Big
Bands II
Maria Schneider
Orchestra
A
saga de Maria Schneider teve início em meados
da década de 80, quando ela passa a estudar
composição com o trombonista Bob Brookmeyer
e passa a ser auxiliar de Gil Evans, chegando a
colaborar com este na trilha do filme A Cor
do Dinheiro e na turnê Gil Evans/
Sting em 1987, na Europa. Sua carreira solo,
porém, inicia em 1993 quando ela forma sua
própria orquestra e começa a se apresentar
todas as segundas-feiras no grande clube Visiones
em Greenwich Village, Nova Iorque. Ao gravar seus
primeiros discos, Evanescense e Coming
About, o sucesso de público e crítica
foi imediato.
Seus discos posteriores lhe renderam excelentes
críticas e premiações nos maiores
holofotes americanos: indicações a
premios Grammy's, matérias na revista Time
e os primeiros lugares nos rankings da Billboard.
Nós
anos 90 talvez tenha ficado na sombra do bandleader
e compositor Wynton Marsalis, haja vista suas poderosas
suítes e oratórios que acabou lhe
rendendo prêmios e títulos como "Um
dos maiores compositores norte-americanos de todos
os tempos" - vide o prêmio Pullitzer
dado à obra Blood on the Fields
em 1997. Mas na década de 2000, Maria Schneider
foi, realmente, a maior arranjadora e chefe de orquestra.
Conseguiu
mostrar obras de grande lirismo, inventividade e
vigor em alguns arranjos, através dos maiores
solistas de Nova Iorque: entre eles o virtuoso trompetista
Tim Hagans, o saxofonista Donny McCaslin, o acordeonista
Gary Versace, a trompetista Ingrid Jensen, a vocalista
brasileira Luciana Souza e o baterista Clarence
Penn, dentre a elite mundial de instrumetistas.
Schneider
imprime em suas peças melodiosas inesquecíveis
detalhes de sonorização, harmonização
e atmosfera: em seus discos há, por exemplo,
faixas de grande swing e pegada bop (como no arranjo
sobre o tema Giant Steps de Coltrane),
constratando com outras faixas que evidenciam uma
orquestração mais melodiosa, tênue
e lírica (como em Aires de Lando
- do disco Sky Blue -, faixa suvamente
dotada de um lirismo latino): muitas vezes essas
faixas soam quase como um cantábile em adágio,
com uma dinâmica musical que vai do pianíssimo
ao fortíssimo, imprimindo, no percurso, várias
nuances interessantes. Contudo, a música
de Schneider não soa melosa ao extremo, mas
soa contemporânea e agradável - além
do que, também há partes onde ela
evidencia uma orquestração mais "suja",
"psicodélica" e "experimental":
como na primeira faixa da "suite" Scenes
From Childhood intitulada Bombshelter Beast,
presente no excelente disco Coming About.
Lincoln
Center Jazz Orchestra
O
trompetista americano Wynton Marsalis destaca-se na
paisagem do jazz por muitas características.
A maior delas é sua absoluta devoção
ao ritmo que define como "total jazz". "Jazz
é a música da América. Nasceu
em Nova Orleans, mas se desenvolveu em muitas outras
cidades como Philly, Detroit, Kansas City, Los Angeles,
e tudo junto veio dar em Nova York. É a maior
contribuição cultural da América.
Quando nós afirmamos o jazz, nós afirmamos
o que nossa cultura tem de melhor a oferecer",
disse o músico, o primeiro jazzista a ganhar
um Pulitzer - também ganhou 11 prêmios
Grammy, dois deles por discos de música erudita.
Marsalis,
que sempre veste ternos impecavelmente cortado, bigodinho
old fashion e sapatos tão reluzentes que, sugeriu
um cronista, se um carro passar numa poça e
encharcá-los de lama, ainda assim continuarão
brilhantes, é o diretor artístico do
Jazz at Lincoln Center, que mantém uma das
mais virtuosísticas, criteriosas, regulares
e celebradas big bands de jazz da atualidade, a Lincoln
Center Jazz Orchestra, da qual ele é o band
Leader.
Quando
tinha 8 anos, Wynton Marsalis ganhou um trompete LeBlanc
de Al Hirt. Nascido e criado em família de
músicos, cujo patriarca é o venerável
Elis Marsalis, foi influenciado em grande medida pelos
músicos sulistas - ele ressalta nomes como
o clarinetista Alvin Batiste e o trompetista John
Fernandez, entre outros. Mas seria impreciso hoje
definir Wynton Marsalis apenas por seus talentos como
instrumentista e compositor. É atualmente um
dos mais argutos estudiosos da música americana,
tendo esmiuçado o desenvolvimento do jazz e
do blues ao longo do século, da música
de Louis Jordan e Louis Armstrong à gênese
da cultura negra.
Big
Bands I - Glenn Miller
Fontes:http://www.estadao.com.br;
http://farofamoderna.mypodcast.com/2009/
http://mtv.uol.com.br |