Grandes Albuns II

 

Unknown Pleasures (1979) - Joy Division

Logo depois de surgir no conhecido EP Factory Sample, de 1978, financiado por umacelebridade local de TV, Tony Wilson, o Joy Division optou por lançar seu primeiro álbum, um
marco, pelo pequeno e independente selo Factory, apesar do interesse de grandes gravadoras.

O disco foi gravado em uma semana no Strawberry Studios, de Stockport. O visionário Hannet pegou a guitarra metal de Bernard Dicken (também conhecido por Summer), as melodias peculiares do baixo de Peter Hook e a inovadora combinação de bateria acústica e eletrônica feita por Stephen Morris e criou uma ambientação silenciosa e desconcertante, utilizando de forma pioneira efeitos digitais, gritos abafados e sons de vidro partido.

O letrista Ian Curtis retrata suas experiencias de epilético no mutante ritmo disco de "She's Lost Control"; "Shadowplay" evoca imagens da decadencia urbana e da paranóia de Manchester, no majestoso hino à morte "New Dawn Fades" e na assustadora "I Remember Nothing", enquanto a enérgica "Interzone" e "Disorder" mostram porque a banda tinha fama de ser feroz em suas apresentações ao vivo.

Naqule período pós-punk, em que imperavam o busy design e as cores básicas, a capa, que mostrava ondas de rádio emitidas por uma estrela em extinção, contra um fundo totalmente preto, foi tão marcante quanto a música do álbum e antecipou uma revolução no design minimalista.

Unknown Pleasures foi um sucesso de público e crítica - embora um jornalista tenha feito um elogio torto, ao escrever que o álbum era perfeito para se ouvir antes de cometer suicídio.

 

 

Reggata De Blanc (1979) - Police

O primeiro disco do Police, Outlands D´Amour, apareceu no final de 1978 e incluiu tres singles de sucesso. Mas quando este segundo album com um nome em ingles pidgin - Reggata De Blanc significa "reggae branco" - surgiu no outono, logo disparou para o primeiro lugar da parada britanica e se tornou o segundo LP do Police a entrar, em 1979, nos Top 30 dos EUA.

A transformação do Police do punk de imitação que era, em 1977, para talvez, a maior banda de rock do mainstream, em 1983, foi notável. Reggata... originou os dois primeiros singles do grupo a chegar ao primeiro lugar das paradas americanas - "Walking On The Moon" e "Message In a Bottle" ("The Bed´s Too Big..." era a faixa principal do que ficou conhecido como "SixPack", um lançamento especial que tambem continha os cinco hits anteriores em single da banda pela A&M). Os dois singles representavam o tipo de new wave da banda, em que se destacavam os riffs economicos, mas cativantes de Andy Summers e a bateria agil de Stewart Copeland. O integrante-chave do trio, porém, era um ex-professor de Newcastle, Gordon Summer, mais conhecido como Sting - um dos melhores vocalistas do mundo, baixista e compositor.

Copeland tinha tocado antes com o Curved Air e convidou o desconhecido Sting para o Police, que era empresariado por seu irmão, Miles. Summers, que havia se apresentado com o Zoot Money, Eric Burdon, Kevin Coyne e Kevin Ayers, entre outros, foi escolhido por Copeland e Sting quando os dois ouviram um single da banda na qual ele tocava, Strontium 90. Apesar do sucesso mundial, o equilibrio do poder dentro da banda sempre foi delicado.

O Police se separou em 1985 e Sting partiu para uma prolífica carreira solo.

 

 

Mothership Connection (1976) - Parliament

Inspirado pela linha de produção sonora da Motown, George Clinton construiu gradualmente a nave espacial funk que era o Parliament-Funkadelic: dois grupos, vários projetos paralelos e mais de 50 músicos, incluindo a estrela do sax Maceo Parker e o deus do baixo Bootsy Collins.

Mothership Connection -- o terceiro e melhor álbum do Parliament -- é uma prova da força absoluta de sua capacidade musical e inovação. A capa mostra Clinton de braços e pernas abertos, fantasiado de astronauta, mas a bordo de botas de cano alto e saltos plataforma, pulando de uma nave espacial -- e isso é o mais perto que uma foto poderia chegar para descrever o conteúdo do album. Sob a orientação de Clinton, o Parliament pegou o Funk, lavou com acid, vestiu com uma roupagem de ficção cientifica e embrulhou numa atitude cool. O resultado são sete faixas de R&B perfeito e incansavel, arranjado de forma imaculada por Colllins, Clinton, o Trombonista Fred Wesley eo tecladista Bernie Worrel.

