Grandes atletas dos Jogos Olímpicos

Michael Phelps (EUA) - 2004 Atenas

Aos 19 anos, Michael Phelps chegou a Atenas sob a promessa de quebrar o recorde de sete medalhas de ouro de seu compatriota Mark Spitz, em Munique-72. Por muito pouco, Phelps não obteve o feito. Mas foi o grande nome dos Jogos, com seis ouros em oito medalhas.


On the way: Michael Phelps made a record breaking
start towards his eight gold medal target Photo: Reuters

Além disso, Phelps obteve outros recordes: tornou-se o nadador que mais vezes subiu ao pódio em uma única edição dos Jogos, igualando-se apenas ao ginasta soviético Aleksandr Dityatin, que conseguiu o mesmo trunfo em Moscou 1980. O norte-americano também igualou-se a Spitz como o segundo nadador com mais medalhas de ouro em provas individuais em uma Olimpíada. Phelps venceu os 200 m e 400 m medley, e os 100 m e 200 m borboleta.

Volei Feminino de Cuba - 2000 Sidney


Regla Bell #8 of Cuba spikes the ball during the Olympic Women's Indoor Volleyball competition at the Sydney Entertainment Centre in Sydney, Australia on September 16, 2000. (Photo by Doug Pensinger/Getty Images)

A equipe alcançou o terceiro título olímpico no vôlei feminino. Além da façanha inédita, as caribenhas eliminaram por duas vezes seguidas o Brasil na fase semifinal. A conquista marcou a despedida de um dos maiores mitos do esporte, a atacante Mireya Luís, 36, que esteve presente em todas as conquistas e tornou-se o ícone do sexteto cubano.

Michael Johnson (EUA) - 1996 Atlanta

Em casa, o norte-americano Michael Johnson entrou para a história das Olimpíadas ao tornar-se o primeiro corredor a vencer as provas dos 200 m e 400 m rasos em uma mesma edição.

Johnson chegou em Atlanta com um currículo invejável, 54 vitórias na disputa dos 400 m. E confirmou o favoritismo com novo recorde mundial, 43s49. A distância do norte-americano para o segundo colocado, o britânico Roger Black, foi a maior em 100 anos da competição. Três dias depois de conquistar o primeiro ouro, Michael Johnson voltou à pista para vencer os 200 m.


Michael Johnson of the USA on his way to gold in the mens 400 metres at
the Olympic Stadium at the 1996 Centennial Olympic Games in Atlanta, Georgia.

Mais uma vez, Johnson superou seu próprio recorde mundial, 19s66, e cravou 19s32 para vencer os 200 m rasos. Depois da façanha, Johnson não se conteve. “Gostaria de estar na arquibancada para assistir ao que eu fiz”, declarou o atleta, que teve sapatilhas douradas feitas por sua patrocinadora especialmente para ele.

Nascido em Dallas, no dia 13 de setembro de 1967, Michael Duane Johnson chegou à Olimpíada de Atlanta como campeão mundial nas duas provas. Mas para realizar o duplo sonho olímpico, fez um apelo ao COI e às federações de atletismo para que o programa olímpico de Atlanta o permitisse correr nas duas provas.

"Magic" Johnson (EUA) - Barcelona 1992

Geralmente os destaques em Jogos Olímpicos são atletas que competem em provas individuais. Em Barcelona-1992, porém, todos os holofotes estiveram focados sobre uma estrela dos esportes coletivos: Ervin “Magic” Johnson.


Magic Johnson drives by Angola's Anibal Moreira
at the Barcelona Olympics in 1992. (Source:AP)

Líder natural, por carisma e habilidade, Magic Johnson teve como missão curar as feridas provocadas pelo fracasso do basquete norte-americano nos Jogos de Seul (terceiro colocado). Tarefa fácil para um jogador que tinha na sua equipe astros como Charles Barkley, Larry Bird, Clyde Drexler, Patrick Ewing, Earvin 'Magic' Johnson, Michael Jordan, Christian Laettner, Karl Malone, Chris Mullin, Scottie Pippen, David Robinson e John Stockton. Resultado: medalha de ouro no peito.

No torneio olímpico, o "Dream Team" não encontrou nenhum adversário à altura em sua trajetória vitoriosa rumo ao ouro olímpico. Foram oito jogos, e oito vitórias incontestáveis. O jogo mais difícil que os EUA tiveram àquela época foi a final contra a Croácia, em que os norte-americanos impuseram uma vantagem de 32 pontos, 117-85.

Considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, o norte-americano começou a carreira na Universidade de Michigan. Com seus 2,06 m de altura, jogava em todas as posições, destacando-se pela grande facilidade em converter lances de três pontos e em conseguir “triples-doubles”. Em 1979, no seu segundo ano como universitário, ganhou o título da liga NCA. Decide então abandonar a universidade e se incorpora a liga profissional norte-americana (NBA).

Escolhido pela equipe do Los Angeles Lakers, joga até retirar-se da quadras em 1990, quando divulga que é portador do vírus HIV. Volta a jogar em 1992, especialmente para as Olimpíadas de Barcelona. Logo após os Jogos, Magic Johnson encerra a carreira de vez.

