Tom na visão de Nelson

A Luz do Tom

"A Luz do Tom", novo filme do diretor Nelson Pereira dos Santos, foi filmado em três ambientes relacionados às paixões do autor de Águas de Março pela natureza: o mar, a serra e o Jardim Botânico do Rio, que ele chamava de extensão de seu quintal. Para contar histórias sobre ele, o diretor entrevistou as três mulheres mais importantes da vida de Tom: a irmã Helena e as duas com quem ele foi casado, Tereza e Ana. "Filmei à moda antiga em película de 35 mm, porque as paisagens são tão bonitas que mereciam a melhor qualidade de imagem", diz o diretor. "Só que em vez do Rio, filmei uma parte em Florianópolis, porque as praias cariocas hoje têm mais prédios do que mar."


Joao Gilberto and Tom Jobim on beach
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Admirador da obra e do homem retratado, Nelson Pereira dos Santos divide a direção de A Música Segundo Tom Jobim com Dora Jobim, filha do compositor, que já dirigiu outro filme sobre ele, Vou Te Contar. Em sua outra produção, A Luz do Tom, o cineasta manteve-se no ambiente familiar, para contar a história do amigo, por meio da visão das três mulheres mais importantes de sua vida. Nelson deu esse título inspirado no livro de memórias Antonio Carlos Jobim - Um Homem Iluminado, de sua irmã Helena.

"Filmei Helena na beira do mar em Florianópolis para contar as histórias da infância do irmão", conta o diretor. "Tereza, a primeira mulher de Tom, está num segundo momento. Escolhi um jardim lindo, maior do que um campo de golfe, numa fazenda na serra carioca, para essa parte. É um jardim integrado com a natureza e nesse espaço Tereza lembra os momentos mais importantes da vida profissional de Tom. Quando eles começaram a namorar, ele era um garoto da praia que ia estudar arquitetura. Então frequentava os inferninhos na noite carioca, até que começa a aparecer o Tom Jobim criador, compositor. Ela lembra mais os momentos de criação dele", prossegue o diretor.


O jovem Tom na década de 40

Os depoimentos de Ana foram filmados no Jardim Botânico e tratam da vida mais recente de Tom . "Elas tiveram liberdade total para contarem o que quisessem", diz Nelson. "Tom era uma figura muito amada, muito admirada. E ele tinha os pontos onde era possível conviver com ele abertamente. Tive o privilégio de conhecê-lo por intermédio de Cacá Diegues. Tom continuava envolvido com cinema, já tinha feito trilha sonora para Paulo César Saraceni e outros."

Luiza - Tom Jobim


Tom Jobim compondo

Certa vez Nelson dirigiu um programa na TVE, em que usou Saudade do Brasil, de Tom. Acabou de editar o programa e foi procurá-lo pelos bares da zona sul para pedir autorização pela música. "Perguntei quanto ele cobrava, disse que era para a TVE e aí ele me falou: Não precisa pagar nada, não, porque a "tevê é" não é, ninguém vai ver, ninguém vai ouvir".

A Música Segundo Tom Jobim

A Música Segundo Tom Jobim é uma montagem de gravações históricas dos maiores intérpretes mundiais tocando e cantando clássicos do compositor, em ordem cronológica, desde os temas em parceria com Vinicius de Moraes (1913-1980) da peça Orfeu da Conceição, os grandes sucessos da bossa nova e outros êxitos do vasto cancioneiro jobiniano que conquistaram o planeta.


Tom Jobim

Em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, o diretor contou que o filme traz “todos os grandes intérpretes brasileiros e internacionais” (a exceção é João Gilberto, que não pode participar das filmagens em razão de um contrato de exclusividade com a produtora de um documentário sobre o próprio). Cada canção destacada no filme é “mostrada” em imagens de arquivo. Há inclusive uma preciosa interpretação de Judy Garland (estrela de “O Mágico de Oz”) para o clássico “Insensatez”.


Na gravação de "Stone Flower"

A Música Segundo Tom Jobim também foi o nome de uma série que Nelson dirigiu nos anos 80. Neles, ele filmou Tom recebendo convidados como Dorival Caymmi, Chico Buarque e Gal Costa em sua casa. "Foi um especial de quatro programas de uma hora cada que fiz para a TV Manchete em 1984", explica o cineasta. Ele pretendia usar parte desse material no documentário do mesmo nome, mas houve um problema: as imagens desapareceram. "O material estava no acervo da emissora e simplesmente sumiu", diz. "Só consegui encontrar algumas gravações caseiras, de péssima qualidade".


Tom Jobim compondo

De acordo com o cineasta, o contato diário com essas imagens foi uma forma de reencontrar o amigo Tom. "Era um prazer enorme estar com ele. Onde o Tom ia, uma turma enorme ia junto", lembra.

 

Nelson Pereira consagrado em Paris

O cineasta, um dos fundadores do "Cinema Novo" brasileiro, declarou em Paris que "o espírito desse movimento está ainda muito presente entre os cineastas brasileiros contemporâneos".


Nelson Pereira dos Santos Foto: Tiago Queiroz/AE

A declaração foi feita durante a cerimônia de abertura do 13º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, onde Santos foi homenageado. A programção do evento se estenderá até 17 de maio.

"O cinema brasileiro atual é de uma riqueza enorme. De todas as regiões do país surgem filmes extraordinários. Tem todo tipo de roteiro, de maneiras de filmar", disse o diretor de "Rio 40 graus" e "Vidas Secas".

"Continuo trabalhando. Acabo de terminar um filme sobre Tom Jobim, que é pura música. Há informações visuais que dão idéia da cronologia, mas é música pura", disse. "Exploramos tudo o que é relativo a suas composições feitas para Orfeu Negro", completou o diretor de 83 anos.

Nelson Pereira dos Santos chegou pela primeira vez a Paris aos 21 anos, em 1949, para estudar cinema, mas o atraso do navio em que viajava o impediu de matricular-se no famoso Instituto de Altos Estudos Cinematográficos de Paris (IDHEC, na sigla em francês). "Fiquei três meses em Paris. Aprendi francês e vi muito cinema na cinemateca", disse.

O festival de cinema brasileiro de Paris, organizado pela Associação Jangada, renderá homenagem a ele, exibindo sete de seus clássicos: "Rio Zona Norte" (1957), "Azyllo Muito Louco" (1969), "Boca de Ouro" (1962), "Jubiabá" (1985), "Memórias do Cárcere" (1983) e "Como Era Gostoso o Meu Francês" (1971).

 

Discografia Tom Jobim (clique aqui)

 

Fontes: http://acritica.uol.com.br/vida/Nelson-Pereira-Santos-Cinema-Brasil_0_474552897.html; http://www.vistolivre.xpg.com.br/
pereira-dos-santos-retrata-o-maestro-em-a-musica-segundo-tom-jobim; http://ultimosegundo.ig.com.br
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/

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