Música Sacra

http://www.sacredmusicradio.org/

Além dos "alquimistas" relacionados abaixo, não se pode esquecer o brilho de Jacques Arcadelt, Dés Pres na Renacença; atravessando o Barroco com Bach e Haendel; seguindo pelo Classicismo, nas obras de Haydn, Mozart, Nunes Garcia; caminhando para o Romantismo através de Bruckner, Gounod, César Franck e Saint-Saëns; até atingir o Modernismo, por meio de Penderecki e Amaral Vieira.

Adam holding a spade in a 13th-century rose window from the north transept of Lincoln Cathedral. Copyright Gordon Plumb

Os pesquisadores divergem a respeito do que seja realmente a música sacra. Geralmente ela é conceituada como musicalidade não profana, criada para animar os sentimentos humanos da natureza do sagrado e da espiritualidade. Vale lembrar que uma canção ser composta por um autor religioso não a transforma necessariamente em uma música sacra. Assim sendo, embora toda musicalidade sacra seja de teor espiritual, nem toda composição religiosa é uma canção sacra. Ela deve ter uma aura de santidade.

Alquimistas da Música

A Abadia de São Galo – em Passos dos Alpes – era um dos centros culturais mais importantes da Idade Média. Sua história remonta até o ano de 720. Dentro de seus muros encontramos os monges mais eruditos desse período.

Balbulus, Notker (c.840 – 06/04/912)
Suíça, Saint Gall

Monge em Saint Gallen. Adorna melismas aleluiáticos gregorianos com textos próprios (tropos), escreve letras e compõe “Seqüências” como corais independentes.

A Balbulus, atribui-se conhecimentos de teoria musical e também uma melodia que, ainda hoje é cantada, geralmente na adaptação de Martinho Lutero, e que se denomina “Media vita”. Ela exprime exatamente a essência da vida monacal, isto é, estar a morte sempre a espreita da vida; era a substância do pensamento da Idade Média cujo único esforço parecia voltar-se para o além. Naturalmente, o Canto Gregoriano não podia exprimir outra coisa.

Balbulus, desanimado ante a dificuldade de aprender os longos melismas de cânticos, como os aleluiáticos, fez corresponder as melodias a textos, de forma a tornar mais fácil a sua memorização.

Labeo, Notker (c.950-28/06/1022)
Suíça, Thurgau

Monge beneditino, também conhecido por Notker Teutonicus- o Alemão - compôs o primeiro tratado sobre música, em língua alemã, bem como um guia para a construção de tubos de órgãos.

Possuia cultura universal. Traduziu autores latinos e gregos, como por exemplo Aristóteles, para o alemão.



Arezzo, Guido von (992 – 1050)
Itália

Monge italiano, professor e teórico da música, regente do coro da Catedral de Arezzo, Toscana. Pioneiro da notação musical em intervalos. Fundamenta a ordenação das linhas da pauta em terças e a “Solmização” (mão guidoniana).

Batizou as notas musicais com os nomes que conhecemos hoje, baseando-se em um texto sagrado em latim do hino a São João Batista:

Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Ioannes

Que significa:

Para que teus servos
possam ressoar claramente
a maravilha dos teus feitos
limpe nossos lábios impuros, ó São João.

A Guido d´Arezzo é também atribuída a invenção da Mão Guidoniana, um sistema mneumônico usado para o ensino da leitura musical em que os nomes das notas correspondiam a partes da mão humana.

O sistema de Guido d´Arezzo sofreu algumas transformações no decorrer do tempo: a nota Ut passou a ser chamada de dó para facilitar o canto com a terminação da sílaba em vogal, derivando-se provavelmente da proposta lançada por Giuseppe Doni, músico italiano que escolheu a primeira sílaba do seu sobrenome para essa nova denominação e a nota si – por serem as iniciais de São João – novamente facilitando o canto com a terminação de uma vogal.