Além do título olímpico, Magic foi campeão universitário (1979) e da NBA (1980/82/85/87/88). Pela liga profissional norte-americana, foram 906 partidas disputadas, com 17.707 pontos e 10.141 assistências.

Florence Griffith (EUA) - Seul 1988

Rainha dos Jogos, a norte-americana Florence Griffith-Joyner ganhou três ouros, nos 100 e 200 m (batendo o recorde mundial nas duas oportunidades) e no revezamento 4 x 100 m, além de uma de prata no revezamento 4 x 400 m.


Florence - Seul, 1988

Nasceu em Los Angeles e desde cedo mostrou aptidão para as corridas de distância curta. Esteve presente nos primeiros Campeonatos do Mundo de Atletismo em 1983, onde ficou em 4º lugar na corrida dos 200 metros. Nos Jogos Olímpicos de 1984, Flo-Jo chamou a atenção do público e da imprensa pela sua medalha de prata nos 200 metros, mas também pelo seu estilo extravagante.

Florence morreu na noite de 21 de Setembro de 1998. A causa do óbito foi asfixia acidental na almofada, durante um ataque de epilepsia, causada por uma mal formação congénita do cérebro. A família Joyner revelou depois, que Flo-Jo vinha sofrendo de convulsões desde 1990.

Carl Lewis (EUA) - Los Angeles 1984

Um dos maiores atletas de todos os tempos, o norte-americano Carl Lewis viveu seu auge nos Jogos de 1984, em que faturou quatro medalhas de ouro. A primeira, nos 100 metros rasos, vencida com 20 centésimos e 2,5 metros de vantagem para o segundo colocado, seu compatriota Sam Graddy. Lewis cravou 9s99.


Los Angeles, 4 August 1984, Coliseum Stadium. Men's 100m final of the Games of the XXIII Olympiad: Carl LEWIS of the United States after his victory. Credit: Getty Images/DUFFY Tony

O segundo ouro veio no salto em distância. Logo em seu primeiro salto, Lewis alcançou a marca de 8,54 m. Preocupado com a prova dos 200 m, porém, preferiu se poupar, e não se apresentou nas séries seguintes. Sob vaias do público, que esperavam sua apresentação, ele saltou na quinta série, mas queimou a marca. Mesmo assim, Lewis venceu, uma vez que seus rivais diretos não passaram dos 8,24 m.

Nos 200 m, enfim, Lewis quebrou o recorde olímpico e levou seu terceiro ouro, com 19s80. A última conquista foi com o quarteto norte-americano do revezamento 4x100 m, que lhe valeu o quarto ouro.

Aleksandr Dityatin (URSS) - Moscou 1980

Entre os vencedores das provas masculinas da ginástica, o herói da delegação caseira foi Aleksandr Dityatin, que obteve um feito inédito entre os ginastas. No individual geral (que combina os exercícios barra, paralelas, salto sobre o cavalo, cavalo com alças, argolas e solo), ele foi o primeiro ginasta a receber uma nota 10, com um salto irrepreensível.


Aleksandr Dityatin Moscou 1980

No total, Dityatin abocanhou oito medalhas: três ouros, nas argolas e nos exercícios combinados por equipes e individuais; quatro pratas, nas barras horizontal e paralelas, salto sobre o cavalo e cavalo com alça; e um bronze, no exercício de solo.

Sob aplausos de sua torcida em Moscou, Dityatin subiu oito vezes ao pódio. Em um único dia de apresentações, 25 de julho, foram seis medalhas conquistadas pelo soviético. Com isso, Dityatin marcou seu nome na história das Olimpíadas como o maior vencedor em uma edição dos Jogos. Atualmente, Dityatin divide esse feito com o nadador norte-americano Michael Phelps, que em Atenas-2004 ganhou oito medalhas olímpicas (seis de ouro e duas de bronze).

Quando deixou as competições, Dityatin continuou envolvido com a ginástica artística, e só se afastou do esporte em 1995, quando deixou o cargo de treinador da equipe russa.

Nadia Comaneci (ROM) - Montreal 1976

Com apenas 14 anos, 1,50 m e 35 kg, a jovem Nadia Comaneci cravou seu nome na história da ginástica artística em Montreal. As atuações precisas e cheias de graça da prodígia romena deixaram os árbitros embasbacados, e lhe renderam três medalhas de ouro.


Nadia Comaneci Montreal 1976

Nadia triunfou nas barras assimétricas e na trave de equilíbrio; à frente de outras 85 ginastas, no individual geral (que reúne as provas de salto sobre o cavalo, barras assimétricas, trave de equilíbrio e solo). Pela primeira vez na história dos Jogos, ela recebeu sete notas 10 dos jurados, pontuação máxima e até então inédita a uma ginasta. Além disso, Nadia foi a melhor ginasta da equipe da Romênia, que levou a medalha de prata, perdendo apenas para a União Soviética. Por fim, ainda alcançou o bronze na prova de solo. A exuberante apresentação valeu à pequena ginasta o título de "Rainha de Montreal". Quando retornou ao seu país, o governo romeno lhe deu a medalha de Heroína Socialista do Trabalho.

