Liz Taylor: Mito

Os tais "olhos de Liz Taylor" não vieram à toa. Se é um tremendo clichê, um desses caminhos fáceis para se definir toda uma vida em poucas palavras, mencionar essa peculiaridade de azul-violeta acaba encontrando o que melhor situa a atriz na história do cinema: o mito.

A beleza fora do normal de Elizabeth Taylor, que na tela resultava numa imagem ideal, cumpria umas das características desse cinema clássico de astros e estrelas.

A atriz Elizabeth Taylor, morta aos 79 anos, no papel de Cleópatra em versão para o cinema em 1963
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Ao mesmo tempo, bem diferente das musas típicas como Greta Garbo ou Bette Davis, o corpo de Taylor era sempre uma questão nos filmes, fazendo uma perturbadora dialética com o rosto, ou seja, entre a imagem sacra e "iluminada" da face e o corpo em sua materialidade mundana, que tinha muito mais a ver com o cinema físico mais moderno que começava a surgir na Hollywood dos anos 50. Um mito levado à situação de risco. Um risco que consolidou seu mito, sua imagem eterna.

É com esse corpo, que parecia sugerir menos as formas, como o de Marilyn Monroe, e mais a própria dimensão carnal, da pele, algumas gordurinhas e seios querendo se fazer mostrar, que Elizabeth Taylor fez sua notável carreira.

Em síntese, o percurso da atriz vai da pureza de quando era uma garotinha, nos filmes de Lassie, nos anos 40, aos que fizera nos anos 60, ao lado de Richard Burton.

Ao longo da carreira, Liz Taylor conseguiu uma quase impossibilidade de atender a cinemas distinto. A imagem de culto típica do cinema clássico está impecável, por exemplo, em "Um Lugar ao Sol" (1951), de George Stevens, divinamente fotografada em preto-e-branco. Também em outro de Stevens, "Assim Caminha a Humanidade" (1956), no papel da mulher de um fazendeiro (Rock Hudson) e objeto de amor de James Dean.

Mas uma sexualidade "grosseira" à sacralidade do cinema tipo anos 1930, anuncia-se em "Gata em Teto de Zinco Quente" (1958), de Richard L. Brooks, inclusive pelo reconhecível timbre de voz da atriz, que remetia a instintos bastante sexuais, proibidos.

É, aliás, com essa voz que faz lembrar a presença de língua e saliva na boca que ela contracenaria com Marlon Brando no perturbador "O Pecado de Todos Nós" (1967). Tempos de outra Liz Taylor, afamada pelo escândalos extraconjugais, bebedeiras e amores loucos. Nesse clima, ela fez "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", de Mike Nichols, sobre a crise pequeno-burguesa, e pelo qual ganhou seu segundo Oscar.

Mas é "Cleópatra" (1963), de Joseph L. Mankiewicz, quem dá conta de Liz Taylor. Obra-prima injustiçada, inclusive pela própria Liz Taylor, foi aqui que ela conheceu Burton (traindo abertamente o então marido, Eddie Fisher, que ela roubara de Debbie Reynolds anos antes).

Foi aqui, também, o cenário das recorrentes doenças que Taylor tivera por toda a vida, dos atrasos, dos percalços de produção, do maior salário que uma atriz recebera até então (US$ 1 milhão). Uma típica superprodução, mas portadora de um conteúdo diferenciado, quase "avant garde" para os padrões.

Taylor faz esse duplo papel de musa e mundana do cinema, num falso épico cuja estrela carrega uma carga erótica um tanto perigosa para o cinema comercial, sobretudo numa produção quer custou cerca de US$ 44 milhões.

Mais que os olhos violetas, é uma obra arriscada como "Cléopatra" quem melhor condensa o longo percurso de uma artista que encontrou sua expressão pondo sempre em risco sua imagem de musa, de estrela eterna, mas sem jamais romper com suas origens.

 


K.Hepburn, Montgomery Clift e Liz Taylor em "De repente, no último verão

 

 


Butterfield 8 (1961)

 

 

Who's Afraid of Virginia Woolf? (1966)
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A place in the Sun (1951)

 

 

Giant (1956)

 

 

Cat on a Hot Tin Roof (1958)

 

 

Butterfield 8 (1961)

 

 

Reflections in a Golden Eye (1967)

 

 

Who's Afraid of Virginia Woolf? (1966)

 

 

Cleopatra (1966)

 

 

Morte de Liz Taylor representa fim de um tipo de estrela

A morte de Elizabeth Taylor representa o fim da "época de ouro" do cinema de Hollywood, de acordo com o crítico da Folha Pedro Butcher. "Ela se enquadra entre as maiores estrelas da época de ouro do cinema, ao lado de Audrey Hepburn e Marilyn Monroe, por exemplo", diz o crítico.

AA atriz com o produtor Mike Todd, seu marido na época, em um restaurante italiano, em 1958
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Butcher diz que a grande característica de Taylor "era a inquietação do ponto de vista das escolhas que ela fez como atriz", como "Cleópatra".

"Mas depois, nos anos 1950, ela faz uma série de escolhas bem mais arriscadas, como 'Assim Caminha a Humanidade' [...] e várias adaptações de textos de Tennessee Williams", conta Butcher.

Elizabeth Taylor e James Dean em cena de "Assim Caminha a Humanidade" (1956)
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Entre os filmes que o crítico destaca, estão "Quem tem medo de Virgínia Woolf?", de Williams e pelo qual Taylor ganhou um Oscar e "A Megera Domada", de Shakespeare --ambos adaptações de textos teatrais para o cinema.

 


Liz Taylor

Butcher comenta ainda que "a vida pessoal dela se misturou com a vida profissional o tempo todo, fizeram dela esse ícone que ultrapassou os limites da tela e de Hollywood".

 

Fontes: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/892860-elizabeth-taylor-fez-duplo-papel-de-musa-e-mundana-do-cinema.shtml; Elizabeth Taylor morre aos 79 anos - 23-03-2011 - UOL Celebridades - Da Redação.mht; EFE

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