Chuva
forte não esfria primeiro show de Madonna no Rio
Madonna
fez, neste domingo (14), o primeiro show brasileiro da turnê
"Sticky & Sweet", no estádio do Maracanã,
Rio de Janeiro. O show foi antecipado em uma hora, mas atrasou
30 minutos. Cinco minutos antes de começar, às
20h30, uma forte chuva abateu o Maracanã, lotado com
70 mil pessoas, segundo a organização. Se a
cantora e o sem-número de dançarinos pouco se
importaram, muito menos o público, que se virou como
pôde, entre capas e casacos.
Quando
um cubo formado por telões gigantes se abriu no centro
do palco, o trono apareceu com Madonna já sedutora,
dando início a exatas duas horas de agito salteado
por três intervalos igualmente dançantes --a
apresentação é dividida em quatro partes.
O espetáculo é, sobretudo, teatral: as músicas
são números infalíveis, cuidadosamente
ensaiados e com cenas encaixadas milimetricamente.
Nem a
água que sobrava na passarela do palco, que avançava
em direção ao público, atrapalhou. Discretos
rodos usados pelos roadies resolviam o problema, assim como
guarda-chuvas de última hora cobriam Madonna e seus
coadjuvantes.
Na primeira
parte, duas músicas de "Hard Candy", o disco
mais recente (2008), foram apresentadas: "Candy Shop"
e "Beat Goes On", essa última com Kanye West
e Pharrel Williams nos telões. Outra figura que também
aparece em vídeo durante o show é Britney Spears.
Mas o ponto alto da fase inicial foi a entrada de um carro
Rolls Royce branco que deslizou para o meio do público
carregando Madonna e sua trupe.
O show
de Madonna é assim: tudo desliza, para cima e para
baixo, para um lado e para outro. Telões de grande
resolução e tamanho se dividem em várias
partes, em que imagens contracenam com a rainha do pop. Praticáveis
surgem do chão e sobem colocando a cantora em destaque,
ou giram para que todos possam vê-la. "Vogue",
o primeiro dos hits do passado, encerrou a primeira parte
em grande estilo. Madonna pouco falou, e o microfone com volume
baixo não deixou o público ouvir os breves "Alô
Rio!".
A entrada
de dois dançarinos fantasiados de boxeadores iniciou
o bloco em homenagem aos anos 80. O cenário colorido
trouxe Madonna, sexy, também em trajes de boxeadora
e pulando corda com uma impressionante facilidade. No fundo,
ela não se interessa em mostrar se é boa cantora,
mas sim que, aos 50 anos, goza de extraordinária forma
física. Gesticula de forma sexy o tempo todo, seja
se esbarrando, sentando no colo de dançarinos ou requebrando.
"Into
The Groove" foi a primeira música a fazer o público
esquecer do toró que caía, e "Boderline"
ganhou uma surpreendente versão hard rock. Em "She's
Not Me", a cantora tirou sarro de si mesma, quando, à
frente da passarela que corta o público, destronou
modelos vestidas como ela no passado e roubou um beijo da
boca de uma das dançarinas.
Embora
feito para homenagear ritmos hispânicos, o terceiro
bloco trouxe um grupo folclórico romeno, que chegou
a tocar uma música deles próprios, enquanto,
no cantinho do avançado do palco, Madonna "bebia
tequila", brindando com o público. Depois, ela
cantou, só com o violão, a emocionante "You
Must Love Me", do filme "Evita". "Espero
que vocês não se importem com a chuva... ou vocês
se importam?", perguntou ao ensopado público,
antes da cantoria.
Destaque
desse módulo, "La Isla Bonita" ganhou roupagem
cigana, assim como as imagens exibidas no telão. Madonna
incluiu músicas novas com as quais o público
foi se familiarizando, como "Devil Wouldn't Recognize
You" e "Spanish Lesson", que realçou
o sapateado de um dos dançarinos. Ao passo que a trupe
voltou para a porta de vagão de metrô, na qual
se transformou o telão do fundo, imagens de ditadores
deram lugar a ícones da liberdade, como o presidente
eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, fechando a terceira
parte.
A reta
final veio com Justin Timberlake contracenando com Madonna
em quatro partes do telão fracionado, num efeito que
garantiu a euforia do público em "4 Minutes".
"Like a Prayer" veio em seguida para manter o público
nas mãos. E então, com improviso, Madonna começou
a cantar uma canção infantil para a chuva parar.
