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Burt
Bacharach, o maior hitmaker vivo, faz shows no Brasil
SÃO
PAULO - Ele acaba de gravar um disco novo na Inglaterra com
emergentes do pop, como a cantora Duffy, o pianista Jamie
Cullum, a banda Kings of Leon, entre outros. Suas canções
foram gravadas pelos mais celebrados grupos de rock, como
White Stripes (I Just Don't Know What to Do With Myself),
Manic Street Preachers (Raindrops Keep Fallin on My Head)
e Noel Gallagher (This Guy's in Love With You).

Está
na capa do grande disco do Oasis, Definitely Maybe, de 1994.
Sabe aquela cena do filme da série Austin Powers em
que o agente secreto de araque e sua namorada andam de limusine
pelas ruas de Las Vegas e tem um pianista tocando em cima
do carro em movimento? Era ele. E olha que ele vai fazer 81
anos no dia 12 de maio.
Burt Bacharach
(pronuncia-se Bákarak, e não Bakará),
compositor, cantor, pianista, é a grande lenda melódica
do pop mundial, o maior hitmaker vivo. Faz todo mundo assobiar
suas canções há pelo menos 5 décadas.
Há 30 anos não vinha a São Paulo (esteve
no Rio há uns 10 anos). Agora, volta para tocar, nos
nesta quarta, 15, e quinta, 16, no HSBC Brasil (R. Bragança
Paulista, 1.281). Ingressos pelo tel. 4003-1212.

"Tem
dois artistas com os quais gostaria de ter gravado durante
minha carreira, e não gravei: Isaac Hayes e Barry White.
Agora eles estão mortos, é muito tarde",
lamenta-se Bacharach ao telefone, falando ao Estado de sua
casa de US$ 8 milhões em Pacific Palisades, subúrbio
de Los Angeles. A voz está rouca e distante, como se
saísse de uma frequência AM de rádio.
O
mundo do rock, de Oasis a Stereophonics, todo mundo grava
suas músicas.
É
um grande elogio para mim quando eles descobrem minha música
por si mesmos, sem ser uma promoção da gravadora.
White Stripes, por exemplo: alguém da banda ligou,
pediu permissão e fez a própria versão,
que é fantástica. Todas as versões cover
de minhas canções eu gosto. Acabo de gravar
um disco com artistas ingleses jovens, como a cantora Duffy.
O
sr. sempre fala que tem influência da música
brasileira. Quais discos de música brasileira foram
decisivos? Sérgio Mendes foi um deles?
O nome
das pessoas que foram influentes para mim não é
importante. Mas há muito de Ivan Lins nos meus discos.
Eu o encontrei em Santa Monica, e nós conversamos,
é uma pessoa muito agradável. E também
Milton Nascimento, Djavan. Ouvi Milton e Djavan porque sua
música é incrível, fresca e a língua,
que eu não entendo, é maravilhosa, sensual,
sexual. A única vez que eu não gostei foi quando
Ivan Lins fez um disco com Quincy Jones, e as canções
todas foram vertidas para o inglês, e não funcionou
muito bem. Quer dizer: canções como Quiet Nights,
sim, funcionaram legal. Prefiro muito mais quando ele canta
em português, é tão sensual, romântico.
Você esquece dos problemas do mundo.
O
pianista McCoy Tyner disse que o sr. faz músicas muito
sofisticadas com acordes e arranjos simples. Essa tem sido
sua ambição?
Eu adoro
ele. Bem, não faço intencionalmente. Faço
as melodias, e não acho que as harmonias sejam simples.
Nada é feito de propósito, é só
o jeito que eu sinto, é como eu sou, muito econômico
e esparso quando faço a orquestração.
O propósito é "menos é melhor",
então quando as cordas entram, têm de servir
a um objetivo, não é apenas para encher de elementos.
O
sr. chegou a namorar Marlene Dietrich, como dizem?
Nunca.
Fui diretor musical dela, regi para ela quando esteve na América
do Sul. Não misturo música e amor. Bom, fiz
isso uma vez, com Carole Bayer Sager, com quem compus grandes
canções. Mas é duro fazer as duas coisas
ao mesmo tempo (entre 1956 e 1958, Bacharach trabalhou com
Dietrich, e foi nessa época que compôs seu primeiro
hit, A Bolha). Estou casado com Jane, que é "civil",
há 20 anos. Ela era a minha instrutora substituta de
esqui. Ela não é cantora, não é
atriz. A vida é boa. Gosto da minha vida como ela é
agora, temos dois filhos maravilhosos.
Ao
longo da sua carreira, o sr. teve muitos parceiros, como Dionne
Warwick, Elvis Costello. O sr. teve desejo de fazer uma parceria
com alguém que não conseguiu realizar?
Tem alguns
caras. Sempre tive muita vontade de gravar com Luther Vandross.
E Isaac Hayes, é triste que tenha morrido, não
será mais possível. E Barry White, adoro os
discos dele. Agora estão mortos, é muito tarde.
Gostaria de gravar de novo com Elvis Costello.
Muitos
dizem que, no fundo, o sr. é um jazzista.
Não
sou um músico de jazz. Amo o jazz: minhas influências
foram Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Charlie Parker, essas
pessoas. O jazz influenciou minha vida e tem um papel na minha
formação. Eu sou simplesmente um compositor.
Um músico que tem a pretensão de poder fazer
muitas coisas diferentes, desde acompanhar uma cantora como
Marlene Dietrich até compor para um musical da Broadway.
Nos
anos 70, tinha-se a impressão de que, girando o dial
do rádio, o sr. estava em todas as estações.
O que acha da nova circunstância da indústria
musical hoje?
Está
tudo de ponta-cabeça. As companhias de disco não
sabem o que fazer. As lojas de discos estão sendo mortas
pelo downloading. Não há solução,
eu não sei para onde aponta o futuro. A música
é de graça na internet. Há algumas ideias
surgindo. O Radiohead colocou seu disco na internet e disse:
você pode comprar ou pode pegar. Pode pagar US$ 15 dólares
ou US$ 0,5. Nos bons dias, você tinha estações
de rádio independentes, em Detroit, New Orleans. Agora
todas têm a mesma lista de músicas.
São
Paulo - 15 e 16 de Abril (quarta e quinta-feira)
HSBC Brasil
Rua Bragança Paulista, 1.281 - Chácara Santo
Antônio
Preços: R$ 150 à R$ 400
Horário: 21h30
Informações: (11) 5646-2100
Classificação: 14 anos
Rio de
Janeiro - 18 de Abril (sábado)
Vivo Rio
Avenida Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo
Preços: R$ 100 à R$ 400
Horário: 22 horas
Informações: 4003-1212
Classificação: 16 anos
Fontes:
Reuters, Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo
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