Grandes atletas dos Jogos Olímpicos

Michael
Phelps (EUA) - 2004
Atenas
Aos 19
anos, Michael Phelps chegou a Atenas sob a promessa de quebrar
o recorde de sete medalhas de ouro de seu compatriota Mark
Spitz, em Munique-72. Por muito pouco, Phelps não obteve
o feito. Mas foi o grande nome dos Jogos, com seis ouros em
oito medalhas.

On the way: Michael
Phelps made a record breaking
start towards his eight gold medal target Photo: Reuters
Além
disso, Phelps obteve outros recordes: tornou-se o nadador
que mais vezes subiu ao pódio em uma única edição
dos Jogos, igualando-se apenas ao ginasta soviético
Aleksandr Dityatin, que conseguiu o mesmo trunfo em Moscou
1980. O norte-americano também igualou-se a Spitz como
o segundo nadador com mais medalhas de ouro em provas individuais
em uma Olimpíada. Phelps venceu os 200 m e 400 m medley,
e os 100 m e 200 m borboleta.

Volei
Feminino de Cuba - 2000 Sidney

Regla
Bell #8 of Cuba spikes the ball during the Olympic Women's
Indoor Volleyball competition at the Sydney Entertainment
Centre in Sydney, Australia on September 16, 2000. (Photo
by Doug Pensinger/Getty Images)
A equipe
alcançou o terceiro título olímpico no
vôlei feminino. Além da façanha inédita,
as caribenhas eliminaram por duas vezes seguidas o Brasil
na fase semifinal. A conquista marcou a despedida de um dos
maiores mitos do esporte, a atacante Mireya Luís, 36,
que esteve presente em todas as conquistas e tornou-se o ícone
do sexteto cubano.

Michael
Johnson (EUA) - 1996 Atlanta
Em casa,
o norte-americano Michael Johnson entrou para a história
das Olimpíadas ao tornar-se o primeiro corredor a vencer
as provas dos 200 m e 400 m rasos em uma mesma edição.
Johnson
chegou em Atlanta com um currículo invejável,
54 vitórias na disputa dos 400 m. E confirmou o favoritismo
com novo recorde mundial, 43s49. A distância do norte-americano
para o segundo colocado, o britânico Roger Black, foi
a maior em 100 anos da competição. Três
dias depois de conquistar o primeiro ouro, Michael Johnson
voltou à pista para vencer os 200 m.

Michael
Johnson of the USA on his way to gold in the mens 400 metres
at
the Olympic Stadium at the 1996 Centennial Olympic Games in
Atlanta, Georgia.
Mais uma
vez, Johnson superou seu próprio recorde mundial, 19s66,
e cravou 19s32 para vencer os 200 m rasos. Depois da façanha,
Johnson não se conteve. “Gostaria de estar na
arquibancada para assistir ao que eu fiz”, declarou
o atleta, que teve sapatilhas douradas feitas por sua patrocinadora
especialmente para ele.
Nascido
em Dallas, no dia 13 de setembro de 1967, Michael Duane Johnson
chegou à Olimpíada de Atlanta como campeão
mundial nas duas provas. Mas para realizar o duplo sonho olímpico,
fez um apelo ao COI e às federações de
atletismo para que o programa olímpico de Atlanta o
permitisse correr nas duas provas.

"Magic"
Johnson (EUA) - Barcelona 1992
Geralmente
os destaques em Jogos Olímpicos são atletas
que competem em provas individuais. Em Barcelona-1992, porém,
todos os holofotes estiveram focados sobre uma estrela dos
esportes coletivos: Ervin “Magic” Johnson.

Magic Johnson
drives by Angola's Anibal Moreira
at the Barcelona Olympics in 1992. (Source:AP)
Líder
natural, por carisma e habilidade, Magic Johnson teve como
missão curar as feridas provocadas pelo fracasso do
basquete norte-americano nos Jogos de Seul (terceiro colocado).
Tarefa fácil para um jogador que tinha na sua equipe
astros como Charles Barkley, Larry Bird, Clyde Drexler, Patrick
Ewing, Earvin 'Magic' Johnson, Michael Jordan, Christian Laettner,
Karl Malone, Chris Mullin, Scottie Pippen, David Robinson
e John Stockton. Resultado: medalha de ouro no peito.
No torneio
olímpico, o "Dream Team" não encontrou
nenhum adversário à altura em sua trajetória
vitoriosa rumo ao ouro olímpico. Foram oito jogos,
e oito vitórias incontestáveis. O jogo mais
difícil que os EUA tiveram àquela época
foi a final contra a Croácia, em que os norte-americanos
impuseram uma vantagem de 32 pontos, 117-85.
Considerado
um dos melhores jogadores de todos os tempos, o norte-americano
começou a carreira na Universidade de Michigan. Com
seus 2,06 m de altura, jogava em todas as posições,
destacando-se pela grande facilidade em converter lances de
três pontos e em conseguir “triples-doubles”.
Em 1979, no seu segundo ano como universitário, ganhou
o título da liga NCA. Decide então abandonar
a universidade e se incorpora a liga profissional norte-americana
(NBA).
Escolhido
pela equipe do Los Angeles Lakers, joga até retirar-se
da quadras em 1990, quando divulga que é portador do
vírus HIV. Volta a jogar em 1992, especialmente para
as Olimpíadas de Barcelona. Logo após os Jogos,
Magic Johnson encerra a carreira de vez.
Além
do título olímpico, Magic foi campeão
universitário (1979) e da NBA (1980/82/85/87/88). Pela
liga profissional norte-americana, foram 906 partidas disputadas,
com 17.707 pontos e 10.141 assistências.

