Lou Reed

Lou Reed - Rock N' Roll Animal - Full Album

Lou Reed – Sweet Jane

Reed deixa um legado de mais de cinco décadas de carreira, construída sem que ele tivesse cedido a qualquer tentativa mais comercial ao produzir letra e música. Falou de temas desagradáveis, às vezes com guitarras ainda mais desagradáveis.

O músico entrou para a história do rock a partir da segunda metade dos anos 1960, quando criou o grupo Velvet Underground, inspiração para o surgimento de várias gerações de bandas do gênero.

A banda foi apadrinhada pelo artista plástico Andy Warhol (1928-1987), que usava seu prestígio como mecenas de jovens artistas. As letras de Reed traziam os mesmos personagens dos filmes que Warhol produzia, gente da barra-pesada de Nova York:prostitutas, travestis, traficantes, ladrões e malucos.

Andy Warhol and Lou Reed

Ele manteve carreira solo por mais 30 anos, marcada por discos importantes, radicalismos estéticos e muita rabugice com imprensa e fãs. Costumava desmarcar ou interromper entrevistas e era antipático a abordagens em locais públicos. Seu gênio difícil não impediu --ou talvez tenha até incentivado-- um grande culto.

Reed gravou quatro álbuns com o Velvet, entre 1967 e 1970. Depois, seriam lançados discos ao vivo e compilações.

De 1972 a 2007, fez 20 discos solo. "Transformer" (1972) virou clássico, com as canções mais adoradas pelos fãs: "Perfect Day", "Vicious", "Satellite of Love" e o maior sucesso, "Walk on the Wild Side".

Nunca se transformou em grande vendedor de discos. Com altos e baixos de popularidade, Reed lançou álbuns que passaram em branco para o grande público.

Seu último solo foi "Hudson River Wind Meditations" (2007), com longas faixas para serem usadas como trilha sonora de meditação.

Até chegar a essa fase zen --ultimamente se dedicava ao tai chi--, Reed passou anos no "lado selvagem" da vida, como canta em seu hit.

Lewis Allan Reed nasceu em 2 de março de 1942, em Nova York e, ainda adolescente, confessou aos pais que gostava de homens e mulheres. Foi tratado com choques elétricos, experiência citada em várias de suas canções.

Em 1961, tocava em bandas e apresentava um programa de jazz em rádio. Três anos depois, conheceu John Cale, virtuoso de muitos instrumentos, e os dois criaram o Velvet Underground.

O disco de estreia, com a famosa banana desenhada por Warhol na capa, saiu em 1967 e era barulhento e depressivo, completamente diferente do rock psicodélico que tinha então seu auge.

Ao largar o Velvet, foi um dos criadores do andrógino glam rock, com David Bowie e Iggy Pop. Bowie produziu o bem-sucedido "Transformer", mas Reed pareceu ter medo de começar a agradar.

No disco seguinte, "Berlin", surpreendeu com orquestra e som agressivo. A busca pelo "desagradável" teve auge em "Metal Machine Music" (1975).

Sua última e terceira passagem pelo Brasil, em 2010, foi com uma turnê que retomava esse disco.

Tocou mais de uma hora de barulho ininterrupto no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Antes, em 1996 e 2000, mostrou canções aos brasileiros em shows "normais".

Essas e quase todas as suas turnês nunca apresentavam repertórios constantes. Reed alternava noites em que dava ao público os hits dos álbuns "Velvet Underground & Nico" e "Transformer" com outras em que cantava apenas músicas mais obscuras.

E ele tinha muitas obscuridades. Lançou discos como "Mistrial" (1986) e "Set the Twilight Reeling" (1996), dos quais apenas aqueles fãs mais fervorosos conseguem se lembrar de alguma faixa.

Mas pouco sucesso não é sinal de baixa qualidade. A força inabalável de sua poesia está documentada em "Atravessar o Fogo", edição da Companhia das Letras lançada em 2010 com 310 letras de Reed, em versão bilíngue.

Na última década, se mostrou aberto a colaborações. Por exemplo, canta "Some Kind of Future" no CD "Plastic Beach", do Gorillaz, projeto de Damon Albarn (Blur).

Fora dos estúdios e dos palcos, Reed vivenciou o inferno de drogas e devassidão de seus versos. Seu grupo de amigos chegava a pagar químicos para a criação de novas drogas --as existentes não eram fortes o bastante.

Foi casado com um travesti, Raquel, e pagou aluguel por anos para vários garotos de programa e prostitutas.

Reed teria parado de caminhar no lado selvagem nos anos 1990, quando se aproximou da cantora, violinista e artista multimídia americana Laurie Anderson, 66.

Eles mantiveram durante três ou quatro anos um relacionamento aberto, e depois Reed teria parado de encontrar outros parceiros.

Quando ele se submeteu ao transplante, Laurie declarou: "Ele estava morrendo. Não acho que ele vá se recuperar totalmente disso, mas certamente ele estará fazendo as coisas dele em breve".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grandes Albuns

Uma lista pessoal – em ordem cronológica – dos discos fundamentais do gênio

The Velvet Underground & Nico (1967) – Um dos discos mais importantes da música pop. Onze faixas clássicas que definiram o rock. Uma obra de arte, começando pela capa, passando pela voz gélida de Nico e chegando à distorção tonitruante de “The Black Angel’s Death Song”. Absolutamente essencial.

