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Lançamentos 2009 / 2010
Let It Roll (2009)
George Harrison
George Harrison sempre foi considerado pela mídia o integrante mais tímido, calado e zen dos Beatles. Mas, se Harrison era assim em suas atitudes, o mesmo não pode ser dito de suas composições, verdadeiras monstruosidades no campo da criatividade e da beleza.
"Let It Roll" não se trata de um "best of" e nem de um apanhado geral da carreira do famoso guitarrista britânico. É, na verdade, uma coletânea que contempla canções de duas fases de sua carreira solo: uma entre os anos de 1970 e 1973, e outra de 1987 a 2002 (ano em que saiu o álbum póstumo "Brainwashed"), selecionadas por familiares e amigos próximos do músico.
Apesar de ser um punhado de canções de épocas diversas, "Let It Roll" flui de forma natural e sem um pingo de esforço. Além das músicas dos discos solo de estúdio de Harrison, três faixas do álbum ao vivo "The Concert For Bangladesh" aparecem na coletânea: "While My Guitar Gently Weeps", "Something" e "Here Comes The Sun" -- algumas das canções mais bonitas dos Beatles, de sua autoria.
Muito da boa sonoridade do disco está, obviamente, no fato de termos aqui somente boas canções, mas não apenas isso. A remasterização de Giles Martin, filho do produtor George Martin (considerado por muitos o quinto Beatle), deu novo ar às canções e uma importante unidade ao todo.
O álbum é recheado de belas representações de sua criatividade sem igual --sejam em hits ou não--, como é o caso de faixas como "My Sweet Lord", "All Those Years Ago", "What Is Life" e "Isn't It A Pity". Há ainda espaço para "Cheer Down", colaboração com Tom Petty, e "I Don't Wanna Do It", de Bob Dylan.
Muitos podem reclamar, uma vez que este não é um documento musical trazendo os maiores sucessos de George Harrison ou a coletânea definitiva do guitarrista. Para os que conseguem se libertar deste sentimento, "Let It Roll" passa a ser um disco com 19 impecáveis canções de um dos compositores mais brilhantes que já passou por aqui.
The Sea (2010)
Corinne Bailey Rae
Quatro anos depois do primeiro álbum, que levava seu nome, e do sucesso gigantesco e inesperado da canção Put your records on, a cantora inglesa Corinne Bailey Rae deixa o isolamento no qual mergulhou depois da morte do marido, o saxofonista Jason Rae, vítima de uma overdose, em 2008, e lança o segundo disco, "The Sea".
E, se à primeira vista o CD não traz nenhuma música capaz de "grudar" nos ouvidos e se transformar em hit imediato das emissoras FM, dos downloads clandestinos na internet e das playlists do público mais jovem, como ocorreu com a já citada Put your records on, a essência de melancolia e sentimentos exacerbados, que é a marca registrada da intérprete e compositora, está intacta em "The Sea".
O momento mais pungente é I'd do it all again, a segunda canção, um réquiem de Corinne para Jason Rae, uma despedida comovida e comovente, embalada pela voz suave e extremamente afinada da intérprete. O arranjo propositalmente simples contribui ainda mais para o tom autoral e existencialista da obra de Corinne, com ressonância em outros momentos do CD, como em Are you here, que abre o disco, e I would like to call it beauty, quase que sussurrada em nossos ouvidos. Mas tudo de uma maneira sutil, dentro da aura de elegância que caracteriza a intérprete.
Da mesma forma, os momentos mais alegres de "The Sea" também se revelam sem exageros. The blakest Lily é o maior exemplo disso. De longe, é a faixa mais dançante do álbum e, apesar de os recursos eletrônicos se mostrarem redundantes em alguns instantes, o resultado é agradável e entusiasma. Feels like the first time, embora um pouco mais lenta, também se apresenta com uma roupagem mais vistosa. Paris nights/New York mornings segue a mesma trilha, quase que contrapontos à dor, à desesperança e aos sentimentos de tristeza expressos nas outras faixas.
Mas The sea vai além da vocação intimista de Corinne Bailey Rae, voltada para canções que falam quase que exclusivamente das emoções humanas e do drama pessoal que viveu quando da morte do marido. Revela que as influências da música negra estão cada vez mais presentes em suas criações, em especial o rhythm and blues, embora ela (autora das 11 faixas do CD) não se prenda a esse gênero e chegue a flertar até com o rap em alguns momentos da doce Diving for hearts.
Revela também que, aos 30 anos, Corinne Bailey Rae soube exorcizar com segurança a maldição do segundo disco e se sai muito bem quatro anos depois de se tornar a queridinha da mídia e da crítica, ansiosa por intérpretes menos comerciais e que realmente tenham algo a mostrar. "The Sea" é agradável do princípio ao fim, com nuances de arranjos e citações de ritmos variados que merecem uma audição apurada. É como se a cantora quisesse mostrar que acompanhou o amadurecimento de seus fãs e também está mais madura.