Bingen, Hildegard von (1098 – 1179)
Alemanha

Escritora, poetisa, líder religiosa, diplomata e compositora, as realizações de Hildegarda são notáveis e únicas para uma mulher de sua época. Destinada à igreja por sua nobre família, viveu anos na contemplação religiosa. Sua correspondência com papas e imperadores mostra sua importância política e diplomática, tendo escrito extensamente sobre medicina, ciência e teologia.

Sua música contemplativa e extática é composta de linhas homofônicas de textos religiosos – não se trata de Cantochão, mas de uma forma específica que explorava padrões curtos variados e repetidos.

Sete hinos, 35 antífonas, a peça teatral sacra “Ordo Virtutum” são atrubuídos a ela.

Leoninus (ou Léonin) (c.1150 – c.1201)
França

A única referência escrita a um músico chamado Léonin foi registrada mais de um século após sua morte por um monge inglês anônimo, que o descreveu como “o maior compositor de organum para amplificação do serviço divino”. Professor, administrador e poeta, Léonin tornou-se cônego na nova catedral de Notre-Dame de Paris. Nenhuma música sua se conservou, mas atribui-se a ele a criação do Magnus líber, o “Grande Livro” de cânticos usado em Notre-Dame no final dos anos 1100. O livro, mais tarde editado por Pérotin, assentou as fundações da ideia de harmonia e escrita composicional.

Vogelweide, Walther von der (1170 – 1228)
Baixa Áustria (?)

O mais importante dos trovadores (alemães), participante do “Sãngerkrieg auf der Wartburg” (Concurso de canto de Wartburg). Defende a canção trovadoresca “alta” e “baixa”. Canção da Palestina para as cruzadas. Foi também, um grande poeta.

Magnus, Perotinus (Pérotin) (fl. c.1200)
França (?)

Sucessor de Leoninus em Notre-Dame. “Optimus Discantor” (o melhor compositor de discantos). Enriquece o “Magnus Líber” de Leoninus com novas cláusulas em estilo de “discanto”. O ritmo se torna independente da palavra (notação modal).

Foi o primeiro compositor conhecido de música com mais de duas partes independentes. Foi uma figura frustrantemente sombria. É mencionado em documentos do final do século XIII como quem editou e aprimorou o Magnus líber de Léonin, o livro de música de Notre-Dame. Provavelmente trabalhou com Philippe, o Chanceler, cujos textos musicou – em obras como Beata víscera – e pode ter composto no gênero emergente do moteto. Mas foi certamente um pioneiro com suas partituras em quatro partes de textos latinos mostrando alguns toques de modernidade.

Halle, Adam de la (também Adam le Bossu, Adam the Hunchback)(1237 – 1287)
França

Trovador, poeta e musicista da corte de Roberto II de Arras. Conservaram-se, entre outros, 16 rondeaux a 3 vozes e 18 partes de jeux (teatro). É considerado um dos principais precursores da comédia francesa.

Machaut, Guillaume de (1300 c. – 1377)
França

Clérigo na Catedral de Reims. Representante principal da Ars Nova. Implantação do sistema mensural em duas e três partes. “Messe” de Notre-Dame, Motetos, Isoritmia.

Talvez por se tratar de um padre, é surpreendente que Machaut seja autor de tantas canções sobre amor não correspondido. Seu desditoso amor por uma adolescente – a nobre Péronne – inspirou sua música secular e sua poesia – como por exemplo Le voir dit – e seu característico estilo musical inclui melodias intrincadas e dissonância sombria. Contudo, foi sua missa em quatro partes que determinou sua reputação como compositor importante.

Ciconia, Johannes (c.1370 – 1411)
Bélgica, Liege

Compositor e teórico musical. O primeiro dos flamengos famoso. Muda para a Itália (Canto em Pádua). Escreve motetos em modo imitativo sem a base do cantus firmus (esquema harmônico livre). Trabalhou a serviço das capelas papais e na Catedral de Pádua.

Landini, Francesco (1335 – 02/09/1397)
Itália, Tirol do Sul

Luthier, compositor e organista na catedral de Florença, compôs baladas a duas e três vozes (canções de dança) para combinação mista de vozes e instrumentos. O mais importante compositor do Trecento ou Ars Nova italiana.