A atleta, ainda uma criança, não sabia o que fazer diante de tantas câmeras e flashes. Quando questionada sobre sua maior vontade após o triunfo olímpico, Nadia respondeu timidamente: "Voltar para casa".

Quatro anos depois, nos Jogos de Moscou 1980, Nadia foi à sua segunda Olimpíada, então aos 18 anos. Em 1980, Nadia disputou os Jogos Olímpicos de Moscou de um modo bem diferente, a começar pelo visual, com cabelos mais curtos. A romena conquistou o bicampeonato olímpico na trave e também venceu a disputa de solo. No individual geral, ficou por 0,75 pontos atrás da soviética Yelena Davydova (79,150 pts) e obteve a medalha de prata (79, 075) além de integrar novamente a equipe romena, que ficou na segunda colocação.

Apesar do retorno em grande estilo, agora na maturidade, Nadia ganhou mais atenção na prova das barras assimétricas, em que fez uma exibição desastrosa e acabou aos prantos. Nadia Comaneci já era sinônimo de ginástica ao redor do mundo.

Nove anos depois, Nadia Comaneci atravessou andando a fronteira entre Hungria e Romênia para fugir de seu país. De lá, foi para Viena, na Áustria, e pediu asilo político nos Estados Unidos. Em 1993, a ex-ginasta separou-se do também fugitivo Constantin Panait, acusando-o de mantê-la presa em casa. Pouco tempo depois, Nadia foi para o Canadá e casou-se com o ex-ginasta norte-americano Bart Conner, ouro nos Jogos Olímpicos de 1984.

Mark Spitz (EUA) - Munique 1972

Com uma performance incrível na natação, o norte-americano Mark Spitz é considerado até hoje como o atleta com o melhor desempenho em uma única edição de Olimpíadas. Em Munique-1972, Spitz conquistou sete medalhas de ouro e quebrou o recorde mundial em todas as provas que venceu.


Mark Spitz (EUA) - Munique 1972 - Copyright © Rich Clarkson

Spitz começou a fazer história nos 200 metros borboleta. O norte-americano venceu com o tempo de 2min00s70. No mesmo dia, venceu o revezamento 4 x 100 metros livre. No dia seguinte, ficou com o ouro nos 200 metros livre ao bater o compatriota Steven Genter.

A quarta medalha de ouro e o quarto recorde foram conquistados nos 100 metros borboleta, com o tempo de 54s27. Algumas horas depois, o incansável Spitz faturou sua quinta medalha de ouro no revezamento 4 x 200 metros livre, com a marca de 7min35s78.

Na penúltima prova que disputou, os 100 metros livres, Spitz teve pela frente seu principal rival, o americano Jerry Heidenreich, que estava descansado. Spitz superou o cansaço e o inimigo, ficando com o sexto ouro. Finalmente, na última prova, o revezamento 4 x 100 metros medley, Spitz venceu com a equipe dos os Estados Unidos em 3min48s16.

Como outros judeus presentes na Vila Olímpica, Spitz teve que abandonar o local como medida de segurança após o incidente entre terroristas palestinos e a delegação israelense.

O nadador norte-americano entrou também para a história como o precursor dos atletas marketeiros. Durante a premiação dos 200 m livre, foi para o pódio com par de tênis nas mãos, exibindo o claramente seu patrocinador. Pouco depois, fez um comercial para um fabricante de creme de barbear, tirando seu famoso bigode na TV.

Nascido na cidade californiana de Modesto, ele despontou para o mundo aos 17 anos ganahndo cinco ouros no Pan de Winnipeg, em 1967. Esperava-se que iria repetir o desempenho na Olimpíada de 1968, mas a altitude e o oxigênio rarefeito da Cidade do México prejudicou seu desempenho.

No mesmo ano de 1972 se aposentou das piscinas. Mas retornou em 1991, após o diretor de cinema Bud Greenspan lhe oferecer US$ 1 milhão para que ele tentasse se classificar para disputar para os Jogos de Barcelona, em 1992. Aos 41 anos, Spitz tentou várias vezes mas não conseguiu atingir o índice exigido pelo federação de seu país.

Robert Beamon (EUA) - Mexico 1968

O salto de Robert Beamon é, até hoje, o mais famoso da história das Olimpíadas. Na final do salto em distância, o norte-americano registrou 8,90 metros. Na época, o recorde mundial era de 8,35 metros, 55cm a menos do que a marca de Beamon.

O salto foi tão impressionante que permanece até hoje como recorde olímpico - o recorde mundial durou até 1995, quando o também norte-americano Mike Powell saltou 8,95m no Mundial de Tóquio. Desde 1901, os recordes mundiais do salto em distância avançavam, em média, 6cm entre cada marca. A maior diferença até então tinha sido de 15cm.


After hearing how far he had jumped, Beamon became so excited and emotionally drained that doctors claim he suffered a “cataplectic seizure.” Igor Ter-Ovanesyan, the co-world record holder, remarked, “Compared to this jump, we are as children.” The leap was caught by a cameraman on his first film assignment and is today one of the greatest sports photographs ever shot.