Florence
Griffith (EUA) - Seul 1988
Rainha
dos Jogos, a norte-americana Florence Griffith-Joyner ganhou
três ouros, nos 100 e 200 m (batendo o recorde mundial
nas duas oportunidades) e no revezamento 4 x 100 m, além
de uma de prata no revezamento 4 x 400 m.

Florence
- Seul, 1988
Nasceu
em Los Angeles e desde cedo mostrou aptidão para as
corridas de distância curta. Esteve presente nos primeiros
Campeonatos do Mundo de Atletismo em 1983, onde ficou em 4º
lugar na corrida dos 200 metros. Nos Jogos Olímpicos
de 1984, Flo-Jo chamou a atenção do público
e da imprensa pela sua medalha de prata nos 200 metros, mas
também pelo seu estilo extravagante.
Florence
morreu na noite de 21 de Setembro de 1998. A causa do óbito
foi asfixia acidental na almofada, durante um ataque de epilepsia,
causada por uma mal formação congénita
do cérebro. A família Joyner revelou depois,
que Flo-Jo vinha sofrendo de convulsões desde 1990.

Carl
Lewis (EUA) - Los Angeles 1984
Um dos
maiores atletas de todos os tempos, o norte-americano Carl
Lewis viveu seu auge nos Jogos de 1984, em que faturou quatro
medalhas de ouro. A primeira, nos 100 metros rasos, vencida
com 20 centésimos e 2,5 metros de vantagem para o segundo
colocado, seu compatriota Sam Graddy. Lewis cravou 9s99.

Los Angeles,
4 August 1984, Coliseum Stadium. Men's 100m final of the Games
of the XXIII Olympiad: Carl LEWIS of the United States after
his victory. Credit: Getty Images/DUFFY Tony
O segundo
ouro veio no salto em distância. Logo em seu primeiro
salto, Lewis alcançou a marca de 8,54 m. Preocupado
com a prova dos 200 m, porém, preferiu se poupar, e
não se apresentou nas séries seguintes. Sob
vaias do público, que esperavam sua apresentação,
ele saltou na quinta série, mas queimou a marca. Mesmo
assim, Lewis venceu, uma vez que seus rivais diretos não
passaram dos 8,24 m.
Nos 200
m, enfim, Lewis quebrou o recorde olímpico e levou
seu terceiro ouro, com 19s80. A última conquista foi
com o quarteto norte-americano do revezamento 4x100 m, que
lhe valeu o quarto ouro.

Aleksandr
Dityatin (URSS) - Moscou 1980
Entre
os vencedores das provas masculinas da ginástica, o
herói da delegação caseira foi Aleksandr
Dityatin, que obteve um feito inédito entre os ginastas.
No individual geral (que combina os exercícios barra,
paralelas, salto sobre o cavalo, cavalo com alças,
argolas e solo), ele foi o primeiro ginasta a receber uma
nota 10, com um salto irrepreensível.

Aleksandr
Dityatin
Moscou 1980
No total,
Dityatin abocanhou oito medalhas: três ouros, nas argolas
e nos exercícios combinados por equipes e individuais;
quatro pratas, nas barras horizontal e paralelas, salto sobre
o cavalo e cavalo com alça; e um bronze, no exercício
de solo.
Sob aplausos
de sua torcida em Moscou, Dityatin subiu oito vezes ao pódio.
Em um único dia de apresentações, 25
de julho, foram seis medalhas conquistadas pelo soviético.
Com isso, Dityatin marcou seu nome na história das
Olimpíadas como o maior vencedor em uma edição
dos Jogos. Atualmente, Dityatin divide esse feito com o nadador
norte-americano Michael Phelps, que em Atenas-2004 ganhou
oito medalhas olímpicas (seis de ouro e duas de bronze).
Quando
deixou as competições, Dityatin continuou envolvido
com a ginástica artística, e só se afastou
do esporte em 1995, quando deixou o cargo de treinador da
equipe russa.

Nadia
Comaneci (ROM) - Montreal 1976
Com apenas
14 anos, 1,50 m e 35 kg, a jovem Nadia Comaneci cravou seu
nome na história da ginástica artística
em Montreal. As atuações precisas e cheias de
graça da prodígia romena deixaram os árbitros
embasbacados, e lhe renderam três medalhas de ouro.

