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Literatura
Inglesa
Os dialetos
germânicos falados pelos anglos e pelos saxões
deram origem ao inglês. A palavra England, por exemplo,
originou-se de Angle-land (terra dos anglos). A partir daí,
a história da língua inglesa é dividida
em três períodos: Old English, Middle English
e Modern English. A segunda metade do século V, quando
ocorreram as invasões germânicas, marca o início
do período denominado Old English.
Em 432
A.D. St. Patrick inicia sua missão de levar o cristianismo
à população celta da Irlanda. Em 597
A.D. a Igreja manda missionários liderados por Santo
Agostinho para converter os anglo-saxões ao cristianismo.
O processo de cristianização ocorre gradual
e pacificamente, marcando o início da influência
do latim sobre a língua germânica dos anglos-saxões,
origem do inglês moderno. Esta influência ocorre
de duas formas: introdução de vocabulário
novo referente a religião e adaptação
do vocabulário anglo-saxão para cobrir novas
áreas de significado. A necessidade de reprodução
de textos bíblicos representa também o início
da literatura inglesa.

Elmo anglo-saxão
Àquele
período, a Inglaterra encontra-se dividida em sete
reinos anglo-saxões e o Old English, então falado,
na verdade não era uma única língua,
mas sim uma variedade de diferentes dialetos.
Os dialetos
do inglês antigo de antes do cristianismo eram línguas
funcionais para descrever fatos concretos e atender necessidades
de comunicação diária. O vocabulário
de origem greco-latina introduzido pela cristianização
expandiu a linguagem anglo-saxônica na direção
de conceitos abstratos.
Ao final
do século 8, iniciam os ataques dos Vikings contra
a Inglaterra. Originários da Escandinávia, esses
povos usavam de violência e seus ataques causaram destruição
em muitas regiões da Europa. Os vikings que se estabeleceram
na Inglaterra eram predominantemente provenientes da Dinamarca
e falavam dinamarquês. Esses mais de 200 anos de presença
de dinamarqueses na Inglaterra naturalmente exerceram influência
sobre o Old English. Entretanto, devido à semelhança
entre as duas línguas, torna-se difícil determinar
esta influência com precisão.

Old
English (500 - 1100 A.D.)
Old English,
às vezes também também denominado Anglo-Saxão,
comparado ao inglês moderno, é uma língua
quase irreconhecível, tanto na pronúncia, quanto
no vocabulário e na gramática. Para um falante
nativo de inglês hoje, das 54 palavras do Pai Nosso
em Old English, menos de 15% são reconhecíveis
na escrita, e provavelmente nada seria reconhecido ao ser
pronunciado. A correlação entre pronúncia
e ortografia, entretanto, era muito mais próxima do
que no inglês moderno. No plano gramatical, as diferenças
também são substanciais. Em Old English, os
substantivos declinam e têm gênero (masculino,
feminino e neutro), e os verbos são conjugados.
A Batalha
de Hastings em 1066, foi um evento histórico de grande
importância na história da Inglaterra. Representou
não só uma drástica reorganização
política, mas também alterou os rumos da língua
inglesa, marcando o início de uma nova era.

Durante
os 300 anos que se seguiram, principalmente nos 150 anos iniciais,
a língua usada pela aristocracia na Inglaterra foi
o francês. Falar francês tornou-se então
condição para aqueles de origem anglo-saxônica
em busca de ascensão social através da simpatia
e dos favores da classe dominante.

Middle
English (1100 - 1500)
O elemento
mais importante do período que corresponde ao Middle
English foi, sem dúvida, a forte presença e
influência da língua francesa no inglês.
Essa verdadeira transfusão de cultura franco-normanda
na nação anglo-saxônica, que durou três
séculos, resultou principalmente num aporte considerável
de vocabulário. Isto demonstra que, por mais forte
que possa ser a influência de uma língua sobre
outra, esta influência normalmente não vai além
de um enriquecimento de vocabulário, dificilmente afetando
a pronúncia ou a estrutura gramatical.

Henri d'Anjou, duc de Normandie
duc d'Aquitaine, and Henry II, king of England
O passar
dos séculos e as disputas que acabaram ocorrendo entre
os normandos das ilhas britânicas e os do continente,
provocam o surgimento de um sentimento nacionalista e, pelo
final do século 15, já se torna evidente que
o inglês havia prevalecido. Até mesmo como linguagem
escrita, o inglês já havia substituído
o francês e o latim como língua oficial para
documentos. Também começava a surgir uma literatura
nacional.
Muito
vocabulário novo foi incorporado com a introdução
de novos conceitos administrativos, políticos e sociais,
para os quais não havia equivalentes em inglês.
Em alguns casos, entretanto, já existiam palavras de
origem germânica, as quais, ou acabaram desaparecendo,
ou passaram a coexistir com os equivalentes de origem francesa,
em princípio como sinônimos, mas, com o tempo,
adquirindo conotações diferentes.
Pequenas
diferenças dialetais resultantes desta simbiose entre
diferentes grupos sociais e suas respectivas línguas
podem ser observadas ainda atualmente. Nos meios intelectuais
das classes mais privilegiadas dos países de língua
inglesa existe até hoje uma tendência a um uso
maior de palavras de origem latina.
Além
da influência do francês sobre seu vocabulário,
o Middle English se caracterizou também pela gradual
perda de declinações, pela neutralização
e perda de vogais atônicas em final de palavra e pelo
início do Great Vowel Shift.