White Light White Heat (1968) – Último disco com John Cale, até hoje inigualado em termos de ousadia e experimentação sonora. Difícil imaginar que Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine e até o Buzzcocks existissem sem “Sister Ray”, com seus 17 minutos de barulho, improviso e inspiração.

The Velvet Underground (1969) – Sem John Cale, o VU virou praticamente a banda solo de Reed. Esse disco não traz os experimentalismos da era Cale, mas qualquer LP que tenha “Pale Blue Eyes”, “Candy Says” e “Beginning to See the Light” é um marco.

Loaded (1970) – O adeus de Reed ao Velvet foi uma tentativa de tocar no rádio. E deu certo, com músicas acessíveis e lindas como “Who Loves the Sun”, “Rock & Roll” e “Sweet Jane”.

Transformer (1972) – Obra-prima produzida por David Bowie e Mick Ronson, um disco capital para o glam rock e, posteriormente, o punk. Traz um dos maiores sucessos comerciais de Reed, a emblemática “Walk on the Wild Side”, mas os grandes momentos são “Satellite of Love”, “Perfect Day” e “Vicious”.

Berlin (1973)- Reed troca a guitarra pela orquestra e comete uma “ópera” sobre um casal em crise, num dos discos mais sombrios e tristes já gravados. A trilha sonora perfeita para uma época de depressão profunda e impulsos suicidas de Reed.

Sally Can’t Dance (1974) – Reed não estava bem da cabeça nessa época, tanto que andava pelo Village com uma suástica na cabeça. Mas fez esse discaço que influenciou toda a cena punk da cidade,  com músicas viscerais como “Kill Your Sons” e “NY Stars”.

Coney Island Baby (1975) – Um dos discos mais subvalorizados da carreira solo de Reed , marca a volta do cantor ao rock depois das divagações orquestrais de “Berlin” e do experimentalismo noise de “Metal Machine Music”.

The Blue Mask (1982) – Com a ajuda do super guitarrista Robert Quine, Reed faz um disco triste e soturno, que emula os dias – ou melhor, as noites – de Reed com o Velvet.

New York (1989) – Uma ode a sua Nova York amada e um dos melhores discos da carreira solo de Reed. Difícil escolher a melhor canção: “Romeo Had Juliette”, “Dirty Blvd.”, “Halloween Parade”… O mais perto que Reed chegou de fazer um disco pop.

Adeus, Lou Reed, príncipe da escuridão

O rock, como nós o conhecemos, não existiria se não fosse por Lou Reed.

Em meados dos anos 60, quando Reed conheceu John Cale, Sterling Morrison e Moe Tucker e juntos montaram o Velvet Underground, o rock era jovem – tinha 15 ou 16 anos – e, basicamente, rural e adolescente. Rock era música de caipiras enfezados, fossem negros como Little Richard ou brancos como Jerry Lee Lewis e Elvis Presley.

O primeiro disco do Velvet, o mitológico “Velvet Underground & Nico”, de 1967 – o disco da banana – inventou o rock urbano.

Enquanto os hippies contemplavam viagens psicodélicas e balançavam as cabeças ao som da lisergia de “Sgt. Pepper’s”, Reed e sua trupe criavam a trilha sonora de metrópoles cinzas, sujas e perigosas, em canções sombrias sobre heroína, prostitutas, gigolôs e masoquistas.

Contra a complacência tecnicolor do hippismo, o Velvet só usava preto. Preto era a cor daquela época, em que napalm era despejado em aldeias do Vietnã e heroína infestava a Nova York que Reed e Cale conheciam tão bem.

Woodstock era para amadores. Troco meio milhão de hippies num pasto imundo por uma puta falando com seu cafetão em uma esquina imunda do Harlem, parecia dizer Reed, sempre dez anos à frente de todo mundo.

Dizem que o Velvet Underground nunca vendeu muitos discos, mas todo mundo que comprou montou suas próprias bandas. É verdade.

Em um disco, o Velvet levou o rock à maturidade, criando um modelo sonoro, estético e temático difícil de ser igualado.

Não dá para imaginar o glam rock, o punk, o gótico, o noise, o drone e o pós-punk sem Lou Reed. Ele inventou tudo.

Ele foi o transformer, o metal machine music, o guru que transformou microfonia em arte e podou os exageros sonoros do pop. Solos de guitarra tornaram-se obsoletos depois de Lou Reed.

Foi-se o príncipe da escuridão, o narcisista genial, o homem que parecia eternamente entediado com a mediocridade à sua volta e não escondia isso de ninguém.

Foi-se um dos artistas mais influentes e importantes da música dos últimos 50 anos.

 

Fontes: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1363101-lou-reed-morto-aos-71-mudou-a-cara-do-rock-sem-nunca-ter-cedido-a-apelos-comerciais.shtml; ANDRE BARCINSKI; http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2013/10/27/adeus-lou-reed-principe-da-escuridao/

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