Antes do início dos Jogos, o norte-americano era o favorito ao ouro. Ele chegou ao México com 22 vitórias em 23 provas disputadas. Durante a competição, quase perdeu, nas eliminatórias, a chance de consagração: após queimar duas vezes, conseguiu o índice para a final no último salto.

Na decisão, o marcador fotoelétrico instalado na caixa de areia registrava apenas até 8,50 metros de distância. A confirmação da marca só saiu após o uso da velha trena. Ao divulgarem o resultado no sistema métrico, o norte-americano ficou sem entender nada. Ao converterem a marca para 29 pés e 2 polegadas, Robert caiu no chão, incrédulo do próprio feito.

Após o recorde, o atleta nunca mais chegou perto de tal marca. Seu melhor salto depois "do salto" foi 8,20 metros. Especialistas afirmam que uma série de condições contribuiu para o desempenho extraordinário de Beamon: a altitude da Cidade do México, que diminui o atrito do ar, e o vento forte no momento do recorde.

O norte-americano saltou com ventos a favor de 2 metros por segundo, o limite permitido para que a Iaaf, a entidade que controla o atletismo, homologasse a marca. Logo depois do salto, uma tempestade caiu no estádio.

O salto de Beamon ficou tão famoso que foi eleito pela revista norte-americana Sports Illustrated como um dos cinco maiores feitos do século 20. O feito foi retratado até mesmo no desenho Os Simpsons como o maior feito da história das Olimpíadas, no qual Beamon salta por cima das arquibancadas e cai fora do estádio.

Larisa Latynina (URSS) - Tóquio 1964

Nascida em 1934, na pequena cidade de Kherson, na Ucrânia - que então fazia parte da União Soviética -, a ginasta Larisa Latynina ganhou seis medalhas nos Jogos de Tóquio. Foram dois ouros, duas pratas e dois bronzes. Em toda sua carreira, a ginasta conquistou um total de 18 medalhas olímpicas.


Larisa Latynina (URS-gymnastics) added six new medals to her fantastic Olympic records. In three Olympics, she won nine gold, five silver and four bronze medals, making a total of eighteen.

Em Melbourne 1956, Larysa, com 21 anos, travou uma sensacional disputa com a húngara Agnes Keleti. A soviética acabou ficando com o ouro nos exercícios combinados ao terminar em primeiro lugar no cavalo, em segundo nas barras assimétricas e no solo, e em quarto lugar na trave de equilíbrio.

Nos Jogos de Roma, em 1960, Larysa repetiu seu título no individual geral e ganhou outra medalha de ouro na disputa por equipes. A ginasta venceu também no solo e conquistou a prata nas barras assimétricas e na trave, além do bronze no salto no cavalo.

Em 1964, em Tóquio, ela encerrou sua carreira olímpica vencendo pela terceira vez a prova por equipes e, individualmente, conquistando a medalha de prata no individual geral. Larysa foi também prata no salto no cavalo, bronze nas barras assimétricas e na trave de equilibro e, pela terceira vez consecutiva, campeã olímpica no solo.

Em campeonatos mundiais, Larysa Latynina ganhou oito medalhas de ouro (1958 e 1962), quatro de prata (1958, 1962 e 1966) e um bronze (1962).

Abebe Bikila (ETI) - Roma 1960

Abebe Bikila nasceu na Etiópia, em 7 de agosto de 1932. A milhares de quilômetros de lá, no mesmo dia, estava sendo disputada a maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Um presságio para o maior maratonista das Olimpíadas, o primeiro atleta a vencer duas vezes a prova.


Abele Bikila maakte het verschil voor Afrika

Bikila nasceu em uma favela de Addis Abeba, capital da Etiópia, e para treinar, costumava correr, descalço, em algumas colinas com mais de 2.000 metros de altitude. Com isso, ganhou o preparo físico necessário para ser campeão. Membro da guarda pessoal do imperador Haile Selassie, Bikila tinha 28 anos e corria uma maratona pela terceira vez quando competiu em Roma. Mesmo assim, o etíope cruzou a linha de chegada com 200 metros de vantagem sobre um dos favoritos ao ouro, o marroquino Rhadi Ben Abdesselem, que até a independência do seu país competia pela França. Quando chegou a Roma, acompanhado do treinador finlandês Omni Niskanen, o etíope fez um passeio de táxi pela cidade, para anotar numa caderneta alguns pontos-chaves do percurso. O Obelisco de Axum, a 1,5 km da linha de chegada, marcava o início de uma subida. Abebe definiu que a partir daquele ponto apertaria o passo. O monumento, curiosamente, tinha importância histórica para os etíopes. O Obelisco de Axum foi construído na Etiópia e levado para Roma após as conquistas do Império Romano na África. A maratona foi disputada à noite e Niskanen acompanhou o passo de seus principais adversários até o obelisco. No local indicado, o etíope disparou para a vitória, deixando para trás seu principal adversário. Foi a primeira medalha de um negro africano nas Olimpíadas. Nos Jogos de Tóquio, em 1964, Bikila já era uma estrela do atletismo mundial. Ao contrário de quatro anos antes, corria de tênis e meias para tentar ser o primeiro homem a vencer a maratona duas vezes seguidas. Nem mesmo uma apendicite, que o obrigou a se submeter a uma operação a 40 dias antes da prova, o parou. Bikila venceu seu adversário mais próximo por quatro minutos e seu tempo, 2h12min11s2 era, na época, o melhor tempo da história da maratona.

