Londres,
1968. A face de "Dionísio" toma toda a tela, em transe
canta/fala: “Vamos
ficar juntos...”
Na sequência entra a voz
do apresentador, dizendo:
“O cantor é a estrela americana, Jim Morrison,
líder da banda californiana de rock chamada "The Doors".
"Através de sua música, Morrison comenta
sobre a sociedade. Fala para uma geração que
cresceu espalhada pelas ruas do mundo".
"Para ela, ele é um
poeta, profeta e político".
"Como seus contemporâneos,
o grupo mostrou mais claramente contra o que eles são.
Esse filme é sua ilustração sobre a
situação do mundo."
"A mensagem do The Doors é barulhenta.
Por favor, não ajuste seu aparelho".
Trata-se do show/documentário The Doors Are Open (1968),
dirigido por John Sheppard.
The
Doors Are Open Part I
Filmado
em preto e branco é a união
da performance antológica
no Roundhouse Theatre com o que estava acontecendo
no mundo: a Revolução Cultural.
Em 1967, na Califórnia,
o mundo cultural começa a se incendiar. Nasce uma revolução
que tinha como lema a paz e o amor, E como ingredientes:
sexo, drogas e rock’n’roll.
Logo ganhou a adesão de jovens de todo o mundo
e se somou aos protestos estudantis de maio de 1968, na Europa.
Muita coisa mudou na moda, na pintura, no
cinema, na música,
na forma de encarar a sexualidade, no relacionamento humano,
nas questões de diversidade racial, entre inúmeros
outros territórios.
E naquele ano surgia uma nova banda, liderada
por um filho de almirante e ex-aluno de cinema da UCLA
(Universidade da
Califórnia em Los Angeles ): The Doors!
O filme
de John Sheppard foca esse período e o Doors,
que foi o símbolo da revolução.
A músicas
do filme são do show em Londres,
e entre elas aparece a cara da extrema direita em comentários
e atitudes. Surgem dois lados: o ódio a quebra do
status quo e a repressão as novas formas de
pensamento e do outro o "shivaismo" de Jim e sua banda.
The
Doors Are Open Part II
The Doors no The Roundhouse Theatre
Um mês após
as tumultuosas cenas de "Singer Bowl" em Nova
York (um trágico show durante o qual centenas de pessoas da platéia
e policiais ficaram feridos durante um grande confronto) o grupo viajou a
Inglaterra para as suas primeiras apresentações fora dos EUA.
Deram uma coletiva para a imprensa no Instituto
de Artes Contemporâneas
de Londres e depois fizeram o show no The Roundhouse Theatre.
O resultado foi gravado pela Granada TV através da direção
de Sheppard em The Doors Are Open.
Sem dúvida
um registro histórico inestimável
que abre as portas para a identificação do
homem com a natureza. O homem verdadeiro é nu. A religião
hipócrita e farisaica da cidade é que exige
a roupa.
“A embriaguez do vinho e das bebidas alucinógenas
faz parte das técnicas do êxtase. Ajudam o homem
a libertar-se de suas preocupações materiais
e são a preparação para a percepção
de realidades superiores."
“Bebendo e bebendo mais ainda, caindo no chão
e levantando-se para beber. É assim que atinge a libertação.” (Kularnava
Tantra, VII, 99)
The Doors
Are Open Part III
"Carregue-me,
caravana
leve-me daqui
Leve-me a Portugal,
leve-me a Espanha
Andalusia
com campos cheios de grãos." (Spanish Caravan.
The Doors)
The Doors
Are Open Part IV
"Eu
sou um homem da porta de trás.
Os homens não sabem,
Mas as garotinhas entendem!" (Back Door Man. The Doors)
The Doors
Are Open Part V
"Todos
nós envelhecemos e os jovens se fortalecem
Pode levar uma semana e pode levar mais tempo
Eles têm as armas, mas nós temos os números
Vamos vencer, estamos tomando conta." (Five To One.
The Doors)
The
Doors Are Open Part VI
"A
música é sua amiga íntima
Dance no fogo se ela quiser
Música é a sua única amiga
Até o fim."
(When the Music´s Over. The Doors)
Dionísio: Deus grego equivalente ao romano
Baco, especificamente deus do vinho, das festas, do lazer,
do prazer, do pão
e mais amplamente da vegetação,