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Hamilton:
brilhante, extraordinário, excepcional, humilde...um
campeão de verdade!
Livio Oricchio
Quem
decidiu não assistir ao GP do Canadá por acreditar
que a prova, seria como a de Mônaco, sem maiores emoções,
certamente se arrependeu: aconteceu de tudo no circuito Gilles
Villeneuve. O cada vez mais brilhante Lewis Hamilton, da McLaren,
deu mais um show, venceu a corrida, isolando-se na liderança
do Mundial, e seu companheiro, Fernando Alonso, perdido diante
da eficiência do estreante, foi apenas sétimo.
Mais:
Felipe Massa, Ferrari, acabou desclassificado e Robert Kubica,
BMW, gastou seis das suas sete vidas ao sair vivo de um acidente
pavoroso. O safety car entrou na pista quatro vezes, diante
de mais de 100 mil entusiasmados torcedores.

McLaren
/ Lewis Hamilton
Está
ficando cada vez mais difícil os fãs, a equipe
e a imprensa encontrarem adjetivos para qualificar o trabalho
de Hamilton, 22 anos. Bastante emocionado ao falar com os
jornalistas, afirmou: “Dedico essa vitória a
meu pai. Sem ele nada disso seria possível.”
Tinha lágrima nos olhos.
Anthony
Hamilton, pai do primeiro piloto negro da F-1, chegou a ter
três empregos para permitir que o filho seguisse carreira
no automobilismo. “Precisei me controlar no fim, gritava,
gritava no rádio da nossa equipe”, contou Hamilton.
“Hoje estou em outro planeta, primeira pole, primeira
vitória, primeira vez aqui no Canadá. Próximo
sonho que desejo realizar? Ser campeão.”
E
o campeonato começa a se desenhar mais a seu favor
do que a qualquer outro adversário. Fernando Alonso
demonstrou não saber conviver com um companheiro tão
ou, quem sabe, já mais eficiente que ele. Errou na
largada ao tentar ultrapassá-lo e perdeu o segundo
lugar para Nick Heidfeld, da BMW.
O
espanhol procurou desculpas no novo regulamento do safety
car, que impede de os carros entrarem nos boxes até
que todos os pilotos alinhem conforme a colocação
da corrida. “Fui o mais prejudicado por esse regulamento
enquanto meu parceiro na McLaren o maior favorecido”,
afirmou Alonso. Teve de cumprir um stop and go por entrar
no box para o primeiro pit stop enquanto estava ainda fechado.
Ao
ver Alonso tentar ultrapassá-lo por fora na primeira
curva, depois da largada, Hamilton sorriu: “E o vi e
disse a mim mesmo...não.” Alonso seguiu reto.
“Ele ainda cruzou na minha frente e o passei”,
explicou o inglês. Para manter o “bom relacionamento”
com Alonso, Hamilton falou: “Tenho certeza de que ele
irá se recuperar. É bicampeão do mundo.
Já na próxima etapa (EUA, domingo) ele será
o piloto forte de sempre.”
Mas
enquanto o asturiano viveu seu inferno astral, ontem, também
com problemas nos freios, Hamilton comentou que ao menos para
ele, de dentro do cockpit, não deu para sentir o caos
reinante na maioria das 70 voltas da sexta prova do campeonato.
“Honestamente, foi uma corrida fácil, a não
na largada e nas relargadas.” Não manteve o giro
ideal para começar a competição, conforme
explicou, e por isso quase perde a liderança para Nick
Heidfeld, ótimo segundo, com BMW.
Apesar
de nunca ter disputado uma única corrida nos seletivos
e perigosos 4.361 metros do traçado de Montreal, Hamilton
não cometeu um único erro. Nem no melhor dos
seus sonhos acreditou chegar ao pódio nas seis primeiras
etapas do calendário no seu ano de estréia,
tampouco liderar sozinho o Mundial, como agora, com 48 pontos,
diante de 40 de Alonso e os mesmos 33 de Massa.
“Sei
que vivo um momento especial, mas tenho consciência
de que também enfrentaria dias difíceis.”
Se depender apenas da capacidade demonstrada até agora,
será pouco provável.
Alexander
Wurz, da Williams, completou o pódio, em terceiro,
para se ter uma idéia do quão bizarra foi a
competição, e Rubens Barrichello, da Honda,
com estratégia também estranha, terminou em
12º, apesar de ser terceiro a sete voltas da bandeirada,
quando fez seu 2º pit stop.
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Alonso
sobre pressão
Flavio
Briatore, diretor da Renault, e como sempre gosta de dizer
“o descobridor de Fernando Alonso”, evitou ao
máximo, domingo, comentar o desempenho de seu ex-piloto,
hoje na McLaren, na corrida do Canadá.
“Todos
nós podemos ter dias como o dele”, limitou-se
a dizer. A verdade é uma só: o bicampeão
do mundo está em xeque. Errou inúmeras vezes
no circuito Gilles Villeneuve, classificou-se apenas em sétimo,
e pior, perdeu a liderança do campeonato para seu companheiro,
um estreante, Lewis Hamilton, o vencedor.
É
uma situação inusitada para o espanhol. De quando
passou a competir na F-1, em 2001, até ano passado,
nunca teve um companheiro de equipe capaz de lhe exigir demais.
Agora Hamilton o está fazendo perder a cabeça.
Domingo,
para a imprensa de seu país, atribuiu o sétimo
lugar na prova e a queda para a segunda colocação
no Mundial, com 40 pontos diante de 48 de Hamilton, à
nova regra do satefy Car: “Fui o piloto mais prejudicado
e ele o maior favorecido.” O sucesso de Hamilton, com
um carro igual ao seu, o está incomodando demais, a
ponto de cometer seguidos erros e demonstrar uma certa dorzinha
de cotovelo.
Na
classificação para o grid, sábado, equivocou-se
no hairpin ao tentar superar o tempo de Hamilton e ficou em
segundo. O inglês largou na pole position. Na largada,
tentou uma ultrapassagem impossível, saiu da pista,
como com Felipe Massa em Barcelona, e perdeu a posição
para Nick Heidfeld, da BMW.
Logo
depois freou tarde demais na primeira curva o que permitiu
Massa ultrapassá-lo. Não respeitou, ainda, o
sinal vermelho na entrada de box, quando o safety car foi
acionado, na 22ª volta, e sofreu stop and go.
A
expressão de Alonso depois da corrida revela que se
não parar e refletir como enfrentar a situação
pode comprometer ainda mais sua situação no
campeonato ou, pior, expor-se a riscos maiores do que já
corre.
Já
Hamilton, depois de vencer pela primeira vez na carreira,
em seu sexto GP – nos outros cinco sempre classificou-se
no pódio -, virou manchete no mundo todo. “O
menino negro, jovem e talentoso, que venceu preconceitos e
superou as dificuldades de um esporte exclusivo para ricos”,
como o descreveu Kevin Garside, do The Daily Telegraph.
“Depois
da performace de nossa equipe em Mônaco e aqui no Canadá
vou para Indianápolis com enorme confiança”,
afirmou Hamilton em Montreal.
Hamilton
não conhecia o circuito Gilles Villeneuve, assim como
nunca disputou o GP dos Estados Unidos. Mas parece que para
o superpiloto esse é apenas um detalhe sem maior importância.
Evita
polêmicas com Alonso o tempo todo, apesar de saber que
o companheiro o acusou através da imprensa espanhola
de ter falado demais na entrevista depois da corrida de Mônaco,
quando deu a entender que a direção da McLaren
o prejudicou. E para favorecer Alonso. “Ele é
bicampeão do mundo. Tenho certeza de que no próximo
GP virá com toda sua força.” A relação
de ambos já não é a melhor.