Lazlo Papp (HUN) - Melbourne 1956

Ao ganhar a medalha de ouro na categoria meio-leve, nos Jogos Olímpicos de Melbourne, o húngaro Lazlo Papp tornou-se o primeiro boxeador a ganhar três medalhas de ouro consecutivas. Seriam necessários 24 anos para que outro lutador, o cubano Teófilo Stevenson, conseguisse repetir a façanha. Em 2000, Felix Savón também igualou o feito, formando a "Santa Trindade" do boxe olímpico.


Helsinki, 1952, Games of the XV Olympiad. Men's light-middleweight boxing final: Theunis VAN SCHALKWYK of South Africa versus Laszlo PAPP of Hungary. Credit: CIO Collections Musée Olympique/RÜBELT Lothar

Lutador talentoso e de técnica extraordinária, Lazlo teve seu melhor momento como amador em Melbourne, quando derrotou na final o norte-americano José Torres, futuro campeão mundial como profissional.

Emil Zatopek (TCH) - Helsinki 1952

O tcheco Emil Zatopek redefiniu os limites de um atleta nas Olimpíadas de Helsinque. Já conhecido como a "Locomotiva Humana" quando chegou à Finlândia, ele deixou os Jogos de 1952 com os títulos olímpicos dos 5.000m, 10.000m e da maratona, algo que nenhum outro atleta fez até hoje. Detalhe: o ouro na maratona veio na primeira vez que correu a distância.


Emil Zátopek running the marathon at the 1952 Summer Olympics in Helsinki, Finland

Zatopek chegou a Helsinque já com grande destaque, após o ouro nos 10.000m e a prata nos 5000 m quatro anos antes. Na Finlândia, o tcheco começou ganhando os 10.000 m com facilidade, quebrando o recorde olímpico com o tempo de 29min17s0. Dois dias mais tarde, outro ouro, nos 5.000 m, também com recorde olímpico (14min06s6).

Mais três dias e foi a vez da maratona. Estreante na prova, chegou a perguntar aos mais experientes se o ritmo que imprimiu no começo estava bom para agüentar o restante dos mais de 42 km. Estava: Zatopek chegou ao final com mais de duas voltas de vantagem no circuito sobre o segundo colocado.

A explicação para um atleta vencer duas provas de meio-fundo e ainda a maratona, em um espaço de apenas cinco dias, é vaga. O empenho de Zatopek, porém, ajuda na questão. Segundo os tchecos, o corredor, ex-militar, treinava pelos arredores de Praga com suas botas do exército. Diariamente, ele fazia 100 tiros de 400 metros, para apurar a velocidade.

Zatopek correu no Brasil em 1953, quando venceu a corrida de São Silvestre, em São Paulo, com mais de meio quilômetro de vantagem para os demais corredores. Em Melbourne-56, o tcheco foi sexto na maratona. O resultado foi considerado excelente, já que Zatopek havia descoberto uma hérnia seis semanas antes da Olimpíada.

Aposentado do esporte em 1958, ele se envolveu em algumas polêmicas fora das pistas. No ano de sua aposentadoria, por exemplo, criticou a invasão soviética à Tchecoslováquia e acabou expulso do partido comunista. Casado com Dana Zatopkova, campeã olímpica do lançamento de dardo em 1952, a "Locomotiva" morreu em novembro de 2001, aos 88 anos.

Paul Elvstron (DIN) - Londres 1948

Nascido em Hellerup, Dinamarca, o velejador Paul Elvstrom ganhou sua primeira medalha de ouro com apenas 20 anos, em Londres-1948. Elvstrom venceu a classe Firefly, deixando o favorito Ralph Evans, dos Estados Unidos, na segunda colocação. Na Olimpíada seguinte, em Helsinque-1952, o dinamarquês, mais experiente, conquistou seu segundo ouro, disputando então a classe Finn.


Paul Elvstrom (DEN) Gold medal winner in the Firefly at the 1948 Olympics - ISAF ©

Um dos melhores atletas da categoria, Elvstrom repetiu o feito nas duas edições seguintes, em Melbourne-1956 e Roma-1960. Com quatro medalhas de ouro, o dinamarquês anunciou a aposentadoria logo em seguida. Mas o gosto pelo esporte falou mais alto, e ele voltou para a vela anos mais tarde.

Após ficar de fora dos Jogos de Tóquio-1964, voltou para os Jogos da Cidade do México-1968, com 40 anos, mas não conseguiu medalhas. O mesmo aconteceu em Munique-1972. Muito tempo depois, em Los Angeles-1984, Elvstrom reapareceu, ao lado da filha Trine, na classe Tornado. Aos 56 anos, conseguiu terminar na quarta colocação. Em Seul-1988, então com 60 anos, voltou a disputar uma Olimpíada, agora com a filha mais nova, Strine. Novamente não conseguiu medalhas, mas escreveu um dos mais belos

Jesse Owens (EUA) - Berlim 1936

A teoria nazista de superioridade da raça ariana foi derrubada por um negro, filho de escravos e que, em seu país, ainda era obrigado a andar na traseira do ônibus para não se juntar aos brancos. Aos 23 anos, o velocista Jesse Owens foi o grande protagonista das Olimpíadas de Berlim.