Wolkenstein, Oswald von (1377 – 02/08/1445)
Itália, Tirol do Sul

Compositor, poeta e diplomata. “Último dos Minnesãnger”. Escreve canções a 2 e 3 vozes. Linha vocal no tenor, voz superior instrumental , textos próprios.

Minnesang é um gênero literário cujas obras que nos foram transmitidas através de códices datam da metade do século XII até meados do século XIV e têm origem em grande parte da região onde a língua alemã se desenvolveu. Seus autores (e possivelmente também intérpretes) eram chamados de Minnesänger e sua arte era voltada para a classe nobre medieval, à qual a maior parte deles pertencia.

Dunstable, John (também Danstaple) (1390-1453)
Inglaterra, Dunstable

Compositor sacro inglês de música polifônica. Junta partes litúrgicas do Ordinário da Missa com um tenor constante, formando assim um ciclo. Missa L´Homme Armé, Missa Rosa Bella.

Tão grande era a fama internacional de Dunstable, tanto em vida como em sua longa posteridade, que a ele foram atribuídas diversas inovações de outros compositores ingleses.

Um século após a sua morte, alguns escritores o rotulavam por engano como “inventor do contraponto”. Dunstable foi um grande expoente do novo estilo inglês, explorando intervalos de terça e de sexta, e sua influência sobre músicos do continente foi enorme. Muitas obras vocais possivelmente escritas por ele – movimentos de missas para textos sagrados latinos, motetos fascinantes e canções natalinas inglesas – se conservaram, mas sua atribuição e datação são difíceis, assim como a trajetória do compositor.

Dufay, Guillaume (1397 – 1474)
Bélgica

Guillaume Dufay, também Du Fay ou Du Fayt foi um compositor do início do Renascimento, da escola franco-flamenga. Figura central da Escola da Borgonha, considerado o mais famoso e influente compositor da primeira metade do século XV e um dos nomes mais importantes do período de transição da música medieval para a renascentista. Guillaume Dufay representou a primeira geração da Escola Borgonhesa. Seu modelo de missa polifônica, baseada no cantus firmus, teve grande aceitação entre os músicos até o final do século XVI.

Guillaume Dufay aprendeu música como menino do coro da catedral de sua cidade natal. Depois, foi chantre da capela pontifícia em Roma, Florença e Bolonha (1435-1437), além de músico do Duque de Sabóia. Há indícios de que, a partir de 1445, teria fixado em Cambrai a sua residência principal, fazendo, no entanto, numerosas, embora breves, viagens, principalmente às cortes de Borgonha e Sabóia, a Turim e a Besançon, no Bourbonnais.

A sua celebridade foi então considerável, e a sua autoridade musical, que exerceu uma influência benéfica sobre uma grande parte da Europa. Como testemunho de admiração, os personagens mais ilustres deram-lhe a sua amizade - Carlos, o Temerário conta-se entre os seus legatários, bem como pensões, prebendas e títulos lucrativos: foi cantor do duque de Borgonha, cônego em Tournai, Bruges, Lausanne, Mons e, sobretudo, a partir de 1435, em Cambrai (França).

Homem de grande cultura, soube, ao longo das suas numerosas viagens, assimilar as técnicas francesa, inglesa e italiana, para delas fazer uma síntese surpreendente. Criou o modelo perfeito da missa polifônica construída sobre um cantus firmus (tema litúrgico ou profano que serve de base e fio condutor a toda composição), modelo cuja fecundidade se manifestou até o final do século XVI.

Escreveu 9 missas, entre as quais Se la face ay pale, L'Homme armé caput, Ecce ancilla domini, Ave Regina coelorum, 35 fragmentos de missas, 5 Magnificat, cerca de 80 motetos e hinos (sagrados ou profanos), 75 canções polifônicas francesas.

Binchois, Gilles (também Gilles de Bin) (1400 – 1460)
Bélgica

Um dos três grandes compositores do início do século XV, ao lado de Dufay e Dunstable. De uma família de classe média de Mons, treinou como corista e organista, tendo servido como soldado e talvez visitado a Inglaterra antes de se juntar à corte em Burgundy.