Nadia Comaneci
Montreal 1976
Nadia
triunfou nas barras assimétricas e na trave de equilíbrio;
à frente de outras 85 ginastas, no individual geral
(que reúne as provas de salto sobre o cavalo, barras
assimétricas, trave de equilíbrio e solo). Pela
primeira vez na história dos Jogos, ela recebeu sete
notas 10 dos jurados, pontuação máxima
e até então inédita a uma ginasta. Além
disso, Nadia foi a melhor ginasta da equipe da Romênia,
que levou a medalha de prata, perdendo apenas para a União
Soviética. Por fim, ainda alcançou o bronze
na prova de solo. A exuberante apresentação
valeu à pequena ginasta o título de "Rainha
de Montreal". Quando retornou ao seu país, o governo
romeno lhe deu a medalha de Heroína Socialista do Trabalho.
A atleta,
ainda uma criança, não sabia o que fazer diante
de tantas câmeras e flashes. Quando questionada sobre
sua maior vontade após o triunfo olímpico, Nadia
respondeu timidamente: "Voltar para casa".
Quatro
anos depois, nos Jogos de Moscou 1980, Nadia foi à
sua segunda Olimpíada, então aos 18 anos. Em
1980, Nadia disputou os Jogos Olímpicos de Moscou de
um modo bem diferente, a começar pelo visual, com cabelos
mais curtos. A romena conquistou o bicampeonato olímpico
na trave e também venceu a disputa de solo. No individual
geral, ficou por 0,75 pontos atrás da soviética
Yelena Davydova (79,150 pts) e obteve a medalha de prata (79,
075) além de integrar novamente a equipe romena, que
ficou na segunda colocação.
Apesar
do retorno em grande estilo, agora na maturidade, Nadia ganhou
mais atenção na prova das barras assimétricas,
em que fez uma exibição desastrosa e acabou
aos prantos. Nadia Comaneci já era sinônimo de
ginástica ao redor do mundo.
Nove anos
depois, Nadia Comaneci atravessou andando a fronteira entre
Hungria e Romênia para fugir de seu país. De
lá, foi para Viena, na Áustria, e pediu asilo
político nos Estados Unidos. Em 1993, a ex-ginasta
separou-se do também fugitivo Constantin Panait, acusando-o
de mantê-la presa em casa. Pouco tempo depois, Nadia
foi para o Canadá e casou-se com o ex-ginasta norte-americano
Bart Conner, ouro nos Jogos Olímpicos de 1984.

Mark
Spitz (EUA) - Munique 1972
Com uma
performance incrível na natação, o norte-americano
Mark Spitz é considerado até hoje como o atleta
com o melhor desempenho em uma única edição
de Olimpíadas. Em Munique-1972, Spitz conquistou sete
medalhas de ouro e quebrou o recorde mundial em todas as provas
que venceu.

Mark Spitz
(EUA) - Munique 1972 - Copyright © Rich Clarkson
Spitz
começou a fazer história nos 200 metros borboleta.
O norte-americano venceu com o tempo de 2min00s70. No mesmo
dia, venceu o revezamento 4 x 100 metros livre. No dia seguinte,
ficou com o ouro nos 200 metros livre ao bater o compatriota
Steven Genter.
A quarta
medalha de ouro e o quarto recorde foram conquistados nos
100 metros borboleta, com o tempo de 54s27. Algumas horas
depois, o incansável Spitz faturou sua quinta medalha
de ouro no revezamento 4 x 200 metros livre, com a marca de
7min35s78.
Na penúltima
prova que disputou, os 100 metros livres, Spitz teve pela
frente seu principal rival, o americano Jerry Heidenreich,
que estava descansado. Spitz superou o cansaço e o
inimigo, ficando com o sexto ouro. Finalmente, na última
prova, o revezamento 4 x 100 metros medley, Spitz venceu com
a equipe dos os Estados Unidos em 3min48s16.
Como outros
judeus presentes na Vila Olímpica, Spitz teve que abandonar
o local como medida de segurança após o incidente
entre terroristas palestinos e a delegação israelense.
O nadador
norte-americano entrou também para a história
como o precursor dos atletas marketeiros. Durante a premiação
dos 200 m livre, foi para o pódio com par de tênis
nas mãos, exibindo o claramente seu patrocinador. Pouco
depois, fez um comercial para um fabricante de creme de barbear,
tirando seu famoso bigode na TV.
Nascido
na cidade californiana de Modesto, ele despontou para o mundo
aos 17 anos ganahndo cinco ouros no Pan de Winnipeg, em 1967.
Esperava-se que iria repetir o desempenho na Olimpíada
de 1968, mas a altitude e o oxigênio rarefeito da Cidade
do México prejudicou seu desempenho.
No mesmo
ano de 1972 se aposentou das piscinas. Mas retornou em 1991,
após o diretor de cinema Bud Greenspan lhe oferecer
US$ 1 milhão para que ele tentasse se classificar para
disputar para os Jogos de Barcelona, em 1992. Aos 41 anos,
Spitz tentou várias vezes mas não conseguiu
atingir o índice exigido pelo federação
de seu país.

Robert
Beamon (EUA) - Mexico 1968
O salto
de Robert Beamon é, até hoje, o mais famoso
da história das Olimpíadas. Na final do salto
em distância, o norte-americano registrou 8,90 metros.
Na época, o recorde mundial era de 8,35 metros, 55cm
a menos do que a marca de Beamon.
O salto
foi tão impressionante que permanece até hoje
como recorde olímpico - o recorde mundial durou até
1995, quando o também norte-americano Mike Powell saltou
8,95m no Mundial de Tóquio. Desde 1901, os recordes
mundiais do salto em distância avançavam, em
média, 6cm entre cada marca. A maior diferença
até então tinha sido de 15cm.

