VIEIRA DA SILVA

Composition, 1936
Ó leo sobre tela
105,3 x 161,5 cm
The Solomon R. Guggenheim Museum,
Nova York.

Portrait of Cecília, oil on canvas by Maria Helena Vieira da Silva

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Maria Helena VIEIRA DA SILVA (1908-1992)

Nasceu em Lisboa, em 1908, e morreu em Paris, em 1992. Filha única, a música e a leitura constituíram os seus primeiros interesses. Mais tarde descobriu a sua verdadeira paixão: a pintura e o desenho. Desde muito cedo, começou a receber lições e, também motivada pela escultura, estudou Anatomia na Faculdade de Medicina em Lisboa.

Apoiada pela família, aos 18 anos partiu para Paris e inscreveu-se nas academias La Grande Chaumière e Scandinave. Abandonou a escultura e dedicou-se à pintura e à gravura, vindo a trabalhar com Duffrene, Waroquier, e a receber lições de Fernand Léger.

Em 1930, casou-se com o pintor húngaro Arpad Szenes, que a encorajou e protegeu ao longo do resto da vida. Um ano mais tarde expôs nos Salons d’Automne e Surindépendants.


Vieira da Silva

Durante esta época surgem as telas Les Balançoises e Le Quai de Marseille, nas quais se começou a manifestar a autenticidade das suas qualidades artísticas.

Em 1932, frequentou o curso na Academie Ranson, tendo sido aluna de Bissière. Para Vieira da Silva foi um longo período de descobrimento e reflexão: descobriu a importância da repetição, das perspectivas, das malhas e dos quadrados, usados nas suas obras Atelier-Lisbonne (1934-1935) e Composition (1936). Desta sua fase são também notáveis as telas: La Chambre à carreaux (1935), Le Jeu de cartes e La Machine optique (1937). Em 1940, atingiu a sua maior perfeição com a conhecida obra L’Atelier.

Na Segunda Guerra Mundial, regressou com Arpad a Lisboa. Hostilizados pela política salazarista, decidiram refugiar-se no Brasil, onde as suas vidas foram bastante difíceis tanto do ponto de vista financeiro como sentimental.


História Trágico-Marítima.

As saudades de Paris fizeram-na criar as célebres obras Le Métro (1940) e La Partie d’échecs (1943), consideradas verdadeiras obras-primas. Embora fosse incompreendida pela maioria da crítica brasileira, os poetas Cecília Meireles e Murilo Mendes apreciaram e difundiram a sua obra e assim, em 1942, expôs no Museu Nacional de Belas-Artes e, em 1946, no Palácio Municipal de Belo Horizonte.

Voltou a Paris em 1947, onde iniciou um período fundamental com os trabalhos La Bibliothèque e Gare Saint-Lazare, desse ano. Realizou várias exposições, tanto em França como no estrangeiro, e foi nesse período considerada como uma das principais figuras do Abstraccionismo Lírico da Escola de Paris.

Em obras como La Bataille des Rouges et des Bleus (1953) e Composition 55 (1955), os espaços são organizados, mantêm-se as perspectivas labirínticas e as repetições minuciosas. Mas a partir daí o seu trabalho tornou-se cada vez mais irreal e mágico.

Em 1956, Vieira e Arpad naturalizaram-se franceses e mudaram-se deinitivamente para a sua casa-ateliê na rua l’Abbé Carton.

 

No fim da década de 50, a artista dedicou-se quase exclusivamente à gravura para a ilustração do livro de René Char, L’Indépendance lointaine. Em 1961, obteve o “Prémio Internacional de Pintura”, na 6.ª Bienal de São Paulo (Brasil). Na década de 60, pintou várias obras, tais como L’Été (1961), L’Entreprise impossible (1961-1967), Au fur e à mesure (1965), Bibliothèque (1966) e Maio de 68 (1968).

Em 1970, a Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma retrospectiva de toda a sua obra. Após a revolução de 25 de Abril, foi condecorada com a Grã Cruz de Santiago e Espada, pelo Presidente da República.

Dos anos 70 ficam telas muito célebres como: New Amsterdam I e II (1970), Les Trois fenêtres (1972-1973), Bibliothèque en feu (1970-1974) e Arcanne (1978).

Na década de 80, o seu trabalho foi diversas vezes interrompido pela doença de seu marido e, sobretudo, pela sua morte. No entanto, em 1986, reapareceu com Soleils, uma obra inesquecível. Na mesma época surgiram também: Chemins de paix (1985), Déchirure (1984-1985), L’Issue lumineuse (1983-1986) e Le Retour d’Orphée (1982-1986).

Voltou várias vezes a Portugal, para acompanhar os trabalhos de reprodução em azulejo da obra Le Métro, numa das estações do Metropolitano de Lisboa. Participou também nas inaugurações das exposições dedicadas ao marido.


Maria Helena Vieira da Silva,
Enigma, 1947

Em Junho de 1988, data do seu octogésimo aniversário, a Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com o Centre National d’Arts Plastiques, inaugurou uma exposição antológica da sua obra, e o governo português prestou-lhe nova homenagem, atribuindo-lhe a Grã Cruz da Ordem da Liberdade.

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Fontes : MAM, O Estado de S.Paulo, Sapo e Maria Almeida Lima


Links

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