazendo um som de intensa diversidade. Lançaram grandes albuns como “Vento Sul”com Marcos Valle e “Nunca”com a dupla Sá e Guarabyra. Seu auge aconteceu em 1975 com o disco “Criaturas da Noite”com os musicos Sérgio Hinds (guitarra), Sérgio Magrão (baixo), Luiz Moreno (bateria) e Flávio Venturini (teclado e viola).


Criaturas da Noite - Clique na imagem para amplia-la

A capa do disco foi elaborada por Antônio e André Peticov. O disco começa com o pulsante baixo de Magrão, introdução do simples rock "Hey Amigo", composição que se tornou um dos maiores clássicos da banda. A influência rural é bastante presente nas faixas "Queimada" e "Jogo das Pedras". A belissíma faixa-título "Criaturas da Noite", conta com os arranjos de orquestra de Rogério Duprat. O disco tambem traz as instrumentais "Ponto Final" e a suíte instrumental "1974", composta por Flávio Venturini e que fecha com chave de ouro como o maior destaque do disco.

1974 - O Terço

Som Nosso De Cada Dia

Formado nos anos 70 em São Paulo, o grupo adotou o estilo rock progressivo, com elementos de psicodelismo. Com integrantes diversos (Manito, Pedrinho, Marcinha, Egídio, Dino Vicente, Rangel), atuou como trio na maior parte do tempo. Um deles, o saxofonista Manito, fazia parte, nos anos 60, da banda Os Incríveis, uma das mais populares da Jovem Guarda. Bastante influenciados pelo grupo inglês Pink Floyd, o conjunto atravessou a década com várias formações, tendo na primeira a participação de Liminha (ex-Mutantes).


Som Nosso de Cada Dia - Clique na imagem para amplia-la

No ano de 1974, pela gravadora Polydor, o grupo lançou o primeiro dos dois discos lançados pela banda, sendo o mais famoso "Snegs", de 1975 quando chegou a abrir um show de Alice Cooper no Maracanãzinho. É considerado um dos clássicos do rock brasileiro dos anos 70. No ano de 1976, pela mesma gravadora, lançou o LP "Som nosso de cada dia" e logo depois, encerrou suas ativades.

Massavilha - Som Nosso de Cada dia

Casa das Máquinas

Apesar de ter sido popular entre roqueiros nos anos 70, o Casa das Máquinas não chegou a ser um grande sucesso. Seus hits foram a balada progressiva "Vou morar no ar" (1975) e o rock'n'roll "Casa do Rock "(1976). A discografia do Casa das Máquinas - que já foi toda reeditada em CD - tem como grande característica o fato de cada álbum seguir um estilo diferente. Casa das máquinas (1974) é mais pop; Lar de maravilhas (1975) é um disco de rock progressivo; já Casa de Rock (1976) é hard rock. Mesmo com as dificuldades enfrentadas por quem abraçava o rock nos anos 70, a banda fazia extensas turnês.


Casa das Máquinas - Clique na imagem para amplia-la

" Não havia empresários de rock na época, e eu sentia uma grande dificuldade de vender a banda. Mas a gente trabalhava de quinta a domingo. Nas turnês, alugávamos ginásios, íamos em madeireiras para comprar material para os cenários e depois caíamos na estrada de novo. " - conta Netinho, garantindo que o grupo passou a gerar lucro, apesar dos problemas e da estrutura que a banda queria montar. O Casa das Máquinas terminou em 1978 após um incidente até hoje não explicado. A banda teria se envolvido numa briga, durante a qual morreu um cinegrafista da TV Record.

Certo sim Seu Errado - Casa das Máquinas

Essa é a Vida - Casa das Máquinas

Patrulha do Espaço

Durante os turbulentos anos 70, surgia precisamente em São Paulo, uma banda que viria a se tornar um marco e uma referência dentro da história do Rock Brasileiro. No ano de 1977, pela criativa mente de Arnaldo Baptista ( Mutantes) cercado de outros talentosos músicos, como o baterista Rolando Castello Júnior, o baixista Oswaldo "Cokinho" Gennari e o irlandês John Flavin na guitarra, a Patrulha do Espaço foi criada com objetivos muito claros de "Misturar Punk, Beatles, Elton John e Ficção Científica". O primeiro disco foi então gravado, "Elo Perdido" e logo aconteceria a primeira apresentação ao vivo, já com novo guitarrista, Eduardo "Dudu" Chermont, em um festival no Ginásio do Ibirapuera chamado "1º. Festival Latino Americano de Rock", com outras duas bandas brasileiras e três bandas argentinas. 8.000 pessoas presenciaram este concerto e viram nascer ali, oficialmente, a banda. Poucos meses depois, em 1978, logo após a gravação do segundo disco da banda, "Faremos Uma Noitada Excelente", problemas pessoais causam a saída de Arnaldo da banda, que prossegue como um trio com Júnior, Cokinho e Dudu e realiza naquele ano cerca de 40 shows, na capital e interior dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, e na cidade do Rio de Janeiro. Foram inúmeras temporadas em teatros, com audiências de milhares de pessoas.