"P-Funk (Wants to get funked up)" anuncia o que está por vir. Clinton começa suavemente, cantando contra suas lânguidas linhas de baixo -- aí, acelera ao maximo e deixa os sintetizadores, metais e harmonias tomarem conta. Dali por diante, cada faixa é uma explosão de ritmos entrelaçados.

As inovações de Mothership Connection o tornaram o melhor disco de funk de todos os tempos. Um grande sucesso na época ("Tear the roof off the sucker" foi o maior hit do Parliament entre os hots 100), o álbum mudou a maneira como as pessoas viam o funk e o R&B. Décadas depois, o impacto deste LP ainda ressoa no trabalho de rappers como Warren G. e Snoop Dogg, e em roqueiros como os Red Hot Chili Peppers e o Primus. O legado de "P-funk" fez de Clinton e Cia. um dos mais importantes grupos da história da música nos Estado Unidos.

 

 

Flashmob (2009) - Vitalic

Como transmitir expressões humanas através de uma arte tão mecânica quanto o techno? As batidas são retas. Os timbres, diferentes de qualquer um saído de instrumentos de corda ou sopro. Sem falar nos compassos, sincronizados como apenas uma máquina faria. O produtor francês Vitalic é um dos que conhecem a resposta.

Futurista por aptidão, as músicas de seu novo álbum, Flash Mob (2009), se desenvolvem sobre dois elementos - ritmo e melancolia. Não há paisagens solares nem baladas preguiçosas. Trechos orgânicos também são raros, e encontrados nos arpejos esparsos de faixas como "See the Sea (Red)". De alguma maneira, conseguimos ouvir a força criativa de Vitalic, embrulhada entre sintetizadores e batidas eletrônicas.

No conjunto, há poucos motivos para sorrir. O que torna essas composições algo além de puro pessimismo futurepop (de grupos como o alemão VNV Nation) é sua capacidade de estimular nossa adrenalina. Mesmo brotando do cinza, a energia de "Terminateur Benelux" - com sua linha de baixo áspera, sinetas convulsivas e teclados escorregadios - seria capaz de acender uma lâmpada elétrica.

Quem já conhece o som do produtor vai encontrar semelhanças entre essas faixas e sucessos antigos. "Flash Mob" lembra "La Rock 01" (de sua estreia, OK Cowboy, de 2005) pela aceleração constante. A velocidade dos teclados desenha um crescendo interminável que deve criar novos momentos esfuziantes em pistas de dança. Uma cauda longa inversa do êxtase eletrônico que nem Chris Anderson poderia explicar.

É o mesmo tipo de som urbano que marca a obra de artistas como o inglês Surgeon. Vitalic se apropria de maneira inventiva do jogo entre luz e sombra criado pelos pioneiros de Detroit. Parece não haver emoções na massa metálica de "See the Sea (Blue)". Mas bastam alguns minutos (lá pelos 2'40") para que ela acelere e faça neurotransmissores inundarem nossas sinapses de sensações bem reais.

 

 

The Doors (1967) - The Doors

A profunda influência exercida pelo The Doors no amadurecimento do rock dos anos 60 pode ser atribuída não apenas ao vocal apaixonante, à poesia sombria e ao carisma pessoal de Jim Morrison, mas também a integração certeira entre o teclado de Ray Manzarek, a guitarra de Robby Krieger e a bateria de John Densmore. Morrison era a cara do grupo(quase que literalmente na capa do disco, a foto de Guy Webster reduz os outros integrantes a meros satélites), mas o impacto deste álbum está efetivamente na interação entre os quatro músicos.

O The Doors reuniu uma rica variedade de estilos – incluindo rock, blues, jazz e flamenco. A faixa de abertura, “Break On Through”, é um apelo apaixonado à geração psicodélica, enquanto a hipnótica “Soul Kitchen” apresenta mudanças sutis na dinâmica da música, o que se tornaria uma característica do grupo. “The Crystal Ship” mostra o lado crooner de Morrison (Sinatra era um de seus ídolos), em contraste com o trabalho fascinante de Manzarek no teclado. De fato, o The Doors estava tão seguro de sua competência musical que as versões de “Alabama Song”, de Brecht/Weill, e do blues “Back Door Man” parecem originais.

