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Marilson
dos Santos
Marilson
corria descalço pelas ruas de Brasília até
ser descoberto, aos 14 anos. Mudou-se para Santo André
logo depois. Franzino, demorou para ganhar o peso e a maturidade
necessários para correr provas longas.
No
começo centrou a sua carreira em provas de meio-fundo,
os 5.000 m e 10.000 m. Apesar de alguns bons resultados, seus
tempos eram fracos se comparados aos dos melhores do mundo.
"Decidimos mudar de prova. Arriscamos nas maratonas",
recorda o ténico Adauto Domingues.
Os
primeiros resultados foram promissores, mas vieram acompanhados
de uma frustração. O brasiliense estreou nos
42,195 km em abril de 2004, na França. Completou o
percurso em sexto, sem alcançar seu principal objetivo,
que era a classificação para os Jogos de Atenas.
Sua marca não era suficiente para entrar na seleção.
No
ano seguinte, Marilson progrediu, deixou o medalhista olímpico
Vanderlei Cordeiro de Lima para trás e assumiu o posto
de melhor maratonista do país. No Mundial de Helsinque-2005,
acabou em décimo. "Desde então, sabíamos
que ele poderia conseguir grandes resultados", afirma
o técnico.
Bicampeão
da São Silvestre ( demorou 20 anos para que um brasileiro
voltasse a ser bicampeão ), Marilson dos Santos, afirmou
um dia depois, em 2 de janeiro de 2006, que tinha planos de
se especializar em maratonas (42,195 km).
"Vamos
ver no que eu vou trabalhar. Depende muito da seqüência
de resultados", afirmou Marilson. "Estou sem muita
preocupação quanto a isso."
Meses
depois, Marílson Gomes do Santos fez história
aos 29 anos, tornando-se o primeiro brasileiro e também
sul-americano a vencer a Maratona de Nova Iorque, tradicional
prova do atletismo mundial. Usando luvas e proteção
na cabeça e nos braços por causa da temperatura
-9C, com sensação térmica de 6C-, o brasiliense
cruzou a linha de chegada após 2h09min58s. Deixando
para trás os quenianos Stehen Kiogora (2h10min06) e
Paul Tergat (2h10min10s), que ficaram em segundo e terceiro
lugares, respectivamenta.

A
37ª edição da Maratona de Nova Iorque teve
cerca de 37 mil participantes, de diversos países.
E reuniu alguns dos melhores atletas da modalidade, como o
queniano Paul Tergat, atual recordista mundial, e o italiano
Stefano Baldini, medalha de ouro na Olimpíada de Atenas,
em 2004.
"O
pelotão da frente é grande na maratona de Nova
York, mas tentei correr no vácuo e sabia que era uma
prova difícil. Procurei economizar no começo
o máximo possível para terminar da melhor forma
possível", afirmou Marilson.
Último
quilômetro da badalada Maratona de Nova York, Marilson
Gomes dos Santos olha diversas vezes para trás.
Procura os quenianos, sempre apontados como favoritos, e parece
não acreditar que a tática de se desgarrar do
pelotão na metade final da prova o conduzia para um
feito inédito.
O
brasileiro assumiu a liderança da prova no quilômetro
37 e sofreu ataque de Tergat, que tinha vencido a Maratona
de Nova Iorque no ano passado. Mas Marílson conseguiu
resistir e manter a primeira colocação, conseguindo
a histórica vitória e o prêmio de US$
130 mil.
"Teve
um momento da prova em que eu fiquei preocupado, porque comecei
a sentir algumas dores musculares. Procurei me concentrar,
centrar na prova", lembrou ele, se emocionando com o
momento que está vivendo.
"É
o àpice para mim. Nunca imaginei que um dia pudesse
chegar a esse ponto", disse.
Marilson
também relembrou o apoio que teve dos pais no início
da carreira. "Eles sempre me apoiaram bastante. São
meus torcedores n°1. Foi difícil para eles, saí
de casa com 15 anos. Era muito caseiro e, de repente, saí
para viver longe e em outro estilo, mas eles entenderam muito
bem", comentou.
Assediado
nos EUA e no Brasil após sua vitória na maratona
de Nova York-, Marilson disse que a correria ainda não
havia acabado.
"Na
verdade, até agora a maratona ainda não acabou.
Os dois dias depois da maratona foram muito corridos, tive
que assumir alguns compromissos, o que sempre acontece com
o campeão da prova. É uma grande maratona, de
status mundial, não tem como fugir disso", afirmou.
A vitória
do brasileiro em Nova Iorque teve uma chamada na capa do New
York Times e destaque na seção de esportes.
De acordo com o jornal, a vantagem do bicampeão da
São Silvestre era tão grande que os espectadores
puderam passar pelas intersecções entre o eventual
vencedor e o grupo que vinha em seguida.
"Não
sabia exatamente quem ele era", disse o queniano Paul
Tergat, campeão da Maratona de Nova York, em 2005,
e detentor da melhor marca da distância.
Uma semana
depois da vitória épica, desfilou em carro aberto,
em Brasília, saudado pelo público em sua cidade
natal e depois recebeu a medalha do mérito desportivo
das mãos de Aldo Rebelo, presidente interino da República
na ocasião.
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Fontes
: Reuters,
Agência Estado e Folha de S.Paulo
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