Apontada como diva do neosoul, redescobridora do rhythm and blues e até como compositora de jazz, tamanha a variedade das fontes em que busca inspiração, o que a inglesa nascida em Leeds deixa claro é que o diversificado universo da música pop não reserva espaço apenas para a pirotecnia de estrelas de última hora e que a sobriedade e a elegância não estão fora de moda.
Heligold (2010)
Massive Attack
Bristol calling: a psicodelia do Massive Attack ecoa uma vez mais pelas ondas sonoras. A banda, encabeçada pelos fundadores Robert "3D" del Naja e Grant "Daddy G" Marshall, apresenta "Heligoland", que encerra um hiato de sete anos na discografia e mata a sede sonora dos fãs que aguardavam desde "100th Window" (2003).
O trabalho marca a reaproximação de Marshall ao processo criativo do coletivo, após discos com administração predominante de Del Naja (entre 2001 e 2005 "Daddy G" esteve oficialmente fora do Massive Attack).
A sonoridade que ajudou a definir o conceito de trip hop no início dos anos 90, junto a grupos como Portishead e Morcheeba, se faz presente como num eco, transportado no tempo, porém devidamente atualizado. Climas densos, sombrios, mas com batidas que dissipam de repente a paranoia num ritmo dançante, original. Timbres orgânicos, de instrumentos reais, misturados a texturas eletrônicas.
Valleys of Neptune (2010)
Jimi Hendrix
A Sony lançou no dia 8 de março de 2010 um novo álbum do lendário guitarrista Jimi Hendrix, "Valleys of Neptune", com inéditas gravadas em estúdio há cerca de 40 anos.
As músicas foram gravadas entre maio de 1967 e maio de 1970, mas a maioria do material foi registrado em 1969, um ano antes de sua morte. Ás últimas passagens da Jimi Hendrix Experience por estúdio revelam um desejo de transformação evidenciado pela participação de um novo baixista, Billy Cox.
Entre as faixas contam-se cinco inéditos absolutos, duas "covers" - "Sunshine of Your Love" dos Cream e "Bleeding Heart", original do bluesman Elmore James - e releituras de temas que integravam o reportório de Jimi, como "Stone Free".
Muitas das faixas ultrapassam os seis minutos, sinal de que estas eram sessões exploratórias de um homem que procurava definir o próximo passo de uma carreira que teria explodido nos anos 70 para dimensões inimagináveis.

Em entrevista ao LA Times, Janie Hendrix, meia-irmã do músico e presidente da empresa que cuida do seu legado, disse que algumas das faixas do disco foram gravadas no estúdio na casa dele. “Seu brilho está em cada uma dessas faixas preciosas”, ressaltou Janie.
Além do disco Valleys of Neptune, outros lançamentos estão agendados. Entre eles, os discos “Are You Experienced?”, “Axis: Bold A s Love”, “Electric Ladyland” e “First Rays of the New Rising Sun” que foram relançados em CD/DVD e em vinil. Um documentário em DVD, um iPod com o logo de Jimi Hendrix, uma versão com sua temática do jogo "Rock Band", e também o DVD e Blu-Ray de "Live at Woodstock" fazem parte do material.
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Valleys of Neptune
01. Stone Free
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Billy Cox
Bateria: Mitch Mitchell
Vocal de apoio: Roger Chapman, Andy Fairweather Low
02. Valleys Of Neptune
Gravado: Record Plant, Nova Iorque 1969 e 1970
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Bateria: Mitch Mitchell
Baixo: Billy Cox
Percussão: Juma Sultan
03.Bleeding Heart
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Billy Cox
Bateria: Rocky Isaac
Tamborim: Chris Grimes
Maracás: Al Marks
04. Hear My Train A Comin'
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
05. Mr. Bad Luck
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1967
Produzido: Chas Chandler
Gravação adicional de baixo e bateria, Air Studios, Londres, 1987
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
06.Sunshine Of Your Love
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
Percussão: Rocki Dzidzornu
07.Lover Man
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
08. Ships Passing Through The Night
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
09.Fire
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo, Voz de apoio: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
10. Red House
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
11. Lullaby For The Summer
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Mixagem: Eddie Kramer
Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
12. Crying Blue Rain
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Gravação adicion al de baixo e bateria, Air Studios, Londres, 1987
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Percussão: Rocki Dzidzornu
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell |
Fontes: FLÁVIO SEIXLACK; MARCO BRITTO (http://musica.uol.com.br/); Álvaro Fraga - EM Cultura; Redação Onne; Pop Internet; Rui Miguel Abreu(Blitz)
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