After hearing
how far he had jumped, Beamon became so excited and emotionally
drained that doctors claim he suffered a “cataplectic
seizure.” Igor Ter-Ovanesyan, the co-world record holder,
remarked, “Compared to this jump, we are as children.”
The leap was caught by a cameraman on his first film assignment
and is today one of the greatest sports photographs ever shot.
Antes
do início dos Jogos, o norte-americano era o favorito
ao ouro. Ele chegou ao México com 22 vitórias
em 23 provas disputadas. Durante a competição,
quase perdeu, nas eliminatórias, a chance de consagração:
após queimar duas vezes, conseguiu o índice
para a final no último salto.
Na decisão,
o marcador fotoelétrico instalado na caixa de areia
registrava apenas até 8,50 metros de distância.
A confirmação da marca só saiu após
o uso da velha trena. Ao divulgarem o resultado no sistema
métrico, o norte-americano ficou sem entender nada.
Ao converterem a marca para 29 pés e 2 polegadas, Robert
caiu no chão, incrédulo do próprio feito.
Após
o recorde, o atleta nunca mais chegou perto de tal marca.
Seu melhor salto depois "do salto" foi 8,20 metros.
Especialistas afirmam que uma série de condições
contribuiu para o desempenho extraordinário de Beamon:
a altitude da Cidade do México, que diminui o atrito
do ar, e o vento forte no momento do recorde.
O norte-americano
saltou com ventos a favor de 2 metros por segundo, o limite
permitido para que a Iaaf, a entidade que controla o atletismo,
homologasse a marca. Logo depois do salto, uma tempestade
caiu no estádio.
O salto
de Beamon ficou tão famoso que foi eleito pela revista
norte-americana Sports Illustrated como um dos cinco maiores
feitos do século 20. O feito foi retratado até
mesmo no desenho Os Simpsons como o maior feito da
história das Olimpíadas, no qual Beamon salta
por cima das arquibancadas e cai fora do estádio.

Larisa
Latynina (URSS) - Tóquio 1964
Nascida
em 1934, na pequena cidade de Kherson, na Ucrânia -
que então fazia parte da União Soviética
-, a ginasta Larisa Latynina ganhou seis medalhas nos Jogos
de Tóquio. Foram dois ouros, duas pratas e dois bronzes.
Em toda sua carreira, a ginasta conquistou um total de 18
medalhas olímpicas.

Larisa
Latynina (URS-gymnastics) added six new medals to her fantastic
Olympic records. In three Olympics, she won nine gold, five
silver and four bronze medals, making a total of eighteen.
Em Melbourne
1956, Larysa, com 21 anos, travou uma sensacional disputa
com a húngara Agnes Keleti. A soviética acabou
ficando com o ouro nos exercícios combinados ao terminar
em primeiro lugar no cavalo, em segundo nas barras assimétricas
e no solo, e em quarto lugar na trave de equilíbrio.
Nos Jogos
de Roma, em 1960, Larysa repetiu seu título no individual
geral e ganhou outra medalha de ouro na disputa por equipes.
A ginasta venceu também no solo e conquistou a prata
nas barras assimétricas e na trave, além do
bronze no salto no cavalo.
Em 1964,
em Tóquio, ela encerrou sua carreira olímpica
vencendo pela terceira vez a prova por equipes e, individualmente,
conquistando a medalha de prata no individual geral. Larysa
foi também prata no salto no cavalo, bronze nas barras
assimétricas e na trave de equilibro e, pela terceira
vez consecutiva, campeã olímpica no solo.
Em campeonatos
mundiais, Larysa Latynina ganhou oito medalhas de ouro (1958
e 1962), quatro de prata (1958, 1962 e 1966) e um bronze (1962).

Abebe
Bikila (ETI) - Roma 1960
Abebe
Bikila nasceu na Etiópia, em 7 de agosto de 1932. A
milhares de quilômetros de lá, no mesmo dia,
estava sendo disputada a maratona dos Jogos Olímpicos
de Los Angeles. Um presságio para o maior maratonista
das Olimpíadas, o primeiro atleta a vencer duas vezes
a prova.

Abele Bikila
maakte het verschil voor Afrika
Bikila
nasceu em uma favela de Addis Abeba, capital da Etiópia,
e para treinar, costumava correr, descalço, em algumas
colinas com mais de 2.000 metros de altitude. Com isso, ganhou
o preparo físico necessário para ser campeão.
Membro da guarda pessoal do imperador Haile Selassie, Bikila
tinha 28 anos e corria uma maratona pela terceira vez quando
competiu em Roma. Mesmo assim, o etíope cruzou a linha
de chegada com 200 metros de vantagem sobre um dos favoritos
ao ouro, o marroquino Rhadi Ben Abdesselem, que até
a independência do seu país competia pela França.
Quando chegou a Roma, acompanhado do treinador finlandês
Omni Niskanen, o etíope fez um passeio de táxi
pela cidade, para anotar numa caderneta alguns pontos-chaves
do percurso. O Obelisco de Axum, a 1,5 km da linha de chegada,
marcava o início de uma subida. Abebe definiu que a
partir daquele ponto apertaria o passo. O monumento, curiosamente,
tinha importância histórica para os etíopes.
O Obelisco de Axum foi construído na Etiópia
e levado para Roma após as conquistas do Império
Romano na África. A maratona foi disputada à
noite e Niskanen acompanhou o passo de seus principais adversários
até o obelisco. No local indicado, o etíope
disparou para a vitória, deixando para trás
seu principal adversário. Foi a primeira medalha de
um negro africano nas Olimpíadas. Nos Jogos de Tóquio,
em 1964, Bikila já era uma estrela do atletismo mundial.
Ao contrário de quatro anos antes, corria de tênis
e meias para tentar ser o primeiro homem a vencer a maratona
duas vezes seguidas. Nem mesmo uma apendicite, que o obrigou
a se submeter a uma operação a 40 dias antes
da prova, o parou. Bikila venceu seu adversário mais
próximo por quatro minutos e seu tempo, 2h12min11s2
era, na época, o melhor tempo da história da
maratona.