Foi aí
que ela anunciou a hora de um fã escolher uma música
e, à beira do palco, pediu para "Fábio"
fazer o pedido: "Express Yourself", que realmente
não estava no programa, foi cantada por todo o público,
num outro momento intimista, sem a turba de dançarinos
no palco. Uma versão pesada de "Hung Up",
em que Madonna parece tocar guitarra de verdade, e faz até
o símbolo consagrado pelo heavy metal, foi a senha
para o final, com "Give It To Me".
Sintomático
Madonna pedir tudo do público, depois de duas horas
sob chuva sem trégua. Àquela altura, enquanto
os telões voltavam à posição inicial,
em forma de cubo, todos já tinham dado sua contribuição
à rainha do pop. E ela que, muito mais que um show
de música, deu ao público um espetáculo
visual e aeróbico.
Cerca de
70 mil pessoas assistiram ao show de Madonna no Rio de Janeiro,
neste domingo
Madonna
na turnê brasileira de "Sticky & Sweet"
- Maracanã, Rio de Janeiro
Madonna
na turnê brasileira de "Sticky & Sweet"
- Maracanã, Rio de Janeiro
Frenética
e abusada, Madonna é do Brasil
Quinze
anos depois de ter ganhado a platéia do Maracanã
trajando uma camiseta do Flamengo, Madonna aporta de novo
no mesmo estádio para o primeiro dos cinco shows da
etapa brasileira da turnê Sticky and Sweet. Vinda do
Chile, a popstar desembarcou no Rio ontem de manhã
cercada de forte esquema de segurança, composta por
vários policiais civis, militares e federais. Foi direto
para o hotel Copacabana Palace.
Madonna
com os filhos
Ela chegou
embaixo de chuva, entrou pela garagem lateral do hotel, na
rua Rodolfo Dantas. Apenas seis fãs estavam de plantão
na porta do local, na esperança que ela acene da varanda
da sua suíte. Segundo informações do
Copacabana Palace, é a mesma suíte usada pelos
integrantes dos Rolling Stones na última vez em que
estiveram no Brasil.
Assim
como tem acontecido nos outros shows da turnê, ela mesclou
em seu repertório da última apresentação
no Chile músicas do novo álbum, Hard Candy,
com hits como Into the Groove, Vogue e Like a Praye, para
cerca de 75 mil pessoas que assistiram ao show. Madonna também
surpreendeu os presentes no Estádio Nacional ao aparecer
durante a passagem de som, cerca de quatro horas antes do
show, para cantar alguns trechos de músicas com o público
que já enchia o local.
O CEO
da empresa Live Nation, que contratou Madonna, está
acompanhando de perto essa turnê da cantora pela América
Latina. Michael Rapino, que se associou na América
Latina às empresas T4f (Time for Fun), brasileira,
e CIE (Corporación Interamericana de Entretenimiento),
do México, viajou com sua equipe pelos locais dos shows
e supervisiona este que está sendo considerado o maior
evento do show biz da atualidade. "Temos a maior companhia
da América Latina como parceria, sem ter de comprar
uma companhia ou investir um monte de capital", disse
Rapino.
Madonna,
assim como o U2, a colombina Shakira, o rapper Jay-Z e as
bandas Coldplay e Nickelback, entre outras, assinaram com
a Live Nation nos últimos 12 meses. A cantora americana
tem um contrato de US$ 120 milhões com a empresa.
Além
de deter um porcentual fixo no faturamento da turnê,
a Live Nation controla todos os subprodutos de Madonna, da
comercialização de um DVD a camisetas oficiais.
"O paradigma do negócio musical mudou e como uma
artista e mulher de negócios, eu tenho de me mover
em direção ao novo paradigma", disse Madonna
sobre o contrato.
O modelo
de atuação da Live Nation baseia-se no sistema
"rent-a-system" usado em Hollywood , por meio do
qual um estúdio produz um filme, mas licencia as outras
funções para outro estúdio que já
possui uma infra-estrutura de marketing e distribuição
(no caso, a brasileira Time for Fun e a mexicana CIE).
Na Argentina,
um redator do jornal La Nación matou a charada a respeito
do que representa o show de Madonna, num comentário
na edição online do jornal: "Um show que
faz o espectador desejar ter mais olhos ou poder colocar ?pause?
para escutar e ver tudo, absorver o bombardeio único
de imagens e depois continuar escutando, vendo, dançando."
De fato,
o bombardeio visual é frenético e Madonna tem
uma companhia de dança inteira ao seu lado, com a "ação"
se desenrolando em diversas frentes, nos telões, nos
palcos laterais, nos palcos que se desprendem do chão
com macacos hidráulicos, nos solos dos músicos.