Jesse Owens whooping the Master Race in Berlin ‘36.

Owens foi o responsável pela maior derrota alemã da competição. Conta a lenda que, ao chegar em primeiro nos 100 m rasos, o norte-americano não recebeu o cumprimento de Adolf Hitler, que deixou o estádio após a vitória.

Tendo ou não evitado Owens, não foi para Hitler as reclamações do atleta. "Não foi Hitler que me esnobou. Foi (o presidente dos EUA) Roosevelt. O presidente nem mesmo me mandou um telegrama", disse Owens, no livro "Owens Pierced a Myth", de Larry Schwartz.

Além dessa conquista, Owens levou para casa o ouro nos 200m (20s7) e no salto em distância (8,13m) - ambos com recordes olímpicos -, e no 4x 100m (39s8), no qual ajudou o time norte-americano a bater o recorde mundial.

O apelido Jesse é, na verdade, a junção das iniciais de seus dois primeiros nomes, James Clevland. Aos sete anos, ele ajudava os pais na colheita de algodão no Alabama.

Começou a correr desde cedo e, por causa do talento, freqüentou a Universidade do Estado de Ohio. No circuito universitário, quebrou o recorde de números de campeonatos nacionais conquistados, com oito títulos nos anos de 35 e 36.

Após a vitória em Berlim 36, Owens voltou aos EUA com a intenção de aceitar contratos publicitários, fruto da atenção recebida. O plano, porém, deu errado. Ele foi considerado profissional, perdeu o status olímpico e os contratos.

Teve, então, de viver exibições. Owens corria contra atletas locais e até mesmo cavalos. Fumante, Jesse Owens morreu no dia 31 de março de 1980, aos 76 anos, de câncer no pulmão.

Mildred Didrikson (EUA) - Los Angeles 1932

Considerada por muitos como a atleta mais completa da história, a norte-americana Mildred Ella "Babe" Didrikson (16/06/1911) brilhou em Los Angeles 32. Aos 21 anos, a norte-americana conquistou duas medalhas de ouro (arremesso de dardo e nos 80 m com barreiras) e uma de prata (no salto em altura). Vencedora da seletiva nacional em cinco eventos, só não ganhou mais medalhas porque as mulheres estavam limitadas a participar de apenas três provas nas Olimpíadas.


Mildred Ella "Babe" Didrikson Los Angeles 32

O sucesso futuro de Babe nos esportes era óbvio desde a infância. O apelido, Babe, veio de Babe Ruth, lendário jogador de beisebol. Quando pequena, jogando beisebol contra garotos, ela não se cansava de acertar "home runs", jogando a bola para fora do campo. No basquete, mesmo baixa, foi eleita All-American, premiação dada aos melhores jogadores da nação no nível escolar, por três anos seguidos.

Ninguém se espantou, então, quando, aos 16 anos, ela se tornou recordista mundial do arremesso de dardo, com 40m66. Nas Olimpíadas de 1932, conquistou o ouro nos 80m com barreira estabelecendo o recorde mundial (43s68).

Elizabeth Robinson (EUA) - Amsterdan 1928

Com apenas 16 anos, a norte-americana Elizabeth "Betty" Robinson entrou para a história dos Jogos Olímpicos como a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro no atletismo.


Amsterdam 1928, Games of the IX Olympiad. Women's athletics, at finish of the 100m: (from L. to R.) Fanny ROSENFELD of Canada 2nd, Elizabeth ROBINSON of the United States 1st and Erna STEINBERG of Germany 4th. Credit: IOC Olympic Museum Collections

Nascida em Riversale, no dia 23 de agosto de 1911, Betty entrou para o esporte de forma curiosa: alguns meses antes dos Jogos Olímpicos, enquanto corria para tentar pegar um ônibus, foi vista por um professor de educação física, que ficou impressionado com sua velocidade e lhe propôs começar a treinar para melhorar seu estilo.

Na segunda competição da qual participou, as seletivas norte-americanas para os Jogos de 1928, Betty igualou o recorde mundial, marcando 12s2. Em Amsterdã, quando disputava sua quarta corrida na carreira, conseguiu a vitória nos 100 m rasos, com meio metro de vantagem sobre a segunda colocada. Na seqüência, a atleta ganhou a medalha de prata no revezamento 4x100 m rasos.

Três anos depois dos Jogos de Amsterdã, Robinson viajava com seu primo quando sofreu, em Chicago, um grave acidente aéreo. Para piorar, um homem que a socorreu achava que Betty estaria morta, colocando-a dentro do porta-malas do seu carro e levando-a até uma funerária. De lá, Robinson foi para o hospital e ficou sete semanas em coma.