Vamos curtir uma juntos - Patrulha do Espaço

Secos & Molhados

Considerada uma das maiores bandas de rock brasileiro de todos os tempos foi formada em 1971 por Ney Matogrosso, cantor; Gerson Conrad (São Paulo SP 1952), cantor e compositor; João Ricardo, cantor e compositor. Ney já havia se apresentado como amador em Brasília DF, onde morava, e tentara o rádio e a televisão, alem de cantar em boates, até ser apresentado pela compositora e cantora Luli a João Ricardo. O grupo surgiu no inicio de 1973 em São Paulo, com canções do folclore português misturadas com a poesia de Cassiano Ricardo, João Apolinário, Vinícius de Moraes e Fernando Pessoa, entre outros, fizeram do grupo um dos maiores fenômenos musicais do Brasil, sucesso de crítica e público.


Secos e Molhados (1973) seu primeiro disco vendeu mais de 300 mil cópias
em apenas dois meses, atingindo um milhão de cópias em pouco tempo

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Em agosto do mesmo ano gravou o LP Secos e Molhados II , pela Continental, com os megahits “Sangue Latino”, “O Vira”e “Rosa de Hiroshima”. O disco foi sucesso nacional, possibilitando ao conjunto apresentar-se numa série de espetáculos, entre os quais se destacam os shows no Maracanãzinho e no Ginásio Presidente Médici, em Brasília.


Seco e Molhados II (1974)
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No ano seguinte, o grupo exibiu-se na televisão mexicana, gravou seu segundo LP,"Secos e Molhados", com “Flores astrais”e “Tercer Mundo”. Ainda em 1974 o conjunto se desfez, passando seus integrantes a atuar individualmente.

Tercer Mundo - Secos e Molhados

Flores Astrais - Secos e Molhados

Terreno Baldio

Considerado por muitos como o Gentle Giant brasileiro, o Terreno Baldio é um dos mais importantes grupos nacionais no estilo. Formado no início dos anos 70, o grupo estréia em 1975 com "Terreno Baldio", que sai pela gravadora Pirata em tiragem de 3000 cópias. As fitas-master do álbum desapareceriam nesta mesma época impedindo novas prensagens. O grupo lançaria ainda mais um álbum, "Além das lendas...", antes de debandar, em 1978. Interessante o fato do tema do LP ter sido uma imposição da gravadora para fechar o contrato. A formação era ligeiramente diferente, com Ayres Braga (ex-Joelho de Porco) no lugar de Ascenção. O Terreno voltaria a se reunir em 1993 para regravar o primeiro LP, dessa vez em inglês, para um (re)lançamento pela Progressive Rock Worldwide (com direito a faixas-extras). Ou seja, trata-se, na verdade, de um terceiro disco do grupo. A formação do Terreno "versão 93" é Kurk, Mello e Lazzarini.

Loucuras de Amor - Terreno Baldio

Som Imaginário

O Som Imaginário lançou seu 1º disco em 1970. Considerada uma das melhores bandas de rock progressivo com influências de jazz no Brasil abrigou nomes de peso como Wagner Tiso, Zé Rodrix, Tavito, Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Danilo Caymmi, entre outros. Lançaram quatro LPs. Liderado por Wagner Tizo, exímio tecladista e arranjador, o grupo sai com o primeiro LP Som Imaginário em 1970, seguido pelo segundo, Nova Estrela de 1971. Em seu terceiro álbum, A Matança do Porco, a banda chega no apogeu final da criatividade - com Milton Nascimento como convidado nos vocais, Luis Carlos no baixo, Robertinho na bateria e o excelente guitarrista Tavinho. A formação jazzística e erudita aliada a bossa e ao rock são os ingredientes exatos no mais conceituado disco da banda.

Cenoura - Som Imaginário

 

Por Mathias Reis.

Fontes:
http://rememberhitsmp3.musicblog.com.br
http://cogumelomoon6070brasil.blogspot.com
http://www.mpbnet.com.br/
http://rockprogressivo.com.br
http://progbrasil.com.br/
http://whiplash.net
http://wikipedia.org.br

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