Lazlo
Papp (HUN) - Melbourne 1956
Ao ganhar
a medalha de ouro na categoria meio-leve, nos Jogos Olímpicos
de Melbourne, o húngaro Lazlo Papp tornou-se o primeiro
boxeador a ganhar três medalhas de ouro consecutivas.
Seriam necessários 24 anos para que outro lutador,
o cubano Teófilo Stevenson, conseguisse repetir a façanha.
Em 2000, Felix Savón também igualou o feito,
formando a "Santa Trindade" do boxe olímpico.

Helsinki,
1952, Games of the XV Olympiad. Men's light-middleweight boxing
final: Theunis VAN SCHALKWYK of South Africa versus Laszlo
PAPP of Hungary. Credit: CIO Collections Musée Olympique/RÜBELT
Lothar
Lutador
talentoso e de técnica extraordinária, Lazlo
teve seu melhor momento como amador em Melbourne, quando derrotou
na final o norte-americano José Torres, futuro campeão
mundial como profissional.

Emil
Zatopek (TCH) - Helsinki 1952
O tcheco
Emil Zatopek redefiniu os limites de um atleta nas Olimpíadas
de Helsinque. Já conhecido como a "Locomotiva
Humana" quando chegou à Finlândia, ele deixou
os Jogos de 1952 com os títulos olímpicos dos
5.000m, 10.000m e da maratona, algo que nenhum outro atleta
fez até hoje. Detalhe: o ouro na maratona veio na primeira
vez que correu a distância.

Emil Zátopek
running the marathon at the 1952 Summer Olympics in Helsinki,
Finland
Zatopek
chegou a Helsinque já com grande destaque, após
o ouro nos 10.000m e a prata nos 5000 m quatro anos antes.
Na Finlândia, o tcheco começou ganhando os 10.000
m com facilidade, quebrando o recorde olímpico com
o tempo de 29min17s0. Dois dias mais tarde, outro ouro, nos
5.000 m, também com recorde olímpico (14min06s6).
Mais três
dias e foi a vez da maratona. Estreante na prova, chegou a
perguntar aos mais experientes se o ritmo que imprimiu no
começo estava bom para agüentar o restante dos
mais de 42 km. Estava: Zatopek chegou ao final com mais de
duas voltas de vantagem no circuito sobre o segundo colocado.
A explicação
para um atleta vencer duas provas de meio-fundo e ainda a
maratona, em um espaço de apenas cinco dias, é
vaga. O empenho de Zatopek, porém, ajuda na questão.
Segundo os tchecos, o corredor, ex-militar, treinava pelos
arredores de Praga com suas botas do exército. Diariamente,
ele fazia 100 tiros de 400 metros, para apurar a velocidade.
Zatopek
correu no Brasil em 1953, quando venceu a corrida de São
Silvestre, em São Paulo, com mais de meio quilômetro
de vantagem para os demais corredores. Em Melbourne-56, o
tcheco foi sexto na maratona. O resultado foi considerado
excelente, já que Zatopek havia descoberto uma hérnia
seis semanas antes da Olimpíada.
Aposentado
do esporte em 1958, ele se envolveu em algumas polêmicas
fora das pistas. No ano de sua aposentadoria, por exemplo,
criticou a invasão soviética à Tchecoslováquia
e acabou expulso do partido comunista. Casado com Dana Zatopkova,
campeã olímpica do lançamento de dardo
em 1952, a "Locomotiva" morreu em novembro de 2001,
aos 88 anos.

Paul
Elvstron (DIN) - Londres 1948
Nascido
em Hellerup, Dinamarca, o velejador Paul Elvstrom ganhou sua
primeira medalha de ouro com apenas 20 anos, em Londres-1948.
Elvstrom venceu a classe Firefly, deixando o favorito Ralph
Evans, dos Estados Unidos, na segunda colocação.
Na Olimpíada seguinte, em Helsinque-1952, o dinamarquês,
mais experiente, conquistou seu segundo ouro, disputando então
a classe Finn.

Paul Elvstrom
(DEN) Gold medal winner in the Firefly at the 1948 Olympics
- ISAF ©
Um dos
melhores atletas da categoria, Elvstrom repetiu o feito nas
duas edições seguintes, em Melbourne-1956 e
Roma-1960. Com quatro medalhas de ouro, o dinamarquês
anunciou a aposentadoria logo em seguida. Mas o gosto pelo
esporte falou mais alto, e ele voltou para a vela anos mais
tarde.
Após
ficar de fora dos Jogos de Tóquio-1964, voltou para
os Jogos da Cidade do México-1968, com 40 anos, mas
não conseguiu medalhas. O mesmo aconteceu em Munique-1972.
Muito tempo depois, em Los Angeles-1984, Elvstrom reapareceu,
ao lado da filha Trine, na classe Tornado. Aos 56 anos, conseguiu
terminar na quarta colocação. Em Seul-1988,
então com 60 anos, voltou a disputar uma Olimpíada,
agora com a filha mais nova, Strine. Novamente não
conseguiu medalhas, mas escreveu um dos mais belos

Jesse
Owens (EUA) - Berlim 1936
A teoria
nazista de superioridade da raça ariana foi derrubada
por um negro, filho de escravos e que, em seu país,
ainda era obrigado a andar na traseira do ônibus para
não se juntar aos brancos. Aos 23 anos, o velocista
Jesse Owens foi o grande protagonista das Olimpíadas
de Berlim.

