"Eu saí de minha cidade, Lagoa da Canoa (Alagoas), para uma festa junina em Palmeira dos Índios. Fui eu e meu irmão, José Neto, que já está em outro plano. De repente, me deu na cabeça de não voltar para casa e ir para Recife. Porque eu sabia que se eu falasse com meus pais, jamais eles deixariam eu ir. Eu tinha apenas 14 anos. Minha intuição estava muito forte, pedindo para eu começar a luta pela música. Aí eu falei com meu irmão, que era mais velho. Ele não concordou, disse que papai ia dar uma pisa nele. Pisa na minha terra é surra. Naquele tempo, os irmãos maiores tomavam conta dos outros. Então, eu disse: “Se você não quiser ir, será pior. Eu vou só”. Aí é claro que ele foi. Conseguimos pegar o ônibus. Tinha uns trocadinhos da festa que a gente tocou. Mas era muito pouco. Quando entramos no ônibus, eu comecei fingir que estava chorando: “Eu tenho que ir para Recife porque minha tia está morrendo, meu Deus”. O motorista deixou a gente ir. Mas ele disse que tínhamos de ficar escondidos lá no fundo. Se a polícia pegasse era problema. E nós éramos muito brancos. Não era difícil de nos achar. Chegamos em Recife. E lá começou tudo. Eu fui para a Rádio Tamandaré."


Recife