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Ao
mestre, com carinho
Filho
de carpinteiro, o produtor aprendeu a tocar por conta
própria e ao lado dos Beatles redefiniu a música
pop do planeta.

George
Martin com os pupilos no estúdio
Foto: Divulgação
Antes
e depois de ser carimbado com o invejável clichê
de “quinto Beatle”, o britânico
George Martin assinou projetos de boa reputação,
como um álbum do ator Peter Sellers (1959)
e Blow by Blow, de Jeff Beck (1975), mas nada que
se compare a sua longa experiência com o quarteto
entre 1962 a 1969. Quase tudo já se sabe sobre
a realização do álbum mitológico
de 1967, sobretudo depois de esmiuçado pelo
próprio produtor no livro Paz, Amor e Sgt.
Pepper. No prefácio ele lembra que foi uma
“época extraordinária que possibilitou
que tanto talento acabasse coroando um tempo maravilhoso”.
Era o homem certo com as pessoas certas na hora mais
feliz: o incrível Verão do Amor.
O
talento de Martin para a música nem ele sabe
de onde veio. Ninguém na família era
musical. De origem modesta – o pai era carpinteiro
–, ele nasceu em 1926 na pequena cidade em Holloway,
ao norte de Londres e aprendeu a tocar piano sozinho.
Ainda pequeno, descobriu a capacidade de reproduzir
com naturalidade as melodias e harmonias que ouvia.
Aos 16 anos já tocava piano, pelo qual se interessou
desde os 8, sem ter estudado. Paralelamente à
música, Martin era bom em desenho de arquitetura
e design e acabou trabalhando nessa área nas
Forças Armadas durante a 2ª Guerra Mundial.
Nesse período passou a se corresponder com
um professor de música, de quem recebeu grandes
incentivos, desde partituras detalhadas até
o ingresso na Guildahall School of Music.
Em
1950, foi trabalhar na Parlophone Records, que na
época era braço da EMI. Ali aprendeu
a lidar com todo tipo de artista, de orquestras sinfônicas
a bandas populares de música dançante.
Martin ingressou na indústria num momento de
significativa transição tecnológica
dos discos de 78 RPM para a dos LPs, com a inovação
do sistema de gravações em fitas magnéticas,
depois presenciou o boom do rock’n’roll.
Com os Beatles realizou clássicos como Rubber
Soul, Revolver, Sgt. Pepper e White Album, um passo
fantástico atrás do outro, que redefiniram
a música pop planetária. Como ele mesmo
disse: é incrível como aquela música
que o quarteto criou com ele há quatro décadas
“ainda desperte tanta emoção em
tanta gente”.
Com
o rompimento dos Beatles, em 1970, Martin passou a
trabalhar com outros grupos e artistas como Jimmy
Webb, America e Mahavishnu Orchestra. Voltou a se
unir a Paul McCartney em projetos de shows e discos,
como a trilha sonora do filme Live and Let Die, da
série de James Bond, nos anos 70 e 80. Em 1998
deu por encerrada a carreira com o álbum My
Life, repleto de convidados, e em 2001 teve 151 de
suas produções reunidas numa caixa com
seis CDs. Recentemente, em entrevista à revista
Mojo, a propósito dos 40 anos de Sgt. Pepper’s
Lonely Hearts Club Band, o mestre lembrou que os Beatles
não o viam como a figura de um pai, mas como
o grande irmão. “Eram como frangotes
estendendo suas asas e queriam aprender o que fazer,
não serem mandados.” Com ele, voaram,
tocaram e brincaram entre as estrelas.
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