Não foi um inovador e sim um grande melodista e sua música sacra, ballades e rondeaux foram importantes na época. Pertenceu à escola da Borgonha.

Mestre da Canção burgunda. Compõe também Lieder e Missas.

Ockeghem, Johann (c.1414 – 1497)
Bélgica

Ockeghem surge em 1443 como um novato compositor de música sublime e criativa. Compositor do contraponto flamengo, sua obra foi composta na corte francesa de Carlos VII.

Ocupou diversos postos eclesiásticos, tendo mesmo se encarregado de delicadas missões diplomáticas no exterior. Presume-se que foi aluno de Dufay. Pertenceu à segunda geração da escola franco-flamenga.

Mestre da composição de cânones proporcionais e de charadas. Numerologia do gótico tardio. Missa Prolationum.

Agricola, Alexander (1445 ou 1446 – 15 de Agosto de 1506)
Bélgica

Compositor franco-flamengo da música do Renascimento. Nascido Alexandre Ackerman, filho ilegítimo de uma rica negociante holandesa, Agricola foi um compositor internacionalmente popular na década de 1490.

Trabalhou em cortes e igrejas na Itália, França e Países Baixos, sendo tão requisitado que podia ditar sua remuneração. Tecnicamente, suas missas e motetos sacros, canções seculares e peças instrumentais, influenciadas por Johannes Ockeghem são típicos da época, mas o caráter intenso e agitado de sua música era descrito por alguns contemporâneos como "louco e estranho".

Pertencia à primeira geração de cantores virtuoses que se tornaram compositores bem sucedidos ao explorar o novo gênero ao lado do compositor florentino Jacopo Peri. Em suas canções, desenvolveu o estilo monódico que viria a ser um pilar da era barroca.

Palestrina, Giovanni Pierluigi da (c.1525 – 1594)
Itália

Era o mais famoso representante da Escola Romana no século XVI. Palestrina teve uma grande influência sobre o desenvolvimento da música sacra na Igreja Católica Apostólica Romana.

Giovanni Pierluigi da Palestrina nasceu, como o próprio nome indica na Palestrina (arredores de Roma), por volta do ano de 1525. Seu talento musical se manifestou no final da infância e começou a estudar música em 1537, como pequeno cantor na escola da Basílica de Santa Maria Maior. Retornou à sua cidade natal por volta de 1544 como organista. Pierluigi não é um segundo nome de batismo, e sim a primeira parte do duplo nome (Pierluigi e da Palestrina).

Em 1550, o bispo de sua cidade foi eleito papa com o nome de Julio III. Este o convidou para segui-lo em Santo Soglio em 1551, onde foi nomeado mestre da Capela Giulia e cantor da Capela Sistina. Para seu infortúnio, o papa sucessivo, Paulo IV, demitiu todos os cantores casados ou que houvessem composto obras de música profana (profana no sentido de não religiosa), e Palestrina encontrava-se nas duas categorias. Desta forma, abandonou o Vaticano, mas assumiu, em seguida, a direção musical da Basílica de São João de Latrão em 1555 e, sucessivamente, da Basílica de Santa Maria Maior, em 1561. Em 1571, dirigiu-se para São Pedro. Foi também grande seguidor de São Felipe Neri.
Em 1580, após a morte de sua esposa, Lucrezia Gori, teve um momento de crise mística e resolve consagrar-se à igreja. Entretanto, sua vocação terminou rapidamente, pois, pouco depois, casou-se com uma rica viúva romana, Virginia Dormoli.



Palestrina foi um dos poucos e afortunados músicos de sua época a ostentar uma brilhante carreira pública. Sua fama foi reconhecida universalmente pelos colegas de seu tempo e seus serviços foram requisitados por diversas autoridades da Europa. Após sua morte, em 1594, Palestrina foi enterrado na Basílica de São Pedro durante uma cerimônia fúnebre que teve a participação de grande número de musicistas e de pessoas da comunidade.

