Se já haviam experimentado com o reggae antes de "London Calling", o Clash retomava as fusões de estilos sem qualquer pudor, passando para a forja de híbridos punk/reggae, associações coerentes com o rockabilly, flertes com o ska, amassos com o som tradicional de Nova Orleans, transas de uma noite com o jazz e até alguns acenos ao hard rock. Nada poderia ser mais audacioso que esse painel multifacetado atingindo as mentes londrinas e depois mundiais.

A síntese do álbum está na faixa-título – a primeira do repertório de 19 faixas: guitarras e bateria duras, linha de baixo escorregadia, sonoridade inclassificável. Entra o vocal e Joe Strummer disserta sobre uma Londres decadente, à beira do caos civil. A essência punk está na acidez da letra e no jeito agressivo de tocar mas, musicalmente, o Clash desobedece a cartilha dos três acordes e da velocidade desenfreada. A agressividade aparece em andamento cadenciado e arejada por harmonias mais elaboradas.