Jesse Owens
whooping the Master Race in Berlin ‘36.
Owens
foi o responsável pela maior derrota alemã da
competição. Conta a lenda que, ao chegar em
primeiro nos 100 m rasos, o norte-americano não recebeu
o cumprimento de Adolf Hitler, que deixou o estádio
após a vitória.
Tendo
ou não evitado Owens, não foi para Hitler as
reclamações do atleta. "Não foi
Hitler que me esnobou. Foi (o presidente dos EUA) Roosevelt.
O presidente nem mesmo me mandou um telegrama", disse
Owens, no livro "Owens Pierced a Myth", de Larry
Schwartz.
Além
dessa conquista, Owens levou para casa o ouro nos 200m (20s7)
e no salto em distância (8,13m) - ambos com recordes
olímpicos -, e no 4x 100m (39s8), no qual ajudou o
time norte-americano a bater o recorde mundial.
O apelido
Jesse é, na verdade, a junção das iniciais
de seus dois primeiros nomes, James Clevland. Aos sete anos,
ele ajudava os pais na colheita de algodão no Alabama.
Começou
a correr desde cedo e, por causa do talento, freqüentou
a Universidade do Estado de Ohio. No circuito universitário,
quebrou o recorde de números de campeonatos nacionais
conquistados, com oito títulos nos anos de 35 e 36.
Após
a vitória em Berlim 36, Owens voltou aos EUA com a
intenção de aceitar contratos publicitários,
fruto da atenção recebida. O plano, porém,
deu errado. Ele foi considerado profissional, perdeu o status
olímpico e os contratos.
Teve,
então, de viver exibições. Owens corria
contra atletas locais e até mesmo cavalos. Fumante,
Jesse Owens morreu no dia 31 de março de 1980, aos
76 anos, de câncer no pulmão.

Mildred
Didrikson (EUA) - Los Angeles 1932
Considerada
por muitos como a atleta mais completa da história,
a norte-americana Mildred Ella "Babe" Didrikson
(16/06/1911) brilhou em Los Angeles 32. Aos 21 anos, a norte-americana
conquistou duas medalhas de ouro (arremesso de dardo e nos
80 m com barreiras) e uma de prata (no salto em altura). Vencedora
da seletiva nacional em cinco eventos, só não
ganhou mais medalhas porque as mulheres estavam limitadas
a participar de apenas três provas nas Olimpíadas.

Mildred
Ella "Babe" Didrikson Los Angeles 32
O sucesso
futuro de Babe nos esportes era óbvio desde a infância.
O apelido, Babe, veio de Babe Ruth, lendário jogador
de beisebol. Quando pequena, jogando beisebol contra garotos,
ela não se cansava de acertar "home runs",
jogando a bola para fora do campo. No basquete, mesmo baixa,
foi eleita All-American, premiação dada aos
melhores jogadores da nação no nível
escolar, por três anos seguidos.
Ninguém
se espantou, então, quando, aos 16 anos, ela se tornou
recordista mundial do arremesso de dardo, com 40m66. Nas Olimpíadas
de 1932, conquistou o ouro nos 80m com barreira estabelecendo
o recorde mundial (43s68).

Elizabeth
Robinson (EUA) - Amsterdan 1928
Com apenas
16 anos, a norte-americana Elizabeth "Betty" Robinson
entrou para a história dos Jogos Olímpicos como
a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro no atletismo.

Amsterdam
1928, Games of the IX Olympiad. Women's athletics, at finish
of the 100m: (from L. to R.) Fanny ROSENFELD of Canada 2nd,
Elizabeth ROBINSON of the United States 1st and Erna STEINBERG
of Germany 4th. Credit: IOC Olympic Museum Collections
Nascida
em Riversale, no dia 23 de agosto de 1911, Betty entrou para
o esporte de forma curiosa: alguns meses antes dos Jogos Olímpicos,
enquanto corria para tentar pegar um ônibus, foi vista
por um professor de educação física,
que ficou impressionado com sua velocidade e lhe propôs
começar a treinar para melhorar seu estilo.
Na segunda
competição da qual participou, as seletivas
norte-americanas para os Jogos de 1928, Betty igualou o recorde
mundial, marcando 12s2. Em Amsterdã, quando disputava
sua quarta corrida na carreira, conseguiu a vitória
nos 100 m rasos, com meio metro de vantagem sobre a segunda
colocada. Na seqüência, a atleta ganhou a medalha
de prata no revezamento 4x100 m rasos.
Três
anos depois dos Jogos de Amsterdã, Robinson viajava
com seu primo quando sofreu, em Chicago, um grave acidente
aéreo. Para piorar, um homem que a socorreu achava
que Betty estaria morta, colocando-a dentro do porta-malas
do seu carro e levando-a até uma funerária.
De lá, Robinson foi para o hospital e ficou sete semanas
em coma.
Sem poder
andar normalmente por dois anos, só voltou a treinar
em 1933. Com muita força de vontade, a atleta conseguiu
participar dos Jogos de Berlim, em 1936. Na Alemanha, ainda
com seqüelas do acidente de avião, Betty não
dobrava o joelho, nem agachava-se para a largada nas provas
individuais. Porém, a norte-americana ainda conquistou
a medalha de ouro no revezamento 4x100 m rasos. Betty morreu
no dia 18 de maio de 1999, aos 87 anos de idade.

