Ao elaborar longas listas de preferências (em ‘Let’s do it”, por exemplo), Porter resgataria algo do colecionismo do homem primitivo, que procurava se reconhecer por meio dos objetos que acumulava nas cavernas. Porter colecionava coisas (de cigarreiras a objetos de arte) como quem coleciona amantes. Foi essa vocação para colecionador que o conduziu à frustração amorosa após tantas experiências extraconjugais, mas manteve vivo o desejo de traduzir esse sentimento por meio da música. Uma balada como “Everytime We Say Goodbye” é muito mais o desabafo de um amante habituado às despedidas de um caso passageiro do que um tema de funeral, como muitos sugerem. Sua ironia era a triste constatação de uma existência patética, que só parecia fazer sentido na criação musical. Porter encontrou conforto nas relações fortuitas e na harmonia simples. E, paradoxalmente, construiu um mundo sofisticado com elas. |
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