Não houve compositor anterior a J.S.Bach tão prestigiado como Palestrina, nem outro cuja técnica de composição tivesse sido estruturada com maior minuciosidade. Palestrina foi denominado "O Príncipe da Música", e suas obras foram classificadas como a "perfeição absoluta" do estilo eclesiástico.

Reconheceu-se que Palestrina captou, melhor que nenhum outro compositor, a essência do aspecto sóbrio e conservador da Contra Reforma numa polifonia de extrema pureza, apartada de qualquer influência profana. O estilo palestriniano pode ser reconhecido em suas Missas. A sua índole objetiva, friamente impessoal, resulta extremamente apropriada aos textos formais e rituais do Ordinário. Desde logo a base do seu estilo é o contraponto imitativo franco-flamengo.

As partes vocais fluem num ritmo continuo, com um motivo melódico novo para cada frase do texto. Palestrina mostra o caráter que vem associado ao gênio: plenamente consciente da sua capacidade e forte popularidade, obtidos através de suas composições, nunca foi forçado a aceitar encomendas desagradáveis para sobreviver. Pelo contrário, soube fazer-se recompensar generosamente por todos os seus protetores, de modo que o Vaticano se viu obrigado a aumentar continuamente o seu salário anual, para mantê-lo em Roma, por causa de tantas propostas que recebia.

Foi um homem volitivo, mas com fortes impulsos que o levaram a súbitas e surpreendentes escolhas, tais como o segundo casamento, celebrado após receber ordenações religiosas menores. Compositor prolífico, publicou muito em vida, e suas obras não caíram no esquecimento; ao contrário, foram sempre apreciadas como obras-primas da polifonia.

Obras

O "corpus musicale" palestriniano foi escrito, preponderantemente, em Roma e apenas para Roma, para uso principalmente litúrgico: para a Missa e o Ofício. Uma boa parte de sua produção aconteceu no período de seu último cargo na Basílica de São Pedro no Vaticano. O orgânico vocal da capela vaticana era, naquele tempo, mais vasto do que o de qualquer outra igreja (em 1594 era composto, ao todo, de 24 cantores), mas não se adotou o uso de instrumentos, com exceção do órgão.

A linguagem polifônica de Palestrina não se distanciou tanto da maneira tradicional dos mestres franco-flamengos (os nórdicos foram os seus primeiros mestres em Roma). A arte contrapontística de Palestrina se desenvolveu, sobretudo, em direção à inteligibilidade da palavra e de uma sonoridade ordenada de maneira a evitar a enunciação simultânea de textos diversos.

No que se refere ao desenvolvimento das linhas melódicas, é evidente a influência do canto gregoriano. Neste sentido, podemos dizer que o compositor aplicava as regras do Concílio de Trento.

Na grande quantidade de motetos palestrinianos, destaca-se, pela sua intensa expressividade, o Salmo 137 Super Flumina Babylonis.

Entre os compositores do círculo romano que conservam o rigor técnico do contraponto de Palestrina, pode-se mencionar os seus discípulos Giovanni Maria Nanino (1543-1607), Francisco Soriano (1548-1621) e Felice Anerio (1560-1614). Pela alta qualidade da sua produção, destaca-se, o espanhol castelhano Tomás Luis de Victoria (1548-1611), enquanto, entre as maiores autoridades intérpretes de Palestrina, ainda hoje em vida, destacam-se o maestro Domenico Bartolucci (1917).

Obras principais

104 missas
375 motetos
Magnificat, Lamentações de Jeremias
42 madrigais sacros
91 madrigais profanos
68 ofertórios

Byrd, William (c.1540 – 1623)
Inglaterra

Católico em terra protestante, a reputação de William Byrd como compositor era tamanha que o livrou das sérias consequências de manter sua fé sob a lei inglesa. As obras religiosas de Byrd mostram uma refinada técnica contrapontística, especialmente no uso da imitação. Seus anthems em verso, motetos, canções de consort e peças instrumentais são profundamente expressivos. Sua música raramente mostra influência de seu mestre, Thomas Tallis.

