Ao lado de músicos como o saxofonista Maceo Parker e o trombonista Fred Wesley, Brown criou uma música crua, intensa, sexual, instintiva e dançante, com forte ênfase nos ritmos criados a partir de improvisações dos músicos e nos sopros com influência de jazz. Com base nos riffs melódicos do naipe de sopros, nas intrincadas linhas de baixo, nas baterias suingadas e guitarras minimalistas, sua banda tinha sonoridade tão própria que chegou a gravar discos instrumentais.

Brown era também produtor prolífico, especialmente de novas cantoras, o que ajudou a espalhar sua música pelo mundo -além, é claro, dos muitos hits que emplacou nas paradas.

Sem ser exatamente um compositor de canções, Brown era intérprete inigualável de suas próprias músicas. Quando cantava, eram tradição seus gritos -para chamar o público à dança nas músicas agitadas, para partir o coração dos ouvintes nas baladas. Suas letras não eram letras, eram frases, expressões, gírias, metáforas, palavras gritadas instintivamente, chamados à ação.