Paul
Strohm (ed), Middle English (Oxford, 2007) This
volume appears as the first in a series called 'Oxford Twenty-First
Century Approaches to Literature'. As its editor explains
in the introduction, it is not really designed to be a companion
to anything.

The
Great Vowel Shift
Uma acentuada
mudança na pronúncia das vogais do inglês
ocorreu principalmente durante os séculos 15 e 16.
Praticamente todos os sons vogais, inclusive ditongos, sofreram
alterações e algumas consoantes deixaram de
ser pronunciadas. De uma forma geral, as mudanças das
vogais corresponderam a um movimento na direção
dos extremos do espectro de vogais.

O sistema
de sons vogais da língua inglesa antes do século
XV era bastante semelhante ao das demais línguas da
Europa ocidental, inclusive do português de hoje. Portanto,
a atual falta de correlação entre ortografia
e pronúncia do inglês moderno, que se observa
principalmente nas vogais, é, em grande parte, conseqüência
desta mudança ocorrida no século XV.

Modern
English (a apartir de 1500)
Enquanto
que o Middle English se caracterizou por uma acentuada diversidade
de dialetos, o Modern English representou um período
de padronização e unificação da
língua. O advento da imprensa em 1475 e a criação
de um sistema postal em 1516 possibilitaram a disseminação
do dialeto de Londres - já então o centro político,
social e econômico da Inglaterra. A disponibilidade
de materiais impressos também deu impulso à
educação, trazendo o alfabetismo ao alcance
da classe média.
A reprodução
e disseminação de uma ortografia finalmente
padronizada, entretanto, coincidiu com o período em
que ocorria ainda a Great Vowel Shift. As mudanças
ocorridas na pronúncia a partir de então, não
foram acompanhadas de reformas ortográficas, o que
revela um caráter conservador da cultura inglesa. Temos
aí a origem da atual falta de correlação
entre pronúncia e ortografia no inglês moderno.
O processo
de padronização da língua inglesa iniciou
em princípios do século XVI com o advento da
litografia, e acabou fixando-se nas presentes formas ao longo
do século 18, com a publicação dos dicionários
de Samuel Johnson em 1755, Thomas Sheridan em 1780 e John
Walker em 1791. Desde então, a ortografia do inglês
mudou em apenas pequenos detalhes, enquanto que a sua pronúncia
sofreu grandes transformações. O resultado disto
é que hoje em dia temos um sistema ortográfico
baseado na língua como ela era falada no século
XVIII, sendo usado para representar a pronúncia da
língua no século XX.

Thomas
Sheridan. (1719-1788)
Da mesma
forma que os primeiros dicionários serviram para padronizar
a ortografia, os primeiros trabalhos descrevendo a estrutura
gramatical do inglês influenciaram o uso da língua,
incorporando conceitos gramaticais das línguas latinas
e trazendo uma uniformidade gramatical. Durante os séculos
XVI e XVII ocorreu o surgimento e a incorporação
definitiva do verbo auxiliar do para frases interrogativas
e negativas. A partir do século XVIII passou a ser
considerado incorreto o uso de dupla negação
numa mesma frase como, por exemplo: She didn't go neither.

Shakespeare
William
Shakespeare (1564-1616), representou uma forte influência
no desenvolvimento de uma linguagem literária. Sua
imensa obra é caracterizada pelo uso criativo do vocabulário
então existente, bem como pela criação
de palavras novas. Substantivos transformados em verbos e
verbos em adjetivos, bem como a livre adição
de prefixos e sufixos e o uso de linguagem figurada são
freqüentes nos trabalhos de Shakespeare.

Shakespeare
( picture for b5media.com )
Ao mesmo
tempo em que a literatura se desenvolvia, o colonialismo britânico
do século XIX, levava a língua inglesa a áreas
remotas do mundo, proporcionando contato com culturas diferentes
e trazendo novo enriquecimento ao vocabulário do inglês.
Desde
o início da era cristã até o século
XIX, seis idiomas chegaram a ser falados na Inglaterra: Celta,
Latim, Old English, Norman French, Middle English e Modern
English. Essa diversidade de influências explica o fato
de ser o inglês uma língua menos sistemática
e menos regular, quando comparado às línguas
latinas e mesmo ao alemão. Poderia nos levar a concluir
também que o inglês de hoje pode ser comparado
a uma colcha feita de retalhos de tecidos de origem das mais
diversas.

O
inglês como língua do mundo
Fatos
históricos recentes explicam o atual papel do inglês
como língua do mundo.
Em primeiro
lugar, temos o grande poderio econômico da Inglaterra
nos séculos XVIII, XIX e XX, alavancado pela Revolução
Industrial, e a conseqüente expansão do colonialismo
britânico. Esse verdadeiro império de influência
política e econômica atingiu seu ápice
na primeira metade do século XX, com uma extensão
territorial que alcançava 20% das terras do planeta.
O British Empire chegou a ficar conhecido como "the empire
where the sun never sets" devido à sua vasta abrangência
geográfica, provocando uma igualmente vasta disseminação
da língua inglesa.

Estátua
da Liberda - Nova York
Em segundo
lugar, o enorme poderio político-militar do EUA a partir
da segunda guerra mundial e a marcante influência econômica
e cultural resultante, acabaram por deslocar o francês
como língua predominante nos meios diplomáticos
e solidificar o inglês na posição de padrão
das comunicacões internacionais. Simultaneamente, ocorre
um rápido desenvolvimento do transporte aéreo
e das tecnologias de telecomunicação. Surgem
os conceitos de information superhighway e global village
para caracterizar um mundo no qual uma linguagem comum de
comunicação é imprescindível.

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