Byrd talvez seja mais conhecido por sobreviver no topo da sociedade na Inglaterra protestante apesar de sua intensa – e pouco disfarçada – fé católica. Seus patronos, que incluíam tanto ricos católicos como a “Rainha Virgem”, Elisabete I, encomendaram-lhe amplo leque de música para serviços religiosos e usos domésticos. Afora sua música anglicana, Byrd compôs e publicou diversas obras católicas para serem executadas apenas em contexto doméstico. Sua produção musical secular também foi grande, incluindo peças do primeiro repertório importante para virginais.

Principais obras:
. Ave Verum Corpus – sequência
. Susanna Fair – canção
. Missa para quatro vozes – partitura de missa.

Desprez, Josquin (1450 – 27/08/1521)
França, Beaurevoir (?)

Josquin Lebloitte, dito Josquin des Prez ou Josquin des Prés, frequentemente designado simplesmente como Josquin, foi um compositor franco-flamengo da Renascença.

É o compositor europeu mais célebre entre Guillaume Dufay (1397 – 1474) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525 - 1594) e é geralmente considerado como a figura central da Escola franco-flamenga e o primeiro grande mestre da polifonia vocal dos primórdios do Renascimento.

No século XVI, Josquin chegou a ser considerado o maior compositor da época. O domínio da técnica e sua expressividade eram admirados e imitados.

Sua música incorpora influências italianas à formação característica da escola flamenga. A combinação de técnica e expressividade marca uma ruptura com a música medieval. Josquin contribuiu para diversos gêneros, principalmente motetos, missas e chansons francesas e italianas.

Mas foi, sobretudo, nos mais de cem motetos que se mostrou mais original: a suspensão é empregada como recurso de ênfase, e as vozes ganham os registros mais graves nos trechos em que o texto alude à morte. As canções também são importantes na sua obra. Foi o principal representante do novo estilo de meados do século XV, com formas musicais menos rígidas. Certas canções mostram técnica rebuscada, em ritmos vivos e texturas claras. A ampla difusão de sua música tornou-se possível com a invenção da impressão de partituras, no começo do século XVI, e hoje sabemos mais sobre sua música do que sobre sua vida.

Foi o primeiro compositor renascentista considerado genial, superando as formas tradicionais e dando novo tratamento às relações entre texto e música. Mestre da polifonia e do contraponto estendeu e aplicou sistematicamente o recurso da imitação (repetição de um trecho musical por vozes diferentes).

Compositor e cantor de talento muito apreciado pelos mais ricos mecenas da Europa, incluindo a família Este, de Ferrara, Josquin foi o primeiro compositor a ter impressos volumes inteiramente dedicados à sua obra musical. Vários aspectos de sua biografia são pouco documentados, sobretudo detalhes de sua infância e educação. Um problema tem sido a atribuição a Josquin de peças que não são suas. Seu estilo musical exibe grande invenção melódica e domínio de técnicas como o cânone, bem como uma inclinação pelas canções populares.

Entre as obras mais famosas de Desprez, estão a missa Pange lingua, o moteto Stabat Mater e a chanson Petite Camusette.

Janequin, Clément (c.1485 – c.1558)
França, Châtellerault

Foi um dos mais famosos compositores de chansons de toda a Renascença e, juntamente com Claudin de Sermisy, teve forte influência no desenvolvimento da chanson parisiense, principalmente da canção programática. A grande divulgação de sua fama foi possível graças ao desenvolvimento simultâneo da imprensa de signos musicais. Educado como noviço, ocupou vários postos mal remunerados, mas em 1530 sua canção para celebrar a entrada de Francisco I em Bordeaux, firmou sua reputação como compositor.

Compõe “La bataille” em c.1515, canção que imita o fragor da batalha e em 1530 a canção “Chantons, sonnons, trompettes” a qual lhe traz a fama.

Willaert, Adrian (c.1490 – 07/12/1562)
Bélgica, Bruges



Compositor flamengo, aluno de Josquin, mestre de capela em São Marco, Veneza; missas-paródia, ricercare a 3 vozes (precursor da forma da fuga), fundador da policoralidade veneziana e da Escola de Veneza.

