Em 1968 o bruxo dos mil instrumentos Hermeto Pascoal reuniu-se ao herói da guitarra pós-tropicalista Lanny Gordin, o bossanovista Cido Bianchi, o violonista Olmir Alemão Stocker e o jazzista Nilson da Matta. Esse encontro marca um capítulo pouco conhecido da história da nossa música instrumental, intitulado Brazilian Octopus, e resultou num álbum homônimo que hoje é disputado por colecionadores. "Sem dúvida, o grupo mais estranho surgido na música brasileira", comenta Marcelo Dolabela, em seu dicionário ABZ do Rock Brasileiro.

Produzido por Mário Albanese e Fausto Canova, o álbum do Brazilian Octopus inclui ainda arranjos que exploravam uma característica sonoridade produzida pelas flautas com o vibrafone, o órgão e as guitarras. "Nunca recebemos um tostão por esse disco. Parece que ele foi lançado na Europa, onde fez até um certo sucesso", diz Carlos Alberto, lembrando que os integrantes do Brazilian Octopus chegaram a procurar a gravadora. Em vez de cheques, receberam apenas elogios e um convite para gravar outro disco. Como imaginaram que não receberiam nada novamente, recusaram. Terminou ali o inusitado octeto.