Acima do palco avançado, no meio do público
VIP, flutua um gigantesco telão cilíndrico,
que em determinado momento se move e desce sobre Madonna,
que dança numa espécie de teatro de sombras.
Só um homem-mosca para ver tanta coisa, e ainda assim
não conseguiria ver tudo.
Por todo
lugar onde passa, o show levanta também uma controvérsia:
é fato que ela não canta em alguns momentos,
que faz play-back? Parece unânime que é play-back,
mas defende-se Madonna dizendo que são gravações
de apoio, que se usa para eventualidades, como uma falha do
microfone. Ela canta de fato, e até desafina feio em
Borderline, mas não que seja algo que faça muita
diferença, pelo tipo de espetáculo que ela apresenta.
Ou seja: Madonna nunca quis ser Sarah Vaughan, ela sabe que
não sabe, e usa um milhão de truques para convencer
a multidão de que sabe, e muito.
A cantora
anda pelas cidades com um aparato de chefe de Estado. Quando
sai para passear, sai com três vans de seguranças.
Ela vai no carro do meio. Quando pára no semáforo,
os seguranças do último carro saem e cercam
o carro dela.
Chegada Madonna 1993
Entrevista
Ela
é indiscutivelmente a Rainha do Pop. Cria tendências
há mais de 20 anos. Polêmica, lançou
em 1992 o livro SEX, onde aparecia completamente nua e em
posições pra lá de comprometedoras.
Este ano virou a cinquentona mais sexy do planeta, dirigiu
seu primeiro filme de ficção e se divorciou
do cineasta Guy Ritchie. Recentemente, entrou para o livro
Guiness de recordes como a mais bem sucedida performer de
todos os tempos. Nessa entrevista exclusiva, realizada em
Nova York, ela fala sobre como teve que aprender a dividir
os holofotes com astros como Justin Timberlake, o mega produtor
Timbaland e o ego-rapper Kanye West - todos fizeram participações
em HARD CANDY, seu mais recente álbum. E também
prova porque ainda tem muito a oferecer ao Universo POP.
Tradução: Duda Leite.
Vh1
– Você fez este novo álbum muito rapidamente...
MADONNA
– Você acha mesmo? Foram 2 anos desde o último.
Essa é a minha obrigação: um álbum
a cada dois anos.
Vh1
– O que te inspira a seguir em frente?
MADONNA
– Eu sabia que era hora de fazer um novo disco. Então
fui atrás de quem estava fazendo música que
eu gostava. Eu queria fazer algo diferente. Estava escutando
muito Timbaland, e adorava o álbum FutureSex/LoveSounds
do Justin Timberlake. E também sempre adorei Pharell.
Então pensei: por que não trabalhar com os
caras que eu mais gosto? Foi assim que surgiu HARD CANDY.
Vh1
– Você quis transformar esses sons mais urbanos
em algo pessoal seu?
MADONNA
– Eu não quis que eles fizessem o meu trabalho!
Foi uma verdadeira colaboração. Eu trouxe
o que mais gosto de fazer, que são as letras, meu
sentido para melodias. Espero que quando as pessoas ouçam
o álbum, não achem que estão ouvindo
uma música do Pharell, por exemplo. Apesar de que
algumas músicas poderiam ser dele...
Vh1
– De onde surgiu o título do album, “Hard
Candy”?
MADONNA
– Eu queria chamar o disco de CANDY SHOP, mas não
dava, pois já havia uma canção do 50
Cent com o mesmo título. Então eu pensei em
GIVE IT TO ME, mas já havia uma canção
do Timbaland com esse nome! Então tive que pensar
em outra coisa, e foi assim que surgiu HARD CANDY.
Vh1
– Eu sei que CANDY SHOP é uma das suas canções
favoritas do álbum...
MADONNA
– É uma canção atrevida. Eu amo
as várias analogias com doces.
Vh1
– Queria conversar sobre a arte do álbum. É
uma imagem bem provocante. Por que você escolheu essa
imagem?
MADONNA
– Sempre gosto de criar personagens quando faço
fotografias. Dessa vez trabalhei com o fotógrafo
Steven Klein e nossa referência foi um boxeador. Queria
uma imagem que fosse poderosa.
Vh1
– É uma imagem durona e sexy. São elementos
importantes pra você?
MADONNA
– É assim que eu sou. Só estou sendo
eu mesma.
Vh1
– Como foi trabalhar com Kanye West?