Taverner, John (1490 – 1545)
Inglaterra

Taverner exerceu grande influência na Inglaterra no século XVI, tanto como compositor quanto como assessor de Thomas Cromwell – conselheiro chefe de Henrique VIII que presidiu a dissolução dos mosteiros.

É provável que Taverner estivesse de acordo com o espírito das reformas protestantes. Um documento registra sua vergonha por ter escrito “cançonetas papais” – música celebrando a Virgem Maria ou os santos cristãos – no início de sua carreira.

Escreveu oito missas ao todo.

Em 1515 compõe a Missa “Gloria tibi Trinitas” que se tornou uma das mais populares linhas de cantus firmus para música instrumental na Inglaterra, num gênero conhecido como “In nomine”, em homenagem ao vocal original de Taverner. A ópera Taverner, de Maxwell Davies, faz um relato popular da vida do compositor.

Em c.1540 compõe o “Magnificat à 4”.

Sachs, Hans (05/11/1494 – 19/01/1576)
Alemanha, Nurenberg

Sapateiro de profissão, percorreu a Alemanha como mestre cantor e se tornou o mais conhecido deles. Autor de mais de 6000 poemas, escritos no estilo popular burguês do meistersang (mescla de poesia e canto religioso, cantada nas escolas gremiais do século XV). São notáveis, também suas Farsas de Carnaval (1517-1563) e seu hino O Rouxinol de Wittenberg (1523), dedicado a Lutero.

Hans Sachs se transformou em um personagem de uma ópera de Albert Lortzing (1840) e em um dos personagens principais da ópera Die Meistersinger Von Nürnberg (Os cantores de Nurenberg), de Richard Wagner.

Escreveu mais de 2000 ditados e peças teatrais.

Gabrieli, Andréa (c.1532 – 30/08/1585)
Itália

Compositor e organista veneziano na Basílica de São Marco, mestre da policoralidade: 8, 12 e até 24 vozes (“coro spezzato”).

Tio do compositor Giovanni Gabrielli, foi o primeiro membro renomado da Escola Veneziana de Compositores e foi extremamente influente na propagação do estilo veneziano na Itália e na Alemanha.

Deixou numerosas composições de música sacra – motetos, salmos, missas, um Glória a 16 vozes – e profana – quase 250 madrigais. Dentre suas composições monumentais, mencionamos as tocatas para órgão, canções, ricercari, peças mistas instrumentais e vocais, salmos penitenciais.

Rore, Cipriano di (1515 – 1565)
Bélgica, Ronse

Compositor franco-flamengo, sucessor de Willaert na Basílica de São Marcos em Veneza. Juntamente com Willaert é o fundador da escola veneziana da policoralidade. Compôs madrigais, motetos, missas. Tornou-se conhecido, principalmente, por seus madrigais italianos.

Ortiz, Diego (c.1510 – c.1570)
Espanha, Toledo

Compositor espanhol e professor de instrumentos, trabalhou para a corte de Nápoles. Escreveu dois livros de música: Trattado de Glosas, em 1553 e Musices líber primus, em 1565.

O “Tratado de Glosas”(1553) é considerado uma obra prima sobre a viola da gamba. Foi publicado em 10/12/1553 em Roma, sob o título em espanhol “Trattado de glossas sobre clausulas y otros generos de punctos em la musica de violones nuevamente puestos em luz”.

Musices líber primus é uma coletânea de música religiosa polifonica, publicado em Veneza em 1565, sob o título “Musices líber primus hymnos, Magnificas, Salves, mocteta, psalmos”. É composto por 69 obras para 4 a 70 vozes, baseadas no cantochão.


Bibliografia:

. Wikipaedia.com

. História Universal da Música , Kurt Pahlen – Ed.Melhoramentos

. História da Música Ocidental, Donald J.Grout e Claude V.Palisca – Gradiva

. Guia Ilustrado Zahar da Música Clássica

http://www.concertino.com.br/

http://www.infoescola.com/religiao/musica-sacra/

http://vaemihi.wordpress.com/2013/11/15/adam-cain-and-the-spade/

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