Sem poder andar normalmente por dois anos, só voltou a treinar em 1933. Com muita força de vontade, a atleta conseguiu participar dos Jogos de Berlim, em 1936. Na Alemanha, ainda com seqüelas do acidente de avião, Betty não dobrava o joelho, nem agachava-se para a largada nas provas individuais. Porém, a norte-americana ainda conquistou a medalha de ouro no revezamento 4x100 m rasos. Betty morreu no dia 18 de maio de 1999, aos 87 anos de idade.

Johnny Weissmuller (Estados Unidos) - Paris 1924

A história do nadador Johnny Weissmuller é cheia de lendas, assim como o personagem Tarzan, personagem que interpretou no cinema nas décadas de 1930 e 1940. O norte-americano conquistou três medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris, nos 100 m livre, 400 m livre e no revezamento 4 x 200 m.


Johnny Weissmuller Paris 1924

O desempenho, que não assusta um Michael Phelps ou um Mark Spitz, ganha relevância e grande destaque na história de todos os Jogos ao analisarmos os recordes de Weissmuller.

Segundo o Comitê Olímpico Internacional, ele bateu 28 recordes mundiais. O dos 100 m livre, conquistado três anos mais tarde, em 1927, durou 17 anos. Por isso, o próprio COI coloca Weissmuller em pé de igualdade com Spitz.

Filho de imigrantes suabos - região germânica que atualmente faz parte da Romênia -, Weissmuller chegou aos Estados Unidos com três anos de idade. Sua família radicou-se em Windberg, na Pensilvânia.

Dois anos antes dos Jogos de Paris, o nadador já tinha assombrado o mundo ao conseguir 58s6 nos 100 m livre, convertendo-se no primeiro atleta a nadar abaixo de 1 minuto nessa prova. Em 1923, Weissmuller também foi o primeiro a baixar os 5 minutos nos 400 m livre.

Além das três medalhas de ouro conquistadas na capital francesa, Weissmuller ainda arrematou uma medalha de bronze no pólo aquático. Nos Jogos seguintes, disputados em Amsterdã, ganhou os 100 m e o revezamento 4x200 m livre.

Em 1932, aproveitando seu prestígio como esportista e também seu porte atlético (tinha 1,90 m), recebeu uma proposta da MGM (Metro Goldwin Mayer) para representar no cinema o personagem Tarzan, protagonizando 12 filmes até 1948. Falido depois de seis divórcios, Weissmuller acabou internado em uma clínica psiquiátrica. Morreu no dia 20 de janeiro de 1984 em Acapulco, México.

Paavo Nurmi (Finlândia) - Antuérpia 1920

O finlandês Paavo Johannes Nurmi, nascido na cidade de Turku no dia 13 de junho de 1897, é um dos quatro únicos atletas que conseguiram nove medalhas de ouro olímpicas. Um feito ainda mais impressionante se considerarmos que suas medalhas foram ganhas nas mais exigentes provas de fundo e que, quando estava no auge, ele foi proibido de participar dos Jogos sob a acusação de profissionalismo.


Paavo Nurmi running at the 1920 Olympics in Antwerp, Belgium.

Nurmi apareceu pela primeira vez nos Jogos de 1920, na prova dos 5.000 m, ganhando uma medalha de prata, atrás do francês Joseph Guillemot. Três dias mais tarde, se impôs a Guillemot nos 10.000 m. Na seqüência, ganhou a prova de cross country individual e ainda outra medalha de ouro, por equipes, ganha facilmente pela Finlândia.

No dia 10 de julho de 1924, nos Jogos Olímpicos de Paris, Paavo Nurmi realizou uma das maiores campanhas da história olímpica. Começou ganhando o ouro nos 1.500 metros antes de se impor, duas horas mais tarde, nos 5.000 m. No dia seguinte, em um dos dias mais quentes em Paris, o finlandês venceu a prova de cross country (uma modalidade extenuante, de 10.000 m com obstáculos, que atualmente está fora do programa olímpico) com uma vantagem em relação ao segundo colocado de 1min24s6. Ganhou também outra medalha de ouro na mesma modalidade, por equipes.

No outro dia, enquanto a maioria dos seus companheiros ainda tentava se recuperar do esforço, Nurmi venceu a prova dos 3.000 m por equipes. Ele ainda tentou defender seu título nos 10.000 m, ganho em Antuérpia, porém os próprios treinadores finlandeses se recusaram a inscrevê-lo.

Voltando à Finlândia, ainda furioso pela proibição, Nurmi estabeleceu um novo recorde mundial nos 10.000 m, que duraria por mais de 13 anos. Em 1928, Nurmi concluiu sua carreira olímpica com uma vitória nos 10.000 m e uma medalha de prata nos 5.000 m e nos 3.000 m com obstáculos.

Herói nacional, o corredor causou um dos momentos mais emocionantes das Olimpíadas de Helsinque, em 1952, ao entrar no estádio carregando a tocha olímpica. Quando morreu na capital finlandesa, aos 76 anos de idade em 2 de outubro de 1973, teve um enterro com honras de Estado.