Johnny
Weissmuller (Estados Unidos) - Paris 1924
A história
do nadador Johnny Weissmuller é cheia de lendas, assim
como o personagem Tarzan, personagem que interpretou no cinema
nas décadas de 1930 e 1940. O norte-americano conquistou
três medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de
Paris, nos 100 m livre, 400 m livre e no revezamento 4 x 200
m.

Johnny
Weissmuller Paris 1924
O desempenho,
que não assusta um Michael Phelps ou um Mark Spitz,
ganha relevância e grande destaque na história
de todos os Jogos ao analisarmos os recordes de Weissmuller.
Segundo
o Comitê Olímpico Internacional, ele bateu 28
recordes mundiais. O dos 100 m livre, conquistado três
anos mais tarde, em 1927, durou 17 anos. Por isso, o próprio
COI coloca Weissmuller em pé de igualdade com Spitz.
Filho
de imigrantes suabos - região germânica que atualmente
faz parte da Romênia -, Weissmuller chegou aos Estados
Unidos com três anos de idade. Sua família radicou-se
em Windberg, na Pensilvânia.
Dois anos
antes dos Jogos de Paris, o nadador já tinha assombrado
o mundo ao conseguir 58s6 nos 100 m livre, convertendo-se
no primeiro atleta a nadar abaixo de 1 minuto nessa prova.
Em 1923, Weissmuller também foi o primeiro a baixar
os 5 minutos nos 400 m livre.
Além
das três medalhas de ouro conquistadas na capital francesa,
Weissmuller ainda arrematou uma medalha de bronze no pólo
aquático. Nos Jogos seguintes, disputados em Amsterdã,
ganhou os 100 m e o revezamento 4x200 m livre.
Em 1932,
aproveitando seu prestígio como esportista e também
seu porte atlético (tinha 1,90 m), recebeu uma proposta
da MGM (Metro Goldwin Mayer) para representar no cinema o
personagem Tarzan, protagonizando 12 filmes até 1948.
Falido depois de seis divórcios, Weissmuller acabou
internado em uma clínica psiquiátrica. Morreu
no dia 20 de janeiro de 1984 em Acapulco, México.

Paavo
Nurmi (Finlândia) - Antuérpia 1920
O finlandês
Paavo Johannes Nurmi, nascido na cidade de Turku no dia 13
de junho de 1897, é um dos quatro únicos atletas
que conseguiram nove medalhas de ouro olímpicas. Um
feito ainda mais impressionante se considerarmos que suas
medalhas foram ganhas nas mais exigentes provas de fundo e
que, quando estava no auge, ele foi proibido de participar
dos Jogos sob a acusação de profissionalismo.

Paavo Nurmi
running at the 1920 Olympics in Antwerp, Belgium.
Nurmi
apareceu pela primeira vez nos Jogos de 1920, na prova dos
5.000 m, ganhando uma medalha de prata, atrás do francês
Joseph Guillemot. Três dias mais tarde, se impôs
a Guillemot nos 10.000 m. Na seqüência, ganhou
a prova de cross country individual e ainda outra medalha
de ouro, por equipes, ganha facilmente pela Finlândia.
No dia
10 de julho de 1924, nos Jogos Olímpicos de Paris,
Paavo Nurmi realizou uma das maiores campanhas da história
olímpica. Começou ganhando o ouro nos 1.500
metros antes de se impor, duas horas mais tarde, nos 5.000
m. No dia seguinte, em um dos dias mais quentes em Paris,
o finlandês venceu a prova de cross country (uma modalidade
extenuante, de 10.000 m com obstáculos, que atualmente
está fora do programa olímpico) com uma vantagem
em relação ao segundo colocado de 1min24s6.
Ganhou também outra medalha de ouro na mesma modalidade,
por equipes.
No outro
dia, enquanto a maioria dos seus companheiros ainda tentava
se recuperar do esforço, Nurmi venceu a prova dos 3.000
m por equipes. Ele ainda tentou defender seu título
nos 10.000 m, ganho em Antuérpia, porém os próprios
treinadores finlandeses se recusaram a inscrevê-lo.
Voltando
à Finlândia, ainda furioso pela proibição,
Nurmi estabeleceu um novo recorde mundial nos 10.000 m, que
duraria por mais de 13 anos. Em 1928, Nurmi concluiu sua carreira
olímpica com uma vitória nos 10.000 m e uma
medalha de prata nos 5.000 m e nos 3.000 m com obstáculos.
Herói
nacional, o corredor causou um dos momentos mais emocionantes
das Olimpíadas de Helsinque, em 1952, ao entrar no
estádio carregando a tocha olímpica. Quando
morreu na capital finlandesa, aos 76 anos de idade em 2 de
outubro de 1973, teve um enterro com honras de Estado.