MADONNA
– Bom, ele estava trabalhando num estúdio que
ficava ao lado do que eu estava e meu produtor sugeriu que
o convidássemos para participar do meu disco. Ele
achou ótima idéia.
Vh1
– Você teve que pôr seu ego de lado trabalhando
com todos esses caras?
MADONNA
– Sim, todos tínhamos que dividir nosso espaço
de Divas!
Vh1
– Isso foi complicado? Todo mundo queria se expressar?
MADONNA
– Todos esses caras com quem trabalhei têm personalidades
fortes. Ninguém precisava estar lá e cada
um tinha uma noção bem forte do que queria.
Tivemos que negociar muito.
Vh1
– Vamos falar de 4 MINUTES. É bem animada,
mas tem uma mensagem séria. O que você quer
dizer com essa canção?
MADONNA
– Gostaria que as pessoas não levassem ao pé
da letra. Basicamente é sobre estarmos vivendo numa
época onde não temos tempo a perder. As pessoas
estão aos poucos ficando mais conscientes quanto
ao meio-ambiente. Não podemos nos distrair. Precisamos
nos educar e fazer algo a respeito, mas ao mesmo tempo,
não quero ser chata e séria demais. Já
que temos que salvar o mundo, vamos nos divertir enquanto
fazemos isso.
Vh1–
Como foi trabalhar com Justin Timberlake nessa faixa?
MADONNA
– Foi fantástico! Ele é um grande compositor
e gosta de trabalhar com os ritmos. Eu gosto de letras,
então foi uma combinação perfeita.
E ele é bem divertido, seguro e não se leva
a sério demais.
Vh1
– Fale um pouco sobre o documentário que você
acabou de produzir.
MADONNA
– O título é I AM BECAUSE WE ARE. Trabalhei
nele por 2 anos. É sobre crianças que sofrem
de AIDS, no Malaui. O documentário segue a história
dessas famílias. É muito intimista. Foi uma
experiência muito dolorosa e emocionante. Basicamente
nos mostra como podemos ajudar uns aos outros e fazer parte
da solução.
Vh1
– Você também acaba de lançar
seu primeiro filme como diretora, FILTH AND WISDOM. Como
foi essa experiência?
MADONNA
– É com o Eugene Hutz, que é o líder
da banda cigana-punk Gogol Bordello. Ele é um personagem
e eu escrevi o filme pensando nele. Vi eles se apresentando
e adorei. No filme ele é um músico que tem
uma banda. O filme é sobre os paradoxos da vida.
É como HARD CANDY. Você pode encontrar inteligência
nos lugares mais escuros. E não importa o quanto
você queira fazer tudo certinho, sempre há
uma parte em você decadente e pervertida. É
a história sobre essa dualidade.
Vh1–
Como foi passar para trás das câmeras?
MADONNA
– Foi uma delícia! Tenho um grande sentido
para imagens visuais. Escolhi as músicas da trilha
sonora, escrevi o roteiro e me envolvi com a edição,
ou seja: fiz tudo aquilo o que mais gosto!
Vh1
– Suas performances ao vivo são sempre memoráveis.
De onde vem as idéias?
MADONNA
– Eu adoro fazer performances. Meu desejo é
criar algo que pode durar 5 minutos, mas que vai ficar para
sempre na cabeça de quem viu. Também tenho
um sonho recorrente no qual estou saindo de dentro de um
globo de espelhos.
Vh1
– Você entrou recentemente para o Livro Guiness
de Recordes, como a artista de maior sucesso há mais
tempo. Você ainda gosta de estar sempre na mídia?
MADONNA
– Gosto de ser uma artista e de ser criativa. Estar
no livro dos recordes não me interessa. Fico muito
feliz por ter o sucesso que tenho, mas não estou
muito interessada nos números e nesse tipo de listas.
Estou interessada na minha criatividade.
Vh1
– Quais são seus planos para o futuro?
MADONNA
– Quero fazer mais música e continuar a fazer
shows. E adoraria dirigir um novo filme. Tá bom pra
você? (risos)
Serviço
- Madonna
Informações
e compra de ingressos: www.ticketmaster.com.br ou 2846-6000/4004-1007
Rio
de Janeiro
Estádio
do Maracanã. Rua Professor Eurico Rabelo s/n.º,
Maracanã. Amanhã e 2.ª, 20 h. R$
180/ R$ 600
São
Paulo
Estádio
do Morumbi. Praça Roberto Gomes Pedrosa, s/n.º,
Morumbi. Dias 18, 20 e 21/12, 20 h. R$ 160/R$ 300