Jim Thorpe (Estados Unidos) - Estocolmo 1912

Filho de índios e descendente de franceses e irlandeses, o norte-americano Jim Thorpe, de 24 anos, brilhou nos Jogos de Estocolmo. Vencedor e recordista do decatlo e do pentatlo, no atletismo, Thorpe foi considerado o "maior atleta do mundo" pelo rei da Suécia, Gustavo V, durante a premiação.


Jim Thorpe of the USA winner of both the Pentathlon and Decathlon at the Olympic Games held in 1912 in Stockholm, Sweden. (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

A glória, no entanto, foi injustamente retirada do atleta pelo Comitê Olímpico Internacional um ano depois. Ao descobrir que o atleta recebia 25 dólares semanais para jogar beisebol em um pequeno time da Carolina do Norte, o COI cassou suas duas medalhas de ouro. Na época, a entidade não admitia que atletas fossem pagos para competir e pregava o amadorismo.

Em Estocolmo, Thorpe venceu quatro das cinco provas do pentatlo (salto em distância, 200 m rasos, arremesso de disco e 1500 m rasos e ficou em segundo lugar no arremesso de dardo). No decatlo, o norte-americano ganhou quatro provas (arremesso de peso, salto em altura, arremesso de disco e 110 m com barreiras).

O COI, no entanto, só foi rever sua decisão 70 anos após as Olimpíadas. Em 1982, resolveu devolver as honras e as medalhas aos familiares de Thorpe, que morrera havia 30 anos.

Raymond Ewry (EUA) - Londres 1908

Em 1908, o norte-americano Raymond "Ray" Clarence Ewry encerrou sua seqüência de medalhas em três Olimpíadas, ao conquistar mais dois ouros e fechar sua coleção de triunfos em oito.


Ray Ewry clearing the bar during the standing
high jump competition at the 1908 Olympics in London.

Nascido no dia 14 de outubro de 1873, na cidade de Lafayette, estado de Indiana, Ewry foi vítima de poliomielite aos 12 anos e voltou a andar somente cinco anos mais tarde. Neste período usava cadeiras de rodas e teve que passar por tratamentos e exercícios constantes para readquirir os movimentos.

Após fazer graduação em Engenharia na Universidade de Purdue, passou a integrar a equipe de atletas do New York Athletic Club, famoso pelo talento de seus atletas.

Ali, ele se especializou em provas olímpicas que hoje não existem mais: o salto em altura, salto em distância e salto triplo, todos sem corrida; são eventos iguais aos de hoje, só que o atleta não podia correr nem tomar distância para realizar o salto, partindo de posição completamente estática, com os dois pés no chão, usando apenas o próprio impulso do corpo. Nestas provas, Ewry provaria ser o melhor do mundo por quase uma década.

Anton Heida (EUA) - Saint Louis 1904

Pode-se dizer que o norte-americano Anton Heida foi o primeiro grande atleta dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Até Saint Louis, em 1904, nenhum atleta havia ganhado tantas medalhas em uma mesma edição das Olimpíadas. O ginasta escreveu seu nome na história do esporte ao obter seis pódios em 1904.


Saint Louis 1904

Foram cinco medalhas de ouro e uma medalha de prata, fato, para se ter uma idéia, que colocaria o atleta na segunda posição no quadro de medalhas geral daquelas Olimpíadas, à frente da Alemanha, que ganhou quatro medalhas de ouro no geral. Tudo porque os EUA dominaram imensamente os Jogos, arrematando 85% de todas as premiações (um recorde até os dias de hoje) e deixando os rivais com uma "secura" de medalhas. Das 91 provas dos Jogos de Saint Louis, somente 42 incluíram atletas que não eram dos Estados Unidos (51 do Canadá e 105 dos outros países).

Anton Heida ajudou a equipe norte-americana nesta façanha e venceu na subida de corda e nas barras fixas, dividiu o ouro no salto sobre o cavalo e ganhou o último ouro nos exercícios combinados por equipes. O ginasta conquistou ainda a prata nas barras paralelas.

Ramón Fonst (Cuba) - Paris 1900

Primeiro atleta cubano e latino-americano a ganhar uma medalha de ouro olímpica, Ramón Fonst Segundo foi uma das grandes surpresas dos Jogos de Paris, ao conquistar o ouro na modalidade espada quando tinha apenas 16 anos. Na final, Fonst derrotou o favorito Louis Perrée, da França.


Ramón Fonst

Fonst nasceu em Havana, no dia 31 de agosto de 1883, e iniciou-se na esgrima em sua cidade natal, sob a tutela de seu pai, Filiberto Fonst. Depois viveu boa parte da infância e da juventude na França, onde aprendeu os segredos do esporte tradicional do local com os melhores professores.

Graças a sua excelente técnica e habilidade, o canhoto Fonst venceu em 1904 o Campeonato Internacional, também disputado em Paris. No mesmo ano, participou dos Jogos Olímpicos de Saint Louis, nos Estados Unidos, onde conquistou vitórias em espada, florete individual e por equipe e virou ídolo do esporte.

Fontes: The Beijing Organizing Committee for the Games of the XXIX Olympiad; Uol Olimpíadas, Almanaque Abril 2001 em CD-Rom;


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