Trajetória
Seu
avô paterno, Davidson, deixou Trinidad ainda jovem para
tentar a sorte na Inglaterra. Anthony, seu pai, teve três
empregos para bancar sua habilidade. Hoje Lewis Hamilton vive
um "um momento de sonho", enquanto o dono-chefe
da McLaren, Ron Dennis, esfrega as mãos de contente,
ao confirmar todas as expectativas depositadas no seu protegido,
que entrou na Fórmula 1 sem passar sequer pela fase
de piloto de testes, ao contrário do que aconteceu,
por exemplo, com Alonso na Renault.
Integrado
no programa de jovens pilotos da McLaren desde 1998, Lewis
conheceu Dennis aos dez anos, quando ainda criança
confidenciou que gostaria de vir, um dia, a pilotar para a
casa de Woking. E se Dennis sorriu, naquele momento, mais
motivos teve, mais tarde, para se mostrar satisfeito, quando
Lewis ganhou o primeiro campeonato de karting organizado para
as jovens esperanças no centro de formação
da McLaren, vencendo dez das 15 corridas da prova.
Em 2005 competiu na Fórmula 3 européia, campeonato
que venceu de forma arrasadora. Em 2006 compete na GP2 no
lugar do campeão Nico Rosberg, que se transferiu para
a Fórmula 1.
Hamilton
competia com o apoio da equipe Mclaren de Fórmula 1
e era observado com curiosidade no meio automobilístico,
no final de 2006 foi anunciado pela McLaren como o piloto
da equipe para a temporada 2007 onde corre ao lado do atual
campeão Fernando Alonso. Hamilton é o primeiro
piloto com ascendência africana (negra) a pilotar um
carro de Fórmula 1 como titular de uma equipe. Em seu
primeiro GP na categoria o GP da Austrália conseguiu
um terceiro lugar.
A
sua primeira vitória foi no Grande Prêmio do
Canadá de 2007.

Site
Oficial de Lewis Hamilton
Fontes:
Livio Oricchio; O Estado de S.Paulo; Rede Globo; Jorge Alves
Barata; Wikipedia
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