Jim
Thorpe (Estados Unidos) - Estocolmo 1912
Filho
de índios e descendente de franceses e irlandeses,
o norte-americano Jim Thorpe, de 24 anos, brilhou nos Jogos
de Estocolmo. Vencedor e recordista do decatlo e do pentatlo,
no atletismo, Thorpe foi considerado o "maior atleta
do mundo" pelo rei da Suécia, Gustavo V, durante
a premiação.

Jim Thorpe
of the USA winner of both the Pentathlon and Decathlon at
the Olympic Games held in 1912 in Stockholm, Sweden. (Photo
by Hulton Archive/Getty Images)
A glória,
no entanto, foi injustamente retirada do atleta pelo Comitê
Olímpico Internacional um ano depois. Ao descobrir
que o atleta recebia 25 dólares semanais para jogar
beisebol em um pequeno time da Carolina do Norte, o COI cassou
suas duas medalhas de ouro. Na época, a entidade não
admitia que atletas fossem pagos para competir e pregava o
amadorismo.
Em Estocolmo,
Thorpe venceu quatro das cinco provas do pentatlo (salto em
distância, 200 m rasos, arremesso de disco e 1500 m
rasos e ficou em segundo lugar no arremesso de dardo). No
decatlo, o norte-americano ganhou quatro provas (arremesso
de peso, salto em altura, arremesso de disco e 110 m com barreiras).
O COI,
no entanto, só foi rever sua decisão 70 anos
após as Olimpíadas. Em 1982, resolveu devolver
as honras e as medalhas aos familiares de Thorpe, que morrera
havia 30 anos.

Raymond
Ewry (EUA) - Londres 1908
Em 1908,
o norte-americano Raymond "Ray" Clarence Ewry encerrou
sua seqüência de medalhas em três Olimpíadas,
ao conquistar mais dois ouros e fechar sua coleção
de triunfos em oito.

Ray Ewry
clearing the bar during the standing
high jump competition at the 1908 Olympics in London.
Nascido
no dia 14 de outubro de 1873, na cidade de Lafayette, estado
de Indiana, Ewry foi vítima de poliomielite aos 12
anos e voltou a andar somente cinco anos mais tarde. Neste
período usava cadeiras de rodas e teve que passar por
tratamentos e exercícios constantes para readquirir
os movimentos.
Após
fazer graduação em Engenharia na Universidade
de Purdue, passou a integrar a equipe de atletas do New York
Athletic Club, famoso pelo talento de seus atletas.
Ali, ele
se especializou em provas olímpicas que hoje não
existem mais: o salto em altura, salto em distância
e salto triplo, todos sem corrida; são eventos iguais
aos de hoje, só que o atleta não podia correr
nem tomar distância para realizar o salto, partindo
de posição completamente estática, com
os dois pés no chão, usando apenas o próprio
impulso do corpo. Nestas provas, Ewry provaria ser o melhor
do mundo por quase uma década.

Anton
Heida (EUA) - Saint Louis 1904
Pode-se
dizer que o norte-americano Anton Heida foi o primeiro grande
atleta dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Até
Saint Louis, em 1904, nenhum atleta havia ganhado tantas medalhas
em uma mesma edição das Olimpíadas. O
ginasta escreveu seu nome na história do esporte ao
obter seis pódios em 1904.

Saint Louis
1904
Foram
cinco medalhas de ouro e uma medalha de prata, fato, para
se ter uma idéia, que colocaria o atleta na segunda
posição no quadro de medalhas geral daquelas
Olimpíadas, à frente da Alemanha, que ganhou
quatro medalhas de ouro no geral. Tudo porque os EUA dominaram
imensamente os Jogos, arrematando 85% de todas as premiações
(um recorde até os dias de hoje) e deixando os rivais
com uma "secura" de medalhas. Das 91 provas dos
Jogos de Saint Louis, somente 42 incluíram atletas
que não eram dos Estados Unidos (51 do Canadá
e 105 dos outros países).
Anton
Heida ajudou a equipe norte-americana nesta façanha
e venceu na subida de corda e nas barras fixas, dividiu o
ouro no salto sobre o cavalo e ganhou o último ouro
nos exercícios combinados por equipes. O ginasta conquistou
ainda a prata nas barras paralelas.

Ramón
Fonst (Cuba) - Paris 1900
Primeiro
atleta cubano e latino-americano a ganhar uma medalha de ouro
olímpica, Ramón Fonst Segundo foi uma das grandes
surpresas dos Jogos de Paris, ao conquistar o ouro na modalidade
espada quando tinha apenas 16 anos. Na final, Fonst derrotou
o favorito Louis Perrée, da França.

Ramón
Fonst
Fonst
nasceu em Havana, no dia 31 de agosto de 1883, e iniciou-se
na esgrima em sua cidade natal, sob a tutela de seu pai, Filiberto
Fonst. Depois viveu boa parte da infância e da juventude
na França, onde aprendeu os segredos do esporte tradicional
do local com os melhores professores.
Graças
a sua excelente técnica e habilidade, o canhoto Fonst
venceu em 1904 o Campeonato Internacional, também disputado
em Paris. No mesmo ano, participou dos Jogos Olímpicos
de Saint Louis, nos Estados Unidos, onde conquistou vitórias
em espada, florete individual e por equipe e virou ídolo
do esporte.

Fontes:
The Beijing Organizing Committee for the Games of the XXIX
Olympiad; Uol Olimpíadas, Almanaque Abril 2001 em CD-Rom;
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