As duas faixas mais longas fizeram a fama da banda (e ajudaram o disco a chegar ao segundo lugar nas paradas americanas). “Light My Fire”, uma das músicas mais reinterpretadas do grupo(chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos, numa versão editada), é um glorioso hino com influências jazzísticas, ao desejo sexual. Mas é com “The End” que o ethos do The Doors chega à plenitude – um épico edipiano de luxúria e morte, com 11 minutos de duração, no qual o grupo oferece um surpreendente contraste polimórfico à narrativa cativante de Morrison. O rock teatro começa aqui!

 

 

A Love Supreme - John Coltrane

John Coltrane é o saxtenorista mais cultuado do jazz. Em 1960, após deixar o conjunto de Miles Davis, Coltrane iniciou uma nova fase, liderando um quarteto com McCoy Tyner ao piano, Jimmy Garrison ao contrabaixo e Elvin Jones à bateria, começava uma ousada e inédita exploração do espaço sonoro jazzístico. Coltrane desenvolveu um estilo absolutamente próprio, onde predominavam as chamadas sheets of sound (folhas ou camadas de som), que se compunham de longas frases de notas rápidas tocadas em legato. Coltrane embarca numa redicalização da harmonia que o leva à beira do atonalidade. Também fragmenta e desconstrói os temas, deixando-os quase irreconhecíveis sob um congestionamento de frases torturadas. A produção do quarteto de Coltrane entre 1960 e 1965 é um marco na história do jazz, comparável ao quinteto de Miles.

Em 1965 o quarteto cria aquela que é unanimemente considerada sua obra-prima, a suíte em quatro movimentos A Love Supreme

"A Love Supreme é mais do que um disco de quatro temas; é sua homenagem a Deus, e segundo o próprio músico, a única vez em que conseguiu imaginar toda a música em sua cabeça e saber exatamente o que queria."

 

 

Abraxas - Carlos Santana

Abraxas é um daqueles momentos mágicos do rock, é uma viagem espiritual. O álbum é excelente desde a primeira até a última música, seja pela técnica apurada do guitarrista, seja pela energia impressa pela percursão de Jose Areas, Mike Carabello e Rico Reyes.

O encadeamento dos temas, é perfeito na passagem instrumental de uns para outros.

O disco começa em tom calmíssimo, de vagas pianísticas e som de maré, interrompido por uma guitarra elétrica que vai apresentando a paisagem sonora, em instrumental que adquire um ritmo de jazz-rock, que para muitos, nunca mais foi atingido, em qualidade.

 

 

Exile On Main St. - Carlos Santana

Em 1972, saiu pela Rolling Stones Records “O” disco desta, que sempre foi, a maior banda de rock do mundo. “Exile on main St.” é uma viagem a raros padrões de consciência.

Depois de uma turnê muito lucrativa (como sempre), os Stones se exilaram na França para fugir dos impostos britânicos e produzir o seu próximo álbum. Foi justamente no estúdio da casa de Keith Richards que a banda criou essa obra prima. A inspiração foi tanta que Exile On Main Street saiu como um disco duplo. No começo Mick Jagger ficou preocupado, pois seria mais caro que um LP simples, mas logo ele viu que “Exile” se tratava de um marco na história da banda.

Parecia que os Stones tinham voltado às raízes dos seus primeiros álbuns, mas, por outro lado, apesar de não soar nada novo, as músicas eram brilhantes e a energia da banda foi capturada no estúdio. Um trabalho genial, que soa como um disco histórico de rock, blues, soul e até country.

 

 

The Dark Side Of The Moon - Pink Floyd

The Dark Side of the Moon é um dos álbuns preferidos há décadas, graças a qualidade do conjunto: músicas, letras e produção. E na produção, chama destaque também, sua masterização analógica e o uso de pistas variadas nas gravações entre outros truques, como o som "Quadrafônico", irmão mais velho do Surround Digital (infelizmente não utilizado oficialmente no LP), tudo orquestrado pelo mestre de estúdio Alan Parsons no lendário Abbey Road, em Londres. Quando se sabe que este é um trabalho que teve "mixagens não-autorizadas", é inevitável concluir sua relevância para o lado de lá da mesa de som. O que hoje é feito facilmente com processadores, VSTs e plug-ins, à época precisava de posicionamento de microfones, ajustes finos de impedância, reverbs de mola, pedais, múltiplas gravações e "afinamento natural" das vozes e, óbvio, saber tocar instrumentos.

As letras das canções são, igualmente, um capítulo à parte. O lirismo típico de Waters e Gilmour vagueia por temas complexos e densos, porém, mundanos.

 

 

Kind of Blue - Miles Davis

Obra-prima do jazz, o disco Kind of Blue, do trompetista norte-americano Miles Davis, terá seus 50 anos de lançamento celebrados em 17 de agosto, mas desde já não faltam homenagens. A edição especial do disco, recheada de material extra (dois cds, um dvd, uma versão em vinil e livreto), chegou às lojas brasileiras – custa quase R$ 500,00.

Considerado um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, Kind of Blue reúne John Coltrane, Bill Evans, Cannonball Adderley, Jimmy Cobb e outras feras em torno do mestre Miles Davis.

 

 

Thats The Way It Is - Elvis Presley

Thats The Way It Is (1970) é certamente um dos melhores albuns lançados por Elvis. Foi de certa forma um projeto conceitual, lançado conjuntamente com o filme de mesmo nome, sem ser necessariamente uma trilha sonora. Basicamente um álbum de originais, com oito das doze composições fazendo sua estréia na voz de Elvis. Buscou-se  composições inéditas de primeira linha, que seriam eternizadas por interpretações soberbas. Como seria característica nos discos dessa década é nítida a variedade de gêneros, mas dessa vez genialmente construindo um mosaico mágico de pop, country, gospel, blues e eventualmente o Rock´n´Roll para manter a coroa. Tudo arranjado com altíssima qualidade e interpretado com emoção e vigor insuperáveis. As baladas históricas desse projeto, destacam-se pelas letras maduras e pelas interpretações envolventes do cantor. Tanto os covers quanto as originais  apresentam arranjos elegantes com metais e cordas que nunca se sobrepõe em excesso as interpretações apaixonadas de Elvis.

Juntas, as composições quase podem contar uma história do que é a vida. Vida e morte através do amor, e de diferentes realidades desse sentimento. De um lado a alegria, o coração acelerado e o sentimento de jovialidade que acompanha cada paixão, representadas por  How The Web Was Oven, The Next Step Is Love, Mary In The Morning e I´ve Just Can Help Believin. Do outro, a face mais sombria. Essa marcada pela desilusão, pela perda e pelo sofrimento, desnudadas em Just Pretend, I´ve Lost You e You Dont Have To Say You Love Me. São ótimos exemplos da versatilidade de Elvis, um vocalista supremo que interpreta cada peça como uma história a parte.

Just Pretend e I´ve Lost You são espetaculares sinfonias do romantismo do século XX. Estão entre as baladas máximas do rei. A primeira é tingida pelo gospel, cheia de rancor e reminiscente das faixas mais desesperadadas do American em 1969.  I´Ve Lost You  é precisamente uma viagem ao sentimento.

Dois covers também são destaques do álbum. O primeiro é sua belíssima versão de Bridge Over Troubled Waters. É a versão definitiva do clássico da dupla Simon & Garfunkel. Elvis cria uma releitura apaixonada, sincera. É quase um gospel, com cada sábia sílaba da composição cantada com fervor, como se as palavras caminhassem por seu coração, por sua alma e finalmente criassem vida através de sua divina voz.

O mesmo ocorre em You´ve Lost That Lovin Feeling. A entrega é total, a paixão no seu vocal é evidente e o resultado é uma versão arrebatadora de um dos maiores icones da norte-música americana.

Com canções originais e covers impecáveis, Thats The Way It Is é testemunho de uma majestade em seu melhor momento.

Muito bem recebido pela crítica da época, foi sucesso de vendas, garantindo a Presley mais um disco de ouro.

 

Magnífico

 

"Uma mistura de faixas ao vivo com trabalhos de estúdio, centrados em um grande show em Las Vegas. Inspirado por um movimento  de cantores-compositores que se estabelecia em Nashville no começo dos anos setenta, Thats The Way It Is é a mais madura coleção de canções de Presley.

Diferente da sua estratégia padrão, Parker permitiu que Elvis gravasse sucessos recentes de outros artistas. Não importa quem fez o original, Presley é um cantor superior."

 

Tom Nawrocki, Rolling Stone

 

Fontes: 1001 discos para ouvir antes de morrer; Whiplash, E-Jazz, Loja de Esquina, Omelete